A oração a Jesus Ressuscitado da cristã paquistanesa que vive há 3000 dias em cativeiro, condenada à morte

A católica Asia Bibi, do Paquistão, casada e mãe de 5 filhos, foi presa em junho de 2009. Acusaram-na de «ter blasfemado contra o Islão». Um ano depois, a mulher foi condenada à morte pela acusação de blasfémia. Desde 2013, após duas transferências de presídio, ocupa uma das três celas sem janelas do corredor da morte de Multan, no Punjab.

Naquele mês de junho de 2009, quando trabalhava no campo, mandaram-na buscar água. Como ela também bebeu, acusaram-na de contaminar o recipiente por não ser muçulmana. E exigiram que se convertesse ao Islão, o que ela recusou.

Carta enviada da cela
Logo após a sua condenação e prisão, ela escreveu uma carta:
Estes são os últimos dias da minha vida, talvez as últimas horas. Foi o que me disse a corte que me condenou à morte.

Estou com medo, medo pela minha própria vida e pela vida dos meus filhos e do meu marido. Toda a minha família foi condenada por minha causa.

O meu nome é Asia Noreen Bibi. Como dizem por aqui, eu não sou ninguém. Uma simples mulher do campo, de Ittanwali - uma pequena aldeia em Pujab, província da região central do Paquistão.

Não matei nem roubei ninguém, mas aos olhos do governo do meu país eu fiz algo muito pior. Eu blasfemei. Eu sou uma cristã e acredito no meu Deus. Todos deveriam ser livres para escolher em que acreditar.

Eu choro sozinha. Com a cabeça entre as mãos, eu choro. Eu não consigo mais rever aquelas pessoas cheias de ódio a aplaudirem a morte de uma pobre mulher do campo. Não as vejo, mas ainda as ouço, aquela multidão que gritava de pé no julgamento: "Mate-a, Mate-a! Alluha Akbar!"

No final, eu fui atirada, como um lixo velho, para dentro da carrinha da polícia.

Aos olhos deles, eu já tinha perdido minha humanidade. 

Eu amo a minha família.
Meu querido Ashiq, meus queridos filhos, vocês estão a lidar com uma grande provação. Eu não sei se eles vão me enforcar, mas não se preocupem. Meus amados, eu verei a minha execução sem medo. Porque eu vou estar com o Senhor.
Meu querido marido, continua a educar as nossas crianças, assim como faríamos juntos... 
Eu vos amarei eternamente.

Três mil dias passaram e uma oração é constante
As únicas novidades que a família e o mundo vão tendo de Asia Bibi são as transmitidas pelo seu advogado, o muçulmano Saif ul Maluk. O Supremo Tribunal do Paquistão parece ter-se esquecido do caso. Não há decisão definitiva entre a sentença de morte e a libertação.

Ao longo desses mais de 3000 dias, porém, Asia Bibi não parou de rezar nem de pedir orações.

A mulher cristã que se tornou um ícone para todos os que lutam no Paquistão e no mundo contra a violência em nome da religião compôs no ano passado uma oração por ocasião da Páscoa. Esta prece acompanha-a no seu cativeiro:

Senhor Ressuscitado,
permite que a tua filha Asia ressuscite Contigo.

Rompe as minhas correntes, 
liberta o meu coração para além destas barras
e acompanha a minha alma, 
para estar perto das pessoas que eu amo e sempre perto de Ti.

Não me abandones no dia do tormento,
não me prives da tua presença. 
Tu, que sofreste a tortura e a cruz, alivia o meu sofrimento. Sustenta-me perto de ti, Senhor Jesus.

No dia da tua ressurreição, Jesus, quero orar pelos meus inimigos, por aqueles que me feriram.
Rezo por eles e te peço que os perdoes pelo mal que me fizeram.

Peço-te, Senhor, que retires todas as barreiras,
para que eu alcance a bênção da liberdade. 
Peço-Te proteção para mim e para a minha família.

Corrente de oração
Já se vão mais de oito anos de sofrimento, angústia e esperanças quase sufocadas, mas os cristãos mantenhamos a nossa oração acesa e os nossos atos de apoio vivos.

Rezemos por Asia Bibi e por todos os que são perseguidos por causa da fé.

E façamos um apelo às autoridades. Assinemos a Petição Pública pela Liberdade de Asia Bibi

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