Não tem sido fácil a convivência das pessoas com a verdade.
Muitas vezes houve mesmo uma relação ambígua e tumultuosa com ela. Em nome da
razão, muitos foram os atentados cometidos e os atropelos praticados.
Hoje vivemos um tempo onde damos muita importância à
verdade, mas, por outro lado, facilmente verificamos um certo (e penoso)
ofuscamento dela. Às vezes, as pessoas mentem descaradamente mas juram a pés
juntos que estão a ser sinceros.
A verdade, por vezes, é manipulada ao sabor das vontades e
conveniências. Este comportamento, de falta de honestidade, ou manipulação da
verdade, invade os mais recônditos lugares da esfera do individual, social e
institucional. Certas atitudes e comportamentos, assumidos em nome da verdade,
levam muitas vezes a desacreditá-la ou a relativizá-la.
Há também quem, recorrendo a processos refinados,
continue a
alimentar a pretensão de possuir toda a verdade.
Aliás, esta parece ser uma
tendência comum em algumas correntes do pensamento contemporâneo. Trata‑se da
tendência da pessoa para “possuir verdades” em vez de se deixar possuir pela
verdade. De facto, a impressão que prevalece é a de que a verdade tem muitos
possuidores e poucos buscadores (servidores).
Nesta busca pela verdade, umas vezes falsa, outras vezes
autêntica, é necessário clarificar os métodos e os princípios e ter sempre em
mente a convicção de base, correctamente enunciada pelo Concílio Vaticano II:
«A verdade não se impõe de outro modo senão pela sua própria força, que penetra
nos espíritos de modo ao mesmo tempo suave e forte», afirmou o Vaticano II, na declaração Dignitatis
humanae, sobre a liberdade religiosa.
Uma
verdade que ofendesse, que excluísse e que humilhasse
seria tudo menos verdade;
não passaria de uma contradição, de uma humilhação.
Nunca percamos de vista que a verdade tem como (supremo)
objectivo edificar a pessoa humana no seu todo, contribuindo para a revelação
da dignidade que ela encerra. Por essa razão, a verdade comporta uma
dimensão itinerante: ela é de sempre, mas pode ser descoberta – ou reconhecida
– apenas num momento tardio ou até no momento terminal da existência.
Para os cristãos a verdade habita em Jesus Cristo.
Deixa-te conduzir pela verdade. Procura ser, no ambiente onde vives,
família, escola, paróquia, sociedade, um buscador e facilitador da verdade.
Procura, em tudo o que fazes, colocar a verdade como prioridade e meta. Deixa
que ela seja o valor que marca a tua vida. Lembra-te que nas montanhas da
verdade nunca se faz uma escalada inútil.
Abel Dias, em revista Audácia, maio de 2008

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