«Pessoas iluminadas são iluminadoras», uma meditação na festa da Transfiguração de Jesus


Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus (Mt  17, 1-9): 
«Naquele tempo, Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João seu irmão e levou-os, em particular, a um alto monte e transfigurou-Se diante deles: o seu rosto ficou resplandecente como o sol e as suas vestes tornaram-se brancas como a luz.»

Os místicos e a experiência da luz
Ao relatar as suas experiências espirituais, muitos místicos fazem referência a uma luz que ilumina com força o seu interior. Essa luz é Deus, porque “Deus é luz” e que o mesmo Jesus se definiu como a “Luz do mundo”.

A luz que recebemos ao ser concebidos para a  vida e para a Igreja
Todas as pessoas que fazem a experiência de encontro com “Jesus, a Luz que ilumina quantos vêm a este mundo" (Evangelho segundo S. João 1, 9), fazem uma viagem ao seu interior e ativam a “faísca da luz divina” aí presente: é a faísca de vida divina recebida na concepção (de facto, a fecundação, para os cristãos, é obra da mãe, do pai e de Deus), depois assumida no Batismo, confirmada no Crisma, e alimentada em cada momento de oração, onde, habitualmente, as velas acesas lembram a presença de Jesus.

A Luz faz refletir
Na medida em que nos deixamos habitar por essa Luz, vamo-nos aproximando cada vez mais dela, para vivermos com a ajuda da sua intensidade e, assim, refletir o ser e o agir de Deus nos nossos rostos e nas nossas atitudes.

Pessoas iluminadas são iluminadoras
As pessoas que vivem iluminadas pela Luz que é Deus são pessoas de presenças originais e iluminadoras no seu meio. Somos assim?

“Vós sois a luz do mundo”
A transfiguração de Jesus não fez dele um “iluminado”, mas é a revelação a todas as pessoas que transfigurar-se é iluminar, é projetar, expandir a sua luz, para realizar o chamamento único de Jesus: “Vós sois a luz do mundo”.

A Transfiguração é festa da luz
Jesus é a Luz e no encontro com a Sua Luz posso ativar a luz presente no meu interior.

Para transitar na noite de meu tempo preciso buscar na Transfiguração a Luz que ilumine e me indique a direção e o sentido de minha existência e da sociedade deste tempo.

A “noite de meu mundo”- carregada de tanta corrupção, violência, preconceito - pede pessoas marcadas pela experiência da Transfiguração, capazes de ver a presença d’Aquele que é a Luz no meio das realidades simples e quotidianas, no profundo do coração de cada ser humano, de cada realidade vivente, de cada palmo de minha terra, no mistério insondável do universo grávido de graça, dando-lhes dignidade, alegria, encanto, vida em plenitude.

Preciso de cultivar não só olhos (de jornalista, vizinho, curioso) que vejam a realidade, mas também olhos de fé, esperança e amor que sejam capazes de contemplar, no meio da noite, a presença da Luz divina.

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