Estamos a caminho, a passos largos, da Páscoa – a
celebração central dos cristãos.
Alguns andam já atarefados e preocupados com as
amêndoas, os ovos, os chocolates, os coelhinhos e os folares. Ficarão assim pelo acessório e pelo superficial e
sem penetrar no verdadeiro sentido da Páscoa? A Páscoa é, sobretudo, a festa da
esperança.
Na sua etimologia latina, «esperança» vem de spes e sperare, que significa uma «espera aberta, que não assenta em resultados
externos (como a expectativa), mas sobre a realização da pessoa (uma mudança
radical da condição humana)».
A esperança é uma tendência para um bem
futuro e possível.
A esperança é uma energia interna, que cresce a cada momento
e que nos torna capazes de derrubar muros e obstáculos
que considerávamos
intransponíveis.
A esperança projecta-se no futuro, uma vez que a pessoa que
espera procura fundamentar e dar as razões dessa esperança e assume-se,
consequentemente, não só como uma pessoa com um passado e um presente, mas,
essencialmente, uma pessoa com um futuro. A vivência da esperança transmite paz
e segurança ao dia de hoje e faz, assim, caminhar, sem medo, rumo a um
horizonte futuro.
Para os cristãos, a esperança tem um nome e um rosto:
Jesus
Cristo.
É Ele a fonte e a razão da nossa esperança. É Ele que dá sentido e nos
dá forças para nos empenharmos a lutar por um mundo mais humano e mais fraterno
e é, igualmente, Ele que nos garante a Sua presença na nossa vida presente e
futura.
A certeza de que Jesus está vivo e presente na história da
humanidade é o alicerce onde assenta a esperança cristã. Assim, a esperança
cristã não é um antídoto para o desânimo ou uma pílula para a felicidade
baseada numa ilusão construída ou numa utopia desejada, mas é, essencialmente,
uma força, uma energia transformadora do presente, que nos envolve na
construção de um futuro melhor para todos. Assim, a esperança é uma força
transformadora do presente assegurando-lhe um futuro.
É costume ouvir dizer que «enquanto há vida há esperança».
Acredito que o contrário também é verdade:
enquanto há esperança há vida.
enquanto há esperança há vida.
Se
perdermos a esperança,
viver torna-se um fardo pesado e sem sentido.
A esperança qualifica e dignifica a vida.
viver torna-se um fardo pesado e sem sentido.
A esperança qualifica e dignifica a vida.
Esta é a grande mensagem e definição da Páscoa: a certeza da
ressurreição de Jesus. Esta é a certeza fundante e fundadora da nossa fé
cristã. Celebrar a Páscoa é, sobretudo, celebrar a esperança. É proclamar bem
alto que Jesus Cristo está vivo e presente na nossa vida e na vida do mundo.
Que Ele caminha connosco, que nos anima, encoraja e nos desafia a estarmos
também presentes no mundo e nas vidas dos nossos irmãos, para lhes levarmos uma
palavra amiga de fé, esperança e caridade.
Abel Dias, em revista Audácia, março de 2008

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