Faleceu D. António Francisco, bispo do Porto. A Fraternitas Movimento chora a sua morte, e celebra a sua vida
Quando morre um cristão, a Igreja chora a sua morte, mas também celebra a sua vida.
A morte repentina de D. António Francisco dos Santos deixa-nos condoídos. Mas também é ocasião para memorar, perpetuar o exemplo da sua vida.
A Fraternitas Movimento, em particular, recorda o seu encontro com os Presbíteros que casaram, na Casa de Vilar
(Porto), em 27 de fevereiro de 2016.
Esteve connosco da parte da tarde. Falou da sua vocação e do seu percurso eclesial,
em linhas muito rápidas. Depois, desenvolveu as suas linhas de orientação pastoral:
Queria uma proximidade fraterna com todos. Começou por visitar, para conhecer, os padres
mais idosos, doentes. Quando fazia a visita pastoral, não esquecia os padres
dispensados, nem as suas famílias. Procurava contactá-los, saber de dificuldades.
Acompanhava com interesse alguns padres que estavam com processo
de dispensa das obrigações sacerdotais.
Aceitou o convite para estar II Encontro de Presbíteros que casaram da região norte de Portugal. Foi uma ocasião de partilhar preocupações
pastorais. Sublinhou que o trabalho feito por estes presbíteros foi válido. A
igreja está-lhes reconhecida.
Um dos presentes quis saber mais. Questionou D. António sobre como via a situação destes presbíteros e o seu aproveitamento no serviço
da Igreja.
Ele foi claro. Respondeu de forma tradicional. Quem
pediu a dispensa do ministério aceitou a suspensão de todas as atividades pastorais
características do ministério sacerdotal...
O nosso bispo mostrou-se um homem presente, próximo. Inteligente, fácil na palavra e profundo. Cultivava a amizade. Muito atento, nada
lhe escapava. Homem simples, chegava de forma discreta, sem secretário e assim
partia.
Via alguns problemas — a falta de padres, a idade avançada
deles, a diminuição da frequência religiosa, a hiperatividade dos padres, a
quantidade de missas, a falta de formação dos cristãos... —, mas não tomava uma
atitude de solução, uma possível resposta. Tinha uma intervenção discreta.
Todavia, a sua visão e ação pastoral tinham uma perspectiva muito coincidente com a do Papa Francisco: centrada na misericórdia, na atenção a cada pessoa, na proximidade quotidiana com todos – clero, fiéis, não-crentes, na dedicação aos mais pobres e a quem mais sofria.
Na sua primeira homilia como bispo do Porto, em 2014, disse: «Os pobres não podem esperar.» Na última, em Fátima, na peregrinação da diocese, defendeu a construção de uma «Igreja bela, como uma casa de família».

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