«Como pudemos ter usado a doutrina e a maneira misericordiosa de tratar os pecadores para justificar a sua exclusão?»
«Há pessoas que rejeitam a Jesus por culpa nossa, crentes
Nele», a afirmação de D. Diarmuid Martin, arcebispo de Dublin, Irlanda, no decurso
da Via-Sacra na semana santa (reflexões, em inglês, aqui: www.catholicbishops.ie/2017/04/14/elements-for-reflections-of-archbishop-diarmuid-martin-for-way-of-the-cross-2017, servem para reflexão neste segundo domingo da
Páscoa, chamado, desde o ano 2000, Domingo da Divina Misericórdia.
Do Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João, lido neste domingo: «A paz esteja convosco. Assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio a vós.» Dito isto, soprou sobre eles e disse-lhes: «Recebei o Espírito Santo: àqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados; e àqueles a quem os retiverdes ser-lhes-ão retidos.»
D. Diarmuid denunciou as atitudes dos cristãos que afastam as pessoas de Deus: «Os escândalos dentro da Igreja, a amargura e a divisão, os rituais
vazios, uma falsa cultura de superioridade dos clérigos, as críticas a pessoas que
Jesus teria acolhido: tudo isto contribuiu para desfazer as possibilidades de
muitos em reconhecer o verdadeiro Jesus.» Nesta denúncia ele tem o pleno respaldo do papa. «O Papa
Francisco adverte constantemente contra o perigo de uma Igreja que só olha para
dentro, protetora da instituição, arrogante, em vez de misericordiosa», lembrou o arcebispo.
E em que consiste esta
arrogância da Igreja?
D. Diarmuid Martin repudia as atitudes muito críticas e
moralizantes da Igreja e sugere atitudes acolhedoras e hospitaleiras.
«Como podem a Igreja e as suas instituições serem tão
críticas para com as pessoas destroçadas que se confiam a ela, tratarem-nas com
tanta dureza?»
«Como pudemos ter usado a doutrina e a maneira
misericordiosa de tratar os pecadores para justificar a sua exclusão?»
«Jesus foi exigente com o que esperava de seus seguidores,
mas nunca foi um moralista estreito de visão, que desejava que as pessoas
pensassem que Ele era melhor que elas».
Denúncia do
catolicismo como uma “fé de proibições”
O arcebispo de Dublin retomou o honesto exame de consciência
dos pecados da Igreja na homilia da Vigília Pascal. E denunciou um catolicismo
que se vive como uma “fé de proibições” ou uma “religião do medo”, em oposição
à mensagem de “vida nova” trazida por Jesus Cristo.
D. Martin aludiu ao facto de, durante muitos anos, o Cristianismo
privilegiar as negações e restrições, em vez de propor a «libertação do mal», destacada
pelo sepulcro vazio.
«Certas reflexões falavam de libertar as pessoas do pecado,
mas desenvolveram um conceito de pecado e de pecador que tornou impossível ao penitente
sentir-se verdadeiramente libertado», lamentou o arcebispo. «Havia tantas
regras, que deixaram muitos com escrúpulos, presos e oprimidos pela culpa e as
dúvidas», continuou.
Ressurreição, em
latim resurrectio, em grego anastasis significa «levantar; erguer»
Eis aqui, segundo Martin, o segredo da mensagem da
Ressurreição: «Os pecadores falham uma e outra vez, mas a sua luta é a de ser
pessoas que amam, e percebem que a mão do Senhor está sempre presente para os
erguer, de modo que possam colocar-se de pé e manter a cabeça erguida.»
Integridade, verdade,
honestidade, amor
«Como cristãos somos chamados a viver a renovação da vida, uma
vida que se baseia na integridade e na verdade, na honestidade e no amor»,
sugeriu D. Martin.

Comentários
Enviar um comentário