Aquele domingo, 13 de maio de 1917, começou como um dia
normal e tornou-se inesquecível.
Às 6h00 houve missa. Lúcia dos Santos, Francisco e Jacinta
Marto foram com os pais à igreja paroquial de Fátima. Como era tradição,
participaram na Eucaristia em jejum. Em casa comeriam uma tigela de caldo
quente ou de arroz.
Depois da refeição, puseram a tiracolo a bolsa da merenda.
Levavam pão, azeitonas, bacalhau – os irmãos levavam uma sardinha cada –,
queijo e fruta.
Lúcia e os Martos eram primos, porque a mãe de Francisco e
Jacinta era irmã do pai da Lúcia. As suas casas ficam a 170 metros de
distância. Bastaram dois minutos de caminho e já os rebanhos das duas famílias estavam
juntos e caminhavam com rumo incerto, pastando sem parar.
Lúcia disse aos primos:
– Vamos para a Cova da Iria, para os terrenos do meu pai!
E foi ali que, inesperadamente, estando o céu azul e limpo
de nuvens, se ouviu um relâmpago forte. Depois outro. E ainda um terceiro. Lúcia grita para os primos:
– Vejam, é uma Senhora vestida toda de branco, mais
brilhante que o Sol, mais clara e intensa que um copo de cristal cheio de água
cristalina, atravessado pelos raios do Sol mais ardente.
– Sim, vejo – diz Jacinta. – Tem as mãos juntas em oração,
apoiadas no peito. Na mão direita pende um lindo rosário de contas brilhantes
como pérolas, e termina com uma cruzinha prateada.
Francisco também via Nossa Senhora.
Lúcia, em nome dos três, perguntou:
– Vossemecê quem é, e o que quer de nós?
– Sou do Céu.
Os pastorinhos perceberam aquela visita inesperada do Céu
como uma missão, como algo que o Senhor tinha para lhes pedir a eles.
Nossa Senhora pergunta-lhes:
– Quereis oferecer-vos a Deus para O consolar, pois está
muito triste por causa das más ações com que Ele é ofendido, e rezar pela
conversão dos pecadores?
À resposta afirmativa das crianças, Ela acrescentou:
– Rezem o Terço todos os dias para alcançarem a paz para o
mundo e o fim da guerra.
Nesse instante, Nossa Senhora elevou-se serenamente, subindo
em direção ao nascente, até desaparecer no céu.

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