Tendo lido esta chamada de atenção para os inúmeros sacerdotes que enfrentam a depressão, serias capaz de rezar por eles?


«O padre que tem depressão não significa que deixou de rezar, mas sim, que não conseguiu aliviar o peso que carrega e se cansou.

Nós padres temos medo de dizer o que sentimos e aquilo por que passamos, pois somos vistos como máquinas de solução de problemas. 

Em tantas noites, choramos às escondidas, porque não nos podem ver chorar.

Em tantos dias que a cama nos quer o dia todo, levantamo-nos, pois temos muitos a cuidar. 

O "sistema" tirou-nos o direito de sermos frágeis, somos obrigados a sorrir sempre, pois um rosto triste frusta aqueles que nos veem como esponjas de tirar sofrimento, como médico que nunca pode adoecer. 

O desafio é caminhar rumo à perfeição, educar a humanidade, mas poderia ser mais fácil se tivéssemos o direito de assumir a nossa dor, a nossa tristeza, as nossas angústias... 

Quando muitos descansam, passamos noites em claro pesando nas soluções, nos remédios que temos a oferecer. 

Enfim, também sofremos, também nos decepcionamos, também nos sentimos abandonados. 

Exigem que sejamos bons administradores, oradores eloquentes, construtores de catedrais, mas na verdade só queremos ser servos de Deus com os pequenos dons que ele nos deu. Não queremos ser locutores de espetáculos para alegrar o público dominical, não queremos ser animadores de terapia de autoajuda, queremos só partilhar a simples, ricas e belas palavras do Evangelho. 

Um médico também adoece.»

Padre Fábio de Melo, no seu Instagram

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