Valores humanos e cristãos na Quaresma: 13 - ILUMINAR


No Evangelho, Jesus Cristo desafia-nos a ser a luz do mundo e, assim, iluminarmos, com a nossa fé, as nações, de modo que elas possam caminhar à Luz de Cristo. O que significa ser Luz? Que tipo de luz somos chamados a ser e como podemos ser luz para os outros?

São poucos os seres que conseguem viver sem luz. Realmente precisamos de luz para viver.

Para os seres humanos, a luz é crucial 
e não nos sentimos muito bem na escuridão. 

São muitas as histórias de medo, de insegurança e de confusão que recordamos da nossa experiência com a escuridão. Quando entramos num compartimento escuro, geralmente temos medo e andamos devagarinho, às apalpadelas, com medo de chocar contra alguma coisa e assim nos magoarmos.
A escuridão paralisa-nos e impede-nos de nos movimentarmos à vontade e com confiança. Mas, a partir do momento em que acendemos a luz, o medo desaparece e conseguimos movimentar-nos com rapidez e segurança. A luz simplifica-nos a vida e traz-nos confiança e segurança. Perante a luz, tudo se torna visível e bem identificado.

Cristo é a nossa Luz
Ao longo das páginas da Bíblia, a luz é um símbolo poderoso acerca do que é Deus, a ponto de S. João dizer na sua primeira carta que Deus é a luz: «Deus é luz, nele não há trevas» (1Jo 1, 5).

A pessoa e a mensagem de Jesus 
têm poder para iluminar as nossas vidas
e impedir-nos de viver nas trevas. 

Assim, para os cristãos, a nossa luz é Cristo. É Ele que ilumina a nossa vida, erradicando o medo e a insegurança e acrescentando-lhe sentido e valor.

A presença de Jesus nas nossas vidas permite-nos (re)interpretar e (re)estruturar a nossa vida à luz da sua Palavra, trilhando, assim, o caminho que nos torna ilustres, o que é sinónimo de ser santos.

O mundo de hoje é um mundo às escuras.
São inúmeras as pessoas, e as situações sombrias – como mentira, corrupção, infidelidade, roubo, vícios, etc. – que necessitam da luz de Cristo para se poderem tornar visíveis e identificadas com o bem. O medo, a insegurança, a incerteza, a dúvida, o sofrimento, características de uma vida às escuras, são cada vez mais frequentes nas vidas de tantos amigos e contemporâneos nossos, provocando ondas de tristeza, de frustração e de desespero no mundo pós-moderno.

As trevas, ao longo da Bíblia, 
significam andar afastados de Deus.

A luz não existe em função de si, não é luz para si mesma, não ilumina a si mesma. A Luz existe em função do que a rodeia, existe para iluminar a tudo e a todos.
Ao reconhecermos e aceitarmos Jesus como luz do mundo, também nós nos tornamos luz. Podemos fazer uma comparação simples. Assim como a Lua reflecte a luz do Sol também nós devemos reflectir a luz de Cristo, o nosso sol.

O mundo precisa que sejamos o reflexo da luz que é Cristo. Jesus também disse que «não se acende uma candeia para colocá-la debaixo do alqueire, mas sim em cima do candelabro, e assim alumia a todos os que estão em casa» (Evangelho de Mateus 5,15).

A luz que temos dentro de nós não é para esconder timidamente mas para oferecer aos outros para que também eles possam ser inundados por essa luz. 

Ser luz significa mostrar com o nosso testemunho, as nossas palavras e as nossas ações que, realmente, Cristo faz a diferença e de que uma vida de acordo com os seus ensinamentos é uma vida mais feliz.


Abel Dias, em revista Audácia, outubro de 2009

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