Erros que os pais cometem e afastam os filhos adolescentes


Não entender que os filhos cresceram
Na infância, as crianças são muito ligadas aos pais. Na adolescência, porém, os filhos querem testar a sua independência e autonomia (sem que isso signifique que gostam menos ou já não gostam dos pais).

Desvalorizar a curiosidade e as descobertas
Há pais que, atendendo a que já passaram pelas mesmas etapas dos filhos, se tornam super protecionistas e dizem o que fazer ou não fazer; outros menosprezam o caminho que os filhos estão a percorrer.

Não saber como mostrar que têm o controlo da situação
Os adolescentes idealizam-se como crescidos, adultos, e consideram-se maduros. Por isso, não só não gostam de dar satisfações do que fazem, como também creem ter já soluções para os problemas do mundo.
Os adolescentes normais: querem ser independentes; questionam as regras e a autoridade; põem à prova todos os limites; por vezes, esquecem-se das coisas; têm dias bons e dias maus; levam os pais à “loucura”.
Todavia, os pais não podem demitir-se de ser as melhores figuras de autoridade, que merecem respeito: que não ralham a gritar com a pessoa, mas com foco no erro; que não têm medo de ver os filhos assumir riscos, pois são riscos calculados e estão por perto; que não sofrem por ver que os êxitos dos filhos podem ser superiores às suas conquistas, por exemplo. 
Regra geral, quando os adolescentes são tratados com respeito, retribuem do mesmo modo.

Exagerar no controlo e nas expectativas
Os pais querem que os filhos tenham um futuro bom, estudem, andem com boas companhias, sejam responsáveis, não se envolvam com drogas... Quando isso é feito sob pressão, esgota os filhos e os pais; porém, se for vivido com carinho, interesse, diálogos, momentos descontraídos, cria paixão.

Não conceder liberdade
Os pais têm dificuldade em saber qual é o momento certo de permitir aos filhos que saiam com os amigos, à noite, para um fim de semana, para umas férias.
O ideal será conhecer os pais dos amigos; trocar informações acerca dos lugares que serão frequentados; combinar horários e atitudes pessoais a que se comprometerão, por exemplo. É importante ter em conta a idade e a maturidade dos filhos e dos amigos.

Demonstrar falta de confiança
Uma coisa é certificar-se de que os filhos estão em segurança e tranquilos, outra coisa é vigiá-los. De acordo com a psicoterapeuta Cecília Zylberstajn, «Investigar exageradamente não estimula a responsabilidade, mas gera um clima de desconfiança. As relações íntimas são baseadas na confiança.»

Fazer de médico ou de juiz nas crises
Ter reações desmedidas (querer cortar o mal pela raíz ou condenar) estimula os filhos a mentir ou omitir.
Os pais devem hierarquizar os problemas segundo a sua gravidade, e isso faz-se conversando com calma, para entender as razões que estiveram por detrás das escolhas erradas. Então será possível explicar as consequências e apontar estratégias para chegar às soluções. 

Envergonhar os filhos
Há pormenores da vida, da fisionomia, do carácter dos filhos que são íntimos e que os pais hão de ter o cuidado de não divulgar publicamente.
No grupo de amigos dos filhos, pai e mãe não são membros naturais. Terão momentos para ser simpáticos e divertidos com aqueles, mas sempre sem esquecer que há algo a separar as duas realidades.

Santificar os filhos e diabolizar os outros
É comum os pais apontarem defeitos a todos os amigos e, principalmente, aos/às namorados/as.
Como consequência, os filhos perdem a vontade de apresentar as pessoas com quem convivem e preferem ficar mais na rua do que dentro de casa.

Castigar e fazer chantagens
Os pais devem explicar as razões que os levam a proibir determinados comportamentos, para que não sejam simples castigos ou ameaças, em cujo contexto os filhos obedecerão para não perder benefícios.

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