Artigo do L’Osservtore Romano diz que o “principal obstáculo” para Papa Francisco são os bispos e padres


Na esteira do polémico artigo publicado em La Civiltà Cattolica, que afirmava que há um “ecumenismo de ódio” entre evangélicos e católicos conservadores nos EUA (ler: Fundamentalismo evangélico e integralismo católico: um "ecumenismo do ódio")

um outro texto na edição de fim de semana do L’Osservatore Romano, jornal do Vaticano (ler: Hábito não é fidelidade. Buscando entender a atitude de fechamento e hostilidade de muitos padres. Artigo de Giulio Cirignano) afirma que o “principal obstáculo para a implementação da visão que Francisco tem de Igreja é “um fechamento, se não que uma hostilidade” de “boa parte do clero, nos níveis altos e baixos”.

O termo “altos e baixos” sugere que o autor tinha em mente o clero que vai desde importantes bispos aos párocos comuns.

“O clero está retendo o povo, que, em vez disso, deveria estar sendo acompanhado neste momento extraordinário”, lê-se no artigo do padre italiano Giulio Cirignano, natural de Florença e biblista da Faculdade Teológica da Itália Central.

Cirignano expôs vários fatores para explicar o que considera um “fechamento” e uma “hostilidade” do clero para com o Papa Francisco.

• “O nível cultural modesto por parte do clero, tanto em níveis altos como baixos”, escreveu, acrescentando que a preparação, seja teológica, seja bíblica, é frequentemente “escassa”.

• Uma imagem antiquada do sacerdócio, que, segundo o autor, vê o padre como “o chefe e patrão da comunidade”, quem, por sua condição celibatária, é compensado com uma “responsabilidade totalmente individual”, uma espécie de “protagonista solitário”.

• Uma velha teologia, associada à Contrarreforma, “carente dos recursos da Palavra, sem alma, que transformou a aventura apaixonada e misteriosa de crer dentro da religião”, argumentando que “o Deus da religião (…) é, na maior parte, uma projeção do homem”, enquanto a “fé” não é, em primeiro lugar, “o homem estendendo a mão para Deus, mas o contrário”.

“Quando o sacerdote é demasiado marcado por uma mentalidade religiosa, e muito pouco por uma fé límpida, então tudo fica mais complicado”, escreveu Cirignano. “Ele corre o risco de permanecer sendo a vítima de muitas coisas inventadas pelo homem sobre Deus e sua vontade”.

Segundo Cirignano, Deus “não tolera estar encerrado em esquemas rígidos típicos da mente humana”.

Diferentemente, diz ele, “Deus é amor, e isso é tudo, o amor como presente de si mesmo. Desse modo, [Deus] corrige as inúmeras complicações que estamos acostumados a pôr no caminho do amor”.

Cirignano é autor de vários livros em italiano. Entre eles, citamos “Francisco: Beleza e coragem”, publicado em 2015.

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