Quando os nossos avós eram pequenos, eles tinham apenas um casaco de frio para o inverno. Apenas um! Naquela época, já era luxo ter um. Exatamente por isso, a criançada cuidava dele como se fosse um tesouro precioso.
Naquela época, bastava a consciência de se ter o mínimo indispensável. E, acima de tudo, as crianças tinham consciência do valor e da importância das suas coisas.
Entretanto, acabámos por nos transformar em pessoas mais sofisticadas. Agora, as crianças tem várias opções e os pais querem que os filhos tenham tudo aquilo que desejarem, ou, caso seja possível, muito mais.
E quando o “muito” se transforma em “demais”?
As crianças de hoje estão expostas a um fluxo constante de informações que não são capazes de processar.
Elas são forçadas ao crescimento rápido, já que os adultos depositam muitas expectativas nelas, forçando-as a assumir papéis que realmente não condizem com a realidade infantil. Assim, o cérebro imaturo das crianças é incapaz de acompanhar o ritmo imposto pela nova educação, por conseguinte, um grande stress ocorre, com as óbvias consequências negativas.
Os quatro excessos
Os pais querem dar o melhor aos filhos. E pensam que, se o pouco é bom, o mais só pode ser melhor.
Por um lado, implementam um modelo de paternidade superprotetora, forçando os filhos a participar de uma infinidade de atividades que, em teoria, os ajudariam a preparar-se para a vida.
Mas, como se isso parece não ser suficiente, enche-se os quartos com livros, dispositivos tecnológicos e brinquedos.
Estima-se que as crianças ocidentais possuam, em média, 150 brinquedos. É demais, e quando é excessivo, as crianças ficam sobrecarregadas. Como resultado, elas brincam superficialmente, facilmente perdendo o interesse imediatista nos brinquedos e no ambiente, elas não são estimuladas a desenvolver a imaginação.
Kim Payne, professor e conselheiro norte-americano, identificou quatro pilares do excesso que forma a educação atual das crianças:
1 – Excesso de coisas
2 – Excesso de opções
3 – Excesso de informações
4 – Excesso de rapidez
Quando as crianças estão sobrecarregadas, elas não têm tempo para explorar, refletir e liberar tensões diárias. Muitas opções acabam corroendo a sua liberdade e roubam as chances de se cansarem, o que é elemento essencial no estímulo à criatividade e à aprendizagem pela descoberta.
Gradualmente, a sociedade foi corroendo as qualidades que tornam o período da infância algo mágico, tanto que alguns psicólogos se referem a esse fenómeno como a “guerra contra a infância”. Basta pensar que, nas últimas duas décadas, as crianças perderam uma média de 12 horas por semana de tempo livre. Mesmo as escolas e jardins de infância assumiram uma orientação mais académica.
Um estudo realizado na Universidade do Texas revelou que quando as crianças brincam com desportos bem estruturados, elas se tornam adultos menos criativos, em comparação com os jovens que tiveram mais tempo livre para criar as suas próprias brincadeiras.
8 passos para simplificar a infância
A melhor maneira de proteger a infância das crianças é deixar que as crianças sejam crianças, apenas isso. A melhor maneira de proteger o equilíbrio mental e emocional é educar as crianças na simplicidade. Para isso, é necessário:
8 passos para simplificar a infância
A melhor maneira de proteger a infância das crianças é deixar que as crianças sejam crianças, apenas isso. A melhor maneira de proteger o equilíbrio mental e emocional é educar as crianças na simplicidade. Para isso, é necessário:
1 – Não as encher de atividades extracurriculares, que, a longo prazo, não vão ajudá-las em nada.
2 – Deixar-lhes tempo livre para brincar, de preferência com outras crianças, ou com jogos que estimulem a criatividade, jogos não estruturados.
3 – Passar um tempo de qualidade com elas é o melhor presente que os pais podem dar.
4 – Criar um espaço tranquilo nas suas vidas onde elas podem refugiar-se do caos e aliviar o stress diário.
5 – Garantir tempo suficiente de sono e descanso.
6 – Reduzir a quantidade de informações, certificando-se de que esta seja sempre compreensível e adequada à sua idade, o que envolve um uso mais racional da tecnologia.
7 – Simplificar o ambiente, apostando em menos brinquedos e certificando-se de que estes realmente estimulem a fantasia da criança.
8 – Reduzir as expectativas sobre o desempenho, deixe que elas sejam simplesmente crianças.
E lembrar-se sempre que as crianças têm uma vida inteira pela frente até se tornarem adultos. E, então, permitir que, entretanto, elas vivam plenamente a infância.
Jennifer Delgado Suárez, psicóloga, www.rinconpsicologia.com traduzido e adaptado pela Revista Pazes.

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