Carta da sócia Isabel Fernandes à Fraternitas: «Penso um dos sonhos do P.e Filipe era de nos apoiarmos na velhice»


Queridos manos e queridas manas do Movimento Fraternitas presentes na assembleia geral de 2 de abril de 2017!

Embora não possa estar presente neste Encontro nem na Assembleia que se vão realizar gostava de partilhar com os que aí estiverem presentes o que alguns e algumas de nós sentimos e que temos partilhado nos telefonemas que faço e com a amizade que nos une com os que mantenho uma relação mais próxima e com quem partilhamos o que nos vai na alma…

Custa-nos já não podermos participar nos Encontros de Fátima mas a saúde, a idade avançada e a distância já não no-lo permitem.

Eu, Isabel Fernandes (do Vasco), como muitos sabem, fui a primeira Secretária do Movimento Fraternitas e vivi com alguns de vós o nascimento deste Movimento Fraternitas que nos acolheu em fase tão dolorosa das nossas vidas de casais de Padres casados em processo difícil.

O P.e Filipe Figueiredo com a sua alma generosa foi a luz ao fundo do túnel em que alguns de nós vivíamos e deu-nos juntamente com o Sr. D. Serafim uma esperança maravilhosa que nos animou e nos uniu em Movimento.

O sonho do cónego Filipe era que nos apoiássemos mutuamente e que criássemos laços fortes entre nós para que a nível local, fossemos uma luz na Igreja local e déssemos o testemunho de Famílias de vivência cristã com um cunho específico, sermos famílias de padres casados que queriam continuar a pertencer à Igreja e viver em Igreja.

Também o cónego Filipe queria que nos apoiássemos e teve o sonho, que infelizmente, não conseguiu realizar, que era de criar “Residências Casas de Oração” nas quais pudéssemos viver e em que nos apoiássemos não só na altura em que se fundou o Movimento, mas também quando fossemos envelhecendo. Disso poderá dar-vos testemunho o Almeida Duarte se estiver presente, pois ele foi um dos que participou nesse sonho do Padre Filipe.

Reflectindo sobre que Movimento Fraternitas somos agora? E em virtude de toda a evolução da Igreja e do Mundo em que vivemos concluí, eu Isabel, que dos 100 sócios que chegamos a ser, a maior parte já partiu ou já é septuagenário ou octogenário e só mais ou menos uns 20 ou 30 ainda estão em plenas faculdades e com mais mobilidade e sem problemas de saúde para poderem continuar a ir a Fátima, e não há sócios novos.

Por outro lado, falando com algumas viúvas, que já somos umas 20 ou mais, das quais só umas 14 ou 15 ainda estão bem, e com alguns viúvos ou sós, que são bastante menos uns 6 ou 7, falando também com alguns casais que felizmente ainda vivem os dois, mas que já estão com menos capacidade física para nos deslocarmos e sairmos do nosso lugar, pensamos que o Movimento Fraternitas poderia também virar-se um pouco para os mais velhos e ajudar-nos a partilhar como viver a nossa velhice em conjunto ou sós, porque nem todos tem filhos ou família que os apoie, e com a nossa característica que se mantém, de sermos viúvas de famílias de Padres casados, o que nos deu uma vivência de oração e de partilha de vida talvez diferente em que sentimos quando estamos sós a dor da partida do Outro e não temos ninguém que nos compreenda por perto e, muitas vezes sentimos a dor da solidão.

Penso um dos sonhos do P.e Filipe era de nos apoiarmos na velhice.

Eu, Isabel Estou a partilhar tudo isto com os que estão na Assembleia e depois talvez com os que puderem vir a ler este meu testemunho que não é pessoal, mas que nele me incluo, porque o tenho conversado com alguns e algumas dos Manos e Manas com os quais tenho mantido contacto por visita ou telefonicamente.

Gostava que continuássemos a ser Movimento Fraternitas e desafio os que se sentem com forças, a organizarmos visitas ou encontros com os que estão mais isolados e impossibilitados de sair e numa conversa ou um cházinho partilharmos aquilo que nos parecer ser bom.

Em Chaves, no Porto, na Póvoa, em Lisboa, em Coimbra e nos outros sítios onde agora não me lembro, ou até indo a Évora (os do Sul), onde a Maria Humberta se sente muito só e num Lar…

Penso que este Movimento não é tanto um Movimento para os Padres mais novos que saem agora, pois não é esta a resposta que procuram, mas nós precisamos enquanto formos vivos, de nos sentirmos e vivermos em Movimento Fraternitas.

Gosto de me sentir Fraternitas e por isso escrevo esta partilha de vida, desejando que o Encontro seja muito bom para os que aí estiverem e aos quais me sinto unida,

Um grande abraço fraterno
Maria Isabel Fernandes


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