No Evangelho, Jesus Cristo desafia-nos a ser a luz do mundo e, assim, iluminarmos, com a nossa fé, as nações, de modo que elas
possam caminhar à Luz de Cristo. O que significa ser Luz? Que tipo de luz somos
chamados a ser e como podemos ser luz para os outros?
São poucos os seres que conseguem viver sem luz. Realmente
precisamos de luz para viver.
Para os seres humanos, a luz é crucial
e não nos sentimos
muito bem na escuridão.
São muitas as histórias de medo, de insegurança e de
confusão que recordamos da nossa experiência com a escuridão. Quando entramos
num compartimento escuro, geralmente temos medo e andamos devagarinho, às
apalpadelas, com medo de chocar contra alguma coisa e assim nos magoarmos.
A escuridão paralisa-nos e impede-nos de nos movimentarmos à
vontade e com confiança. Mas, a partir do momento em que acendemos a luz, o medo
desaparece e conseguimos movimentar-nos com rapidez e segurança. A luz
simplifica-nos a vida e traz-nos confiança e segurança. Perante a luz, tudo se
torna visível e bem identificado.
Cristo é a nossa Luz
Ao longo das páginas da Bíblia, a luz é um símbolo poderoso
acerca do que é Deus, a ponto de S. João dizer na sua primeira carta que Deus é
a luz: «Deus é luz, nele não há trevas» (1Jo 1, 5).
A pessoa e a mensagem de Jesus
têm poder para iluminar as
nossas vidas
e impedir-nos de viver nas trevas.
Assim, para os cristãos, a nossa
luz é Cristo. É Ele que ilumina a nossa vida, erradicando o medo e a
insegurança e acrescentando-lhe sentido e valor.
A presença de Jesus nas nossas vidas permite-nos
(re)interpretar e (re)estruturar a nossa vida à luz da sua Palavra, trilhando,
assim, o caminho que nos torna ilustres, o que é sinónimo de ser santos.
O mundo de hoje é um mundo às escuras.
São inúmeras as pessoas, e as situações sombrias – como
mentira, corrupção, infidelidade, roubo, vícios, etc. – que necessitam da luz de
Cristo para se poderem tornar visíveis e identificadas com o bem. O medo, a
insegurança, a incerteza, a dúvida, o sofrimento, características de uma vida
às escuras, são cada vez mais frequentes nas vidas de tantos amigos e
contemporâneos nossos, provocando ondas de tristeza, de frustração e de
desespero no mundo pós-moderno.
As trevas, ao longo da Bíblia,
significam andar afastados de Deus.
A luz não existe em função de si, não é luz para si mesma,
não ilumina a si mesma. A Luz existe em função do que a rodeia, existe para
iluminar a tudo e a todos.
Ao reconhecermos e aceitarmos Jesus como luz do mundo,
também nós nos tornamos luz. Podemos fazer uma comparação simples. Assim como a
Lua reflecte a luz do Sol também nós devemos reflectir a luz de Cristo, o nosso
sol.
O mundo precisa que sejamos o reflexo da luz que é Cristo. Jesus
também disse que «não se acende uma candeia para colocá-la debaixo do alqueire,
mas sim em cima do candelabro, e assim alumia a todos os que estão em casa»
(Evangelho de Mateus 5,15).
A luz que temos dentro de nós não é para esconder
timidamente mas para oferecer aos outros para que também eles possam ser
inundados por essa luz.
Ser luz significa mostrar com o nosso testemunho, as
nossas palavras e as nossas ações que, realmente, Cristo faz a diferença e de
que uma vida de acordo com os seus ensinamentos é uma vida mais feliz.
Abel Dias, em revista Audácia, outubro de 2009

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