Os jovens em contacto com a vocação: «O meu futuro está nas mãos de Deus. Ele tem a primeira palavra e terá sempre a última»
No decurso da Semana de Oração pelas vocações - de 30 de abril a 7 de maio - foram muitos os jovens que aceitaram o desafio de ter uma
experiência de vida e passaram a Semana.com numa comunidade de vida consagrada
ou seminário. O jornal do Patriarcado de Lisboa Voz da Verdade recolheu o testemunho de três jovens.
Ana Sofia Diogo: «Na Semana de Oração pelas Vocações, passei alguns dias no
Mosteiro das Irmãs Concepcionistas Franciscanas. Foi uma boa experiência, mesmo
não tendo ficado a semana completa ao perceber que não era o meu lugar.
Para mim foi uma descoberta da vida contemplativa, em que no
silêncio habitado por Deus e com Maria, as irmãs levam o Homem até Deus na
oração, rezando por todos os que lhes pedem oração e por toda Igreja e pelo
Mundo inteiro.
Estes dias foram um tempo para o Senhor, em que as paredes
físicas do mosteiro me ajudaram a fazer silêncio para O ouvir. Descobri o valor
da Liturgia das Horas, em que toda a Igreja no mundo permanece em oração sem
cessar ao longo das várias horas do dia.
As Irmãs vivem retiradas do mundo pela clausura do mosteiro,
para estarem mais perto do mundo. Surpreendeu-me que elas saibam melhor as
notícias do que passa no mundo do que eu própria que trabalho cá fora! Sim,
porque as Irmãs também têm muito trabalho dentro do mosteiro (na cozinha,
roupa/ costura, limpezas, quintal/ jardim, fazer terços, produzir hóstias,
acolher as pessoas que as procuram, etc.).
Fiquei a conhecer a vida de Santa Beatriz da Silva, Santa
Portuguesa cuja vida desconhecia e fundadora da Ordem da Imaculada Conceição
que já faz 500 anos! Houve festa no domingo com pessoas da comunidade que
costumam ir à missa e rezar ao mosteiro, por ser o aniversário da chegada aqui
das Irmãs.
Tocou-me o sorriso alegre das Irmãs, o acolhimento e a
hospitalidade (comida deliciosa, atenção e cuidado em tudo para eu me sentir
bem, e os alegres momentos de partilha comigo dos seus tempos de recreio).
Agradeço a Deus por esta oportunidade e às Irmãs
Concepcionistas Franciscanas por me terem acolhido na sua casa.
Diana Silva: «Tenho 18 anos e participei na Semana.com. Na minha paróquia há muito dinamismo e os jovens gostam muito de
lá estar, eu não sendo excepção, passo muito tempo lá e sempre que sei de
alguma atividade relacionada com a Igreja, gosto de participar. À conversa com
um amigo descobri que as “freirinhas” também faziam a “semana.com” e não tendo
muita noção de como era a vida das religiosas consagradas, examinei a lista e
os carismas, pesquisei um pouco e escolhi a Congregação de Nossa Senhora da
Caridade do Bom Pastor, em Algueirão/Mem Martins.
O processo para lá chegar foi
muito rápido, confesso que tomei a decisão muito rápido (de ir), mas depois
fiquei com receio de “ser chamada” e ficar, então adiei um pouco, mas acabei
por ligar para a superiora, a Irmã Fátima, que muito atenciosa e brevemente me
convidou a conhecer a casa, na semana seguinte eu lá fui! À conversa pude logo
perceber que as Irmãs são muito acolhedoras e gostam de ter as pessoas por perto,
ao seu cuidado, e que as escutam realmente, o que me fez perder o receio que
tinha para a Semana.com.
A Semana.com foi muito boa, porque eu percebi que elas
vivem muito do dar-se umas às outras e às outras pessoas, zelam muito pelo bem
dos outros e é isso que as faz felizes. Houve momentos de partilha, de oração,
convívio e eu fartei-me de rir com as Irmãs, claro que também houve momentos de
preocupação, no entanto, foram resolvidos da melhor maneira. Outra coisa que
também percebi é que nada foi superficial, deram-se a si mesmas, mostrando o
seu estilo de vida. Pude interagir com as mulheres acolhidas na instituição
(Casa de Sant’Ana) e também conheci outra realidade, a da Alta de Lisboa onde
estive com as crianças muito animadas e queridas e onde fui igualmente bem
acolhida. Cada dia foi diferente, mas senti-me em casa porque as Irmãs olharam
sempre por mim e punham-me à vontade.
Muito sinceramente, trouxe uma vontade de voltar. Ainda não
sei qual é a minha vocação, mas os laços criados não serão esquecidos e foi uma
grande alegria puder estar.»
Duarte Folque: «Estar na semana.com foi crucial para renovar a minha fé e
refletir a minha vocação. Uma semana em que vivi com os seminaristas do
Seminário Maior dos Olivais, casa de uma grande família, que forma homens no
seu mais pleno sentido. Desta semana guardo dias de discernimento, de alegria e
de algum silêncio.
Foi esta semana para mim uma confirmação na fé, no
discernimento, na esperança e na fidelidade. Senti uma alegria enorme de me
sentir mais crente, verdadeiro filho de Deus e de Ele me querer mais fiel. No
discernimento porque o Senhor nos chama a pensar e rezar a nossa vida, as
nossas aspirações. Isto porque as nossas aspirações têm de ser as de Deus.
Assim a ideia que me acompanhou muito esta semana foi sem dúvida: Mas que
descanso é viver a morrer todos os dias (…) por ir contra o próprio querer (…)
e esquecer o que se queria e querer (…) o que Deus Quer: Queira eu o Deus Quer!
Estar no Seminário foi também perceber que sozinhos não
vamos a lado nenhum e que ali dentro além de uma família, há uma partilha de
sofrimentos e angustias e que todos carregam as cruzes uns dos outros. Este
sentido de amor à comunidade, ao próximo e à Igreja levo como grande exemplo.
Assim explico o sentimento de uma esperança renovada: porque saio repleto de
serenidade: A Igreja tem uma boa geração de futuros servos da vinha do Senhor!
Assim sigo o meu caminho rezando pelas vocações, por todos
os seminaristas de Portugal, pelos que vão ser ordenados este ano e pelos que
como eu estão em discernimento vocacional. Ter a certeza de que o meu futuro
não me diz respeito, se não estiver nas mãos de Deus. Saber que por muito que
ande, estude, queira e ambicione: Deus tem a primeira palavra e terá sempre a
última.
Que todos nós homens de fé consigamos seguir o exemplo de
São José, que ouvindo o Anjo do Senhor cumpriu a Sua Vontade! Com duas
certezas: Deus guarda-nos sempre um caminho e que devemos discerni-lo. Quando
quisermos respostas imediatas temos de ter calma e pedir serenidade: pois o
caminho, esse: faz-se caminhando!»

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