Isso mesmo: o sexo é chamado a ser uma ação sagrada.
Pode soar estranhíssimo para muita gente, mas, os cônjuges, ao fazer amor dentro do matrimónio, com paternidade responsável, isto é, estando abertos à graça da vida ou no conhecimento dos tempos em que a mulher não está em período fértil, estão a fazer oração.
Isso é simples de entender. A oração é uma atitude de união com Deus, não consiste numa repetição de palavras. Todas as nossas atividades, quando conscientemente oferecidas a Deus, são oração. Inclusive a união sexual.
São João Paulo II, na sua fascinante catequese sobre a Teologia do Corpo, fala da maravilhosa capacidade humana de experimentar, por meio da corporeidade, o atributo nupcial da expressão do amor. Nesse amor, cada cônjuge torna-se um presente, um dom para o outro, e um dom completo, voluntário, consciente, que Deus torna fecundo em frutos magníficos como a realização pessoal, a realização mútua, a visão de sentido para a própria vida, a abertura para a nova vida nos filhos que vierem!
É algo único da pessoa humana: entregar-se conscientemente uma à outra como oferta de amor!
Nesse contexto, fazer amor é fazer oração porque é um ato de entrega mútua em que se participa do Amor divino e inclusive da divina criação.
A união sexual no matrimónio é um ato de união a Deus porque, por meio dela, Ele nos torna partícipes do Seu Amor.
Qualquer outro ato sexual sem entrega mútua não pode ser descrito como “fazer amor”. O ato sexual fora desse contexto não apenas não nos une a Deus como, pelo contrário, nos afasta da participação na plenitude do Seu Amor.
Adaptado do texto original de Luz Ivonne Ream, em Aleteia.org
10 citações de Teologia do Corpo, de S. João Paulo II
Teologia do Corpo é uma coletânea de 129 discursos que São João Paulo II fez nas suas audiências das quartas-feiras de 1979 a 1984. É um tesouro de profundidade teológica sobre o significado de ser homem e mulher em relação um com o outro e em relação com Deus.
1. Os homens e as mulheres são criados à imagem de Deus
“O ser humano, a quem Deus criou ‘homem e mulher’, carrega a imagem divina impressa no seu corpo “desde o princípio”; homem e mulher constituem duas formas diferentes do humano ‘ser corpo’ na unidade daquela imagem” (2 de janeiro de 1980).
2. O homem e a mulher são feitos um para o outro
“Sozinho, o homem não realiza totalmente esta essência [de ser pessoa]. Ele só a realiza existindo ‘com alguém’ – e ainda mais profunda e completamente: existindo ‘para alguém’… Comunhão das pessoas significa existir num recíproco ‘para’, numa relação de recíproco dom” (9 de janeiro de 1980).
3. O nosso corpo nos permite tornar-nos um dom para os outros no amor
“O corpo humano (…) encerra ‘desde o princípio’ (…) a capacidade de exprimir o amor: aquele amor em que o homem-pessoa se torna dom e, mediante esse dom, realiza o próprio sentido do seu ser e existir” (16 de janeiro de 1980).
4. O corpo revela o mistério do amor de Deus pelos seres humanos
“O corpo, e só ele, é capaz de tornar visível o que é invisível: o espiritual e o divino. Ele foi criado para transferir para a realidade visível do mundo o mistério escondido desde a eternidade em Deus [o amor de Deus pelo homem] e, assim, ser seu sinal” (20 de fevereiro de 1980).
5. O casamento é a mais antiga revelação do plano de Deus
“O casamento [é] a mais antiga revelação (e ‘manifestação’) do plano [de Deus] no mundo criado, com a revelação e ‘manifestação’ definitiva, a revelação de que ‘Cristo amou a Igreja e se entregou por ela’ (Ef 5, 25), conferindo ao seu amor redentor um caráter e um sentido esponsal” (8 de setembro de 1982).
6. O casamento é a união numa só carne
“O casamento [é] o sacramento em que o homem e a mulher, chamados a se tornar ‘uma só carne’, participam do amor criador de Deus mesmo. E participam tanto pelo fato de, criados à imagem de Deus, terem sido chamados em virtude desta imagem a uma união particular (‘comunhão de pessoas’), quanto porque esta mesma união foi desde o princípio abençoada com a bênção da fecundidade” (15 de dezembro de 1982).
7. Os maridos são chamados a amar suas esposas como Cristo ama, e as mulheres a submeterem-se porque amam a Cristo
“O marido é especialmente aquele que ama e a esposa é aquela que é amada. Pode-se até arriscar a ideia de que a ‘submissão’ da esposa ao marido, entendida no contexto de toda a passagem da carta aos Efésios (Ef 5, 22-23), signifique acima de tudo ‘experimentar o amor’. Tanto mais que esta ‘submissão’ se refere à imagem da submissão da Igreja a Cristo, que, certamente, consiste em experimentar o seu amor” (1º de setembro de 1982).
8. A vocação ao matrimônio exige a compreensão da Teologia do Corpo
“Aqueles que procuram o cumprimento da sua vocação humana e cristã no casamento, em primeiro lugar, são chamados a fazer dessa ‘teologia do corpo’, cujo ‘princípio’ está nos primeiros capítulos do livro do Génesis, o conteúdo da sua vida e do seu comportamento. O indispensável, no caminho desta vocação, é a consciência profunda do significado do corpo, na sua masculinidade e feminilidade! Como é necessária uma consciência precisa do significado esponsal do corpo, do seu significado gerador!” (2 de abril de 1980).
9. A sexualidade humana é um dom de si no casamento e é procriativa
“Porque ao mesmo tempo ‘o ato conjugal une profundamente os esposos (…) e os torna capazes de gerar novas vidas’, e ambas as coisas acontecem ‘por causa da sua estrutura íntima’, segue-se que a pessoa humana (com a necessidade própria da razão, a necessidade lógica) ‘deve’ ler contemporaneamente os ‘dois significados do ato conjugal’ e a ‘conexão inseparável entre os dois significados do ato conjugal’. Trata-se de ler na verdade a ‘linguagem do corpo’” (11 de julho de 1984).
10. Cristo é o modelo para o matrimónio cristão
“Cristo manifesta o amor com que a amou [a Igreja] dando-se por ela. Aquele amor é a imagem e, acima de tudo, o modelo do amor que o marido deve manifestar à esposa no matrimónio, quando ambos estão submetidos um ao outro ‘no temor de Cristo’” (25 de agosto de 1982).

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