Valores humanos e cristãos na Quaresma: 8 - ALEGRIA


Muitos poderemos perguntar se haverá motivos para a alegria no mundo em que vivemos ou, até mesmo, se será possível a alegria? Sobretudo quando verificamos o aumento da pobreza, o crescimento da insegurança no futuro, a multiplicação das agressões violentas contra as pessoas e a Natureza e a existência de tantos sofrimentos e de tantas lágrimas. Talvez seja por estas razões que vemos, constantemente, rostos tristes quando passeamos pela rua. Talvez muitos de nós já se tenham rendido à tristeza e fazem dela a sua companheira incómoda, mas constante.

Precisamos de recuperar o segredo e o sentido da alegria, 
aquela força que nos faz olhar para o presente e para o futuro
com serenidade e confiança. 
Recuperar o perfume contagiante do sorriso que afecta 
e modifica o nosso ambiente
e o ambiente daqueles que nos rodeiam.

O apóstolo São Paulo diz-nos que o desejo de Deus é «Vivei sempre alegres, orai sem cessar, dai graças em todas as circunstâncias». 
O cristão não pode viver como se o Deus da alegria não tivesse vindo para o meio de nós. Vivemos na alegria, porque sabemos donde vimos e para onde caminhamos. Estamos certos de que no fim da nossa caminhada encontraremos os braços amorosos do Pai que nos acolhe e nos introduz na felicidade plena. Não nos faltarão dificuldades, incompreensões e perseguições. Poderemos até parecer derrotados. Mas, nos nossos olhos, deve brilhar sempre a certeza de que Deus caminha connosco, nunca nos esquece e é fonte da nossa alegria e serenidade.

No coração de todos nós, no que podemos chamar o nosso «jardim secreto», está a alegria. Ela é a planta de raízes mais resistentes, que aí é cultivada e colhida. Ela resiste a todas as intempéries da vida, mesmo quando assolada por tristezas e fracassos. 

A alegria está inscrita nos nossos genes cristãos, 
é a característica que recebemos de Deus, nosso Pai.
A nossa tarefa é, então, a de dar alegria, confiança 
e esperança ao mundo. 

Um coração cristão tem necessariamente de ser um coração alegre. Se eu irradiar alegria, já anuncio e testemunho o Evangelho. Assim, ao semearmos a alegria no coração do nosso irmão, rapidamente a veremos florir no nosso. Para Deus conta o que fizermos pelos outros com alegria para os tornarmos felizes já nesta terra. 

O nosso querido e saudoso Papa São João Paulo II dizia:
«Quando a alegria de um coração cristão se derrama nos outros homens, ali gera esperança, optimismo, impulsos de generosidade na fadiga quotidiana, contagiando toda a sociedade.»

Abel Dias, em revista Audácia, fevereiro de 2009

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