Como matar ou avivar a autoestima dos membros da comunidade cristã: catequistas, acólitos, etc.?


Uma catequista deu o seu testemunho durante a palestra. O tema era a provação da fé. Ela relatou que começou a participar no coro, mas nunca era escolhida para cantar. E, por isso, ficou desmotivada. Então, saiu do coro.
Um dia, porém, alguém, na Igreja, ouviu-a cantar e elogiou a sua voz. Ela, tão surpreendida, olhou para pessoa e quis saber: «Acha mesmo? A minha voz é bonita?» 
E voltou para o coro. Encontrou pessoas que a valorizaram. E voltou a cantar.

Outra catequista, já antiga no grupo, foi sendo deixada de lado nas atividades da equipa. Começou a ser dispensada dos trabalhos como se não fosse capaz de, junto com os outros, preparar uma palestra, um encontro, uma dinâmica. Ela, então, afastou-se da catequese.
Vendo-a, e olhando bem nos seus olhos, disse-lhe: «O importante é o que Deus sabe a seu respeito. O que você sabe sobre você mesma. Não o que os outros sabem, porque, na verdade, eles não sabem nada. Volte.»

Estas histórias poderiam ser de qualquer um de nós. Se não passámos por uma situação assim, conhecemos alguém que já o viveu.

Então, é preciso conversar.

Na Igreja, há muita gente a querer decidir sobre os outros, se têm ou não um determinado dom ou vocação; se são bons ou não como catequistas, leitores ou acólitos; se são capazes ou não de desenvolver um trabalho na Igreja.

E o pior disso tudo é quando essas pessoas julgam a partir das aparências, e não das reais capacidades de cada um. 

A opinião de alguém é importante, mas mais importante é o modo como ela entusiasma ou esmorece um irmão na fé e na pastoral - ou até um não crente ou não praticante.

Quando um cristão descobre no outro uma dificuldade ou fragilidade, e se tiver razão nesta avaliação, o melhor é conversar com a pessoa, ajudá-la a descobrir e a colocar em prática os seus dons e ajudar a desenvolver as capacidade menos hábeis. 

Então, em vez de descartar alguém, afetando a sua autoestima e contribuindo para o seu afastamento da Igreja, é preciso reconhecer o dom e os talentos de cada pessoa, e valorizá-la, seja pessoalmente, seja por toda a equipa, incentivar, treinar, ajudar a perder o medo de falar ou de atuar em público, e, sobretudo, dizer-lhe: «Você é uma pessoa escolhida por Deus para anunciar o Evangelho. Não deixe que ninguém diga que não é capaz. É Deus quem capacita. Acredite Nele, confie em si, procure melhorar sempre e desenvolver os seus dons, e pense que se você se afasta, talvez apenas você encontre algum tipo de felicidade, mas se dedicar a sua vida e talentos aos outros, fará muita gente feliz, mais do que possa imaginar.»

«Deus sabe quem somos, as outras pessoas imaginam.»

Adaptado de Cris Menezes,

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