A palavra «perdoar» deriva do latim per + donare. «Per»
significa intensidade, aumento, totalidade ou a fundo. «Donare» é o mesmo que
doar. Portanto, perdoar poderia ser traduzido não só como absolver, desculpar,
mas também como «doar intensa e totalmente» a dívida.
Ora, doar significa dar
sem querer ou esperar algo em troca, ou seja, dar gratuitamente. Assim, perdoar
pode também ser compreendido como «dar totalmente» a dívida a alguém. Não em parte,
não pela metade, mas «a fundo», totalmente. Isso significa dizer que não existe
meio perdão nem perdão que guarda mágoas. Porque se perdoo, ou seja, se dou
totalmente a dívida, não me resta nada, não me sobra nada para que possa exigir
depois ou usar como justificativa para acusar a outra parte.
Quando perdoamos
alguém,
rasgamos totalmente a dívida que aquela pessoa tinha connosco. Não
sobra nada. Não há espaço para afirmações como «Eu já te perdoei, mas não quero
mais falar contigo!», ou «Eu já te pedi perdão, mas ainda acho que tu estavas
errado!»
Mais do que um acto momentâneo e humano, o perdão é um modo
de ser só ao alcance de Deus, tal como se deu a conhecer em Jesus Cristo : perdão
total, definitivo e incondicional, para quem o queira acolher. Nós, cristãos,
somos chamados a aprender de Deus este modo de ser e a praticá-lo, tanto quanto
nos seja possível, dando testemunho da nossa condição de filhos de Deus,
reconciliados pelo dom divino do perdão, concedido a toda a Humanidade em Jesus Cristo. É um
serviço que prestamos ao mundo, em vistas da unidade e da reconciliação de
todos os seres humanos entre si e com Deus.
Quando perdoamos, deixamos de estar emocionalmente
aprisionados à pessoa que nos fez mal.
Abel Dias, em revista Audácia, janeiro de 2010

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