Uma vez, uma menina saiu de casa e foi dar um passeio. No
caminho encontrou uma borboleta presa pelas asas numa teia de aranha. A menina,
compadecida, tirou com todo o cuidado a borboleta da teia e deixou-a voar. A
borboleta, quando se sentiu livre, transformou-se em fada e disse à menina:
– Quero agradecer o teu gesto de amor! Diz-me qual é o teu
maior desejo e eu o realizarei.
A menina respondeu com sinceridade:
– Olha, sabes, o que eu quero mesmo é ser feliz. Indica-me o
caminho da felicidade!
E a fada sussurrou-lhe ao ouvido e depois seguiu o seu
caminho voando pelo céu azul.
Desde aquele momento, a menina começou a ser outra. Ninguém
na aldeia era tão feliz como ela. As pessoas começaram a ficar curiosas e
perguntavam-lhe qual o seu segredo. Porém, ela contornava sempre a resposta
dizendo que era segredo, o segredo da fada. Assim, chegou a velhinha e era
ainda a mulher mais feliz da aldeia, apesar das dificuldades. Com medo que ela
morresse e levasse consigo o segredo, as pessoas da aldeia insistiam ainda mais
para que ela o transmitisse. Até que um dia, a velhinha, sorrindo, consentiu
revelar o segredo.
– O que a fada sussurrou ao meu ouvido é muito simples! Ela
disse-me: «Mesmo que as pessoas sejam auto-suficientes, não acredites. Todos
necessitam de ti…», porém, para mim foi o segredo da minha felicidade. E eu
vivi sempre com a certeza e a segurança de que todos necessitavam de mim.
Dei-me a todos e esse foi o segredo da minha vida feliz!
A maior utilidade da vida
é usá-la em prol de algo que sobreviva a ela.
(William James)
Abel Dias, em revista Audácia, julho/agosto de 2009

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