Na busca da identidade na adolescência, as dúvidas espirituais fazem parte deste “pacote”.
Da mesma forma que os adolescentes mudam o estilo de vestuário, de amigos, de ideias e de opinião, eles também questionam a religião.
É comum ver os adolescentes a questionar as crenças espirituais da família e a acusar a Igreja de ser formada por um "bando de hipócritas".
Por outro lado, podemos observar alguns que se tornam cada vez mais comprometidos e envolvidos com a sua fé.
Seja qual for o caso, é importante lembrar que este processo é natural nesta etapa da vida.
Dúvida espiritual não é o mesmo que descrença
As convicções religiosas costumam mudar quando a criança entra na adolescência, porque o pensamento dela se torna mais abstrato, possibilitando que ela discorde de questões que antes eram uma realidade absoluta para ela. Na realidade, a dúvida vem quase sempre acompanhada de ansiedade ou depressão e pode se tornar muito perturbadora para alguns.
As causas da dúvida espiritual são difíceis de serem identificadas, contudo existem fatores que contribuem para ela:
- O próprio crescimento: o amadurecimento espiritual não segue uma linha reta. Ele ocorre num processo cíclico composto de certezas, questionamentos e, finalmente, descobertas. Ainda assim, ao encontrar uma verdade é comum que cada adolescente, em algum momento, duvide da mesma. Alguns psicólogos, psiquiatras e teólogos inclusive entendem a dúvida como um auxiliar da fé e não como algo que se opõe a ela. Não se alcançará a fé fugindo das perguntas, e sim lidando com a dúvida.
- Piaget dizia que existem duas formas de processar a informação: 1. Assimilação: o indivíduo procura unir uma nova informação às convicções já existentes; 2. Acomodação: ocorre quando as novas informações forçam uma mudança de pensamento a respeito de alguma coisa. Um exemplo disso são as dúvidas sobre Deus. Quando a nova informação não combina com as concepções anteriores do sujeito, podem ser geradas dúvidas espirituais.
- Falta de exemplos: o adolescente necessita de modelos de espiritualidade vibrante em que possa confiar e que respeitar. Necessita ver claramente a fé ser praticada por colegas e por adultos.
- Idealismo: uma das caraterísticas da etapa da adolescência é o idealismo, e são frequentes as desilusões e decepções com a Igreja. Inclusive, as dificuldades de lidar com suas tentações também aumentam ainda mais a desilusão.
- Experiências desagradáveis na Igreja: o adolescente é mais emotivo que racional. Lembra com mais facilidade os sentimentos do que os factos. Se não tiver sentimentos positivos na Igreja, o adolescente poderá experimentar dúvidas espirituais.
Como ajudar os adolescentes a enfrentar esse conflito?
- É necessário que as pessoas que lidam com os adolescentes tenham uma experiência espiritual vigorosa e que transmitam satisfação espiritual. Isso irá revigorá-los e impactá-los.
- Entender e possibilitar uma busca sincera: a atitude mais destrutiva que os líderes espirituais e os próprios pais podem ter para com um púbere que está a passar por um período desses é tentar silenciar-lhes as dúvidas e incentivar a que ele as reprima. As dúvidas reprimidas tendem a ressurgir, enquanto as que se aprofundam tendem a favorecer o crescimento espiritual.
- Evitar respostas prontas: evitar esse habito assim como indicar livros que façam o trabalho por nós. O ideal é oferecer-se para encontrar juntos as respostas, inclusive servido-se dos livros, sobretudo da Bíblia.
- Concentrar-se no relacionamento: incentive-o a entrar num grupo de jovens da Igreja. O adolescente não procura só respostas, mas relacionamentos na caminhada com e para a verdade.
- Promover nos grupos e nos cultos familiares momentos de reflexão onde os adolescentes podem expor as suas dúvidas e ajudá-los a entender melhor o que lhes está a causar dúvidas.
Samira Oliveira, Psicopedagoga, Cantinho da Unidade
Ler também

Comentários
Enviar um comentário