Valores humanos e cristãos na Quaresma: 4 - JUSTIÇA


A justiça é um valor fundamental para nós e para o mundo, pois é o caminho mais sólido, rápido e direto para a paz interior e exterior, individual e colectiva.

Todos nós, com certeza, já experimentámos a revolta quando a injustiça nos atinge ou atinge outras pessoas que nós estimamos. Não há causa mais geradora de violência nas pessoas, nas sociedades e entre as nações do que a prática da injustiça. Quantas são as guerras individuais e colectivas que tiveram origem nas injustiças cometidas! A injustiça fere os direitos fundamentais e a dignidade das pessoas e dos povos.

A justiça é uma das quatro virtudes cardinais
(com a prudência, a temperança e a fortaleza)
e consiste «na constante e firme vontade de dar aos outros o que lhes é devido» (Catecismo da Igreja Católica, n.º 381).

A justiça é representada por uma estátua, com os olhos vendados e com uma balança na mão, pretendendo simbolizar que todos são iguais perante a lei. A justiça procura, assim, buscar a igualdade entre os cidadãos assente na sua inviolável dignidade, dando o «prémio» (absolvição) ou o «castigo» (pena) apropriado ao acto cometido.

Para os cristãos, este valor assume uma redobrada importância uma vez que somos convidados a praticá-la diariamente: «Sede vós, pois, perfeitos (justos), como é perfeito (justo) o vosso Pai celestial», diz Jesus no Evangelho de Mateus, 5, 48.

Deus é justo e quer que os homens imitem esse valor. A palavra «justiça», no sentido social, pode e deve ser a expressão terrestre do princípio divino, pois, só se o for será legítimo o seu uso e da sua aplicação resultará a paz e a boa vontade entre os homens.

A justiça, quando comandada somente pelo raciocínio frio, requer um sem-número de leis para se estabelecer e realizar. 

Comandada superiormente pelo amor e pela verdade,
em todas as circunstâncias e ocasiões,
justiça significa cada um receber o que lhe é devido, não segundo a lei dos homens, mas segundo a lei de Deus.
Da mesma forma que caridade é dar aos outros aquilo que por justiça nos pertence.

Sem justiça não há paz e sem amor ao próximo não há justiça. Só amando o próximo, isto é, fazendo-lhe tudo que gostaríamos que nos fizessem a nós, a justiça será possível e, com ela, a paz e o verdadeiro bem-estar. Sem o amor ao próximo e a consequente justiça, a paz não será verdadeira, porque resultará da imposição e repressão, e estas significam injustiça. De resto, a justiça nunca é compatível com o egoísmo, com regalias especiais, com desigualdades extremas, com a força bruta e com a opressão.

Procura ser, no teu dia a dia, onde quer que te encontres, um defensor da justiça. Nunca te «vendas» ou compactues com a injustiça pois ela, mais cedo ou mais tarde, sempre produzirá sofrimentos, desigualdades e guerras que impedirão que este mundo seja um lugar mais justo, pacífico e feliz. Lembra-te que a justiça proporcionar-te-á a paz, mas, inevitavelmente, proporcionar-te-á também trabalho, dedicação e sacrifício para a alcançares. Nessa luta pela justiça deixa-te iluminar por Aquele que foi, é e será absolutamente justo – Jesus Cristo. Não desistas!

Abel Dias, em revista Audácia, junho de 2008

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