Os cristãos tem uma palavra específica e própria para o esforço, chama-se sacrifício. Esta palavra tem sido muito maltratada e quase se tornou uma palavra não grata. Mas, realmente, o sacrifício, na mentalidade cristã, é um esforço que se faz quer por nós quer pelos outros com o objectivo de podermos contribuir favoravelmente para aumentar a felicidade, tanto a nossa como a dos outros. Torna-se urgente recuperar a palavra “sacrifício”, purificá-la de algumas interpretações erróneas e radicais e propô-la à sociedade actual como um projecto de vida ao serviço de uma sociedade mais humana e mais fraterna.
Os bons resultados, em qualquer âmbito da vida, alcançam-se com esforço, empenho e dedicação. Este é um caminho árduo e difícil, mas é, sem dúvida, a senda do êxito. Não há outro caminho. Se se opta pelo mais fácil e menos trabalhoso, normalmente, a tarrefa corre mal.
Vivemos numa sociedade que valoriza demasiado o facilitismo
e despreza o valor do esforço e do empenho.
Diz-se que o que é bom é o que é fácil.
Palavras como “esforço”, “dedicação”, “sacrifício”…
não constam na maioria do nosso vocabulário.
Paira no ar o preconceito errado de que a facilidade é sinónimo de felicidade, de que não vale a pena lutar por um ideal mas sim entregar-se àquilo que nos vai aparecendo no caminho.
Inúmeras vezes, crianças, adolescentes e jovens ficam apreensivos com a exigência e o esforço que a vida lhes apresenta. Hoje, pensa-se que sacrifícios e esforços para transpor obstáculos na vida são coisas do passado, ultrapassadas.
Por outro lado, somos bombardeados com exemplos de líderes destacados da sociedade que progrediram, não graças ao esforço e ao trabalho, mas à custa de «cunhas», «batotices», «falcatruas»…
Porém, continua a ser incontornável a ideia de que só com sacrifícios, esforço e empenho se consegue aprender o suficiente para se crescer como ser humano consciente do mundo e verdadeiramente bem preparado para exercer uma actividade profissional realizadora, pessoal e monetariamente.
O esforço ajuda-nos a desenvolver as nossas capacidades. Quando os nossos esforços começam a dar frutos,
sentimo-nos estimulados.
Então, esforçamo-nos ainda mais,
Então, esforçamo-nos ainda mais,
pois vislumbramos o êxito e novas possibilidades.
Isto aumenta a nossa autoconfiança e possibilita êxitos posteriores. Portanto, o esforço ajuda-nos a enfrentar a vida.
O esforço impede-nos de fugir ou desistir perante as dificuldades, porque dá-nos força e vigor para as ultrapassarmos.
Com uma vida marcada pelo esforço, ganhamos o respeito e a admiração dos outros. Quando fazemos o nosso melhor com constância e determinação, suscitamos a admiração e conquistamos a confiança dos que estão à nossa volta. Simultaneamente, somos modelos para eles imitarem.
Não há maior satisfação do que aquela que se experimenta quando concluímos uma tarefa ou um projecto com a consciência de termos dado o melhor e o máximo de nós mesmos.
Abel Dias, em revista Audácia, novembro de 2009

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