«A Igreja do papa Francisco», comunicado da Associação Fraternitas Movimento no seguimento da ação de atualização teológica


«A IGREJA DO PAPA FRANCISCO – Andamento, linhas e armadilhas». Subordinado a este título, o Movimento Fraternitas (constituído por padres casados e suas respetivas famílias) realizou, em 21 e 22 de outubro, um encontro de formação, ocorrido na casa dos Redentoristas, em Gaia.

Os trabalhos foram pontuados por intervenções de um teólogo, cujos contributos facultaram uma visão sistematizada da eclesiologia que tem norteado as linhas programáticas do magistério do Papa Francisco. 

Nos debates que se seguiram, os participantes consideraram que deveriam fazer repercutir muito mais nas suas atitudes pessoais o modo de ser Igreja proposto em tais linhas programáticas, reconhecendo ser premente a sua maior mobilização, no sentido de se entusiasmarem com aquilo que entusiasma o Papa Francisco. Alguns deram conta do que se passa nos meios em que vivem, testemunhando que há comunidades cristãs em Portugal, com iniciativas muito auspiciosas de abertura aos desafios do papa, ao assumirem compromissos inovadores, em ordem à edificação de uma «Igreja em saída».

Os dados dessa reflexão deram também aos presentes uma ocasião para analisar o modo como está a ser vivido entre nós o dinamismo eclesial do nosso papa. Apesar de considerarem que não há em Portugal grupos organizados que, de forma ostensiva, o contestem abertamente, concluíram que está a verificar-se, de maneira cada vez menos dissimulada, uma passiva resistência às suas orientações doutrinárias e pastorais. Não se vê em muitos sectores da Igreja, designadamente entre o clero, o entusiasmo que se esperaria, no sentido de se assumirem práticas pastorais consonantes com o esforço renovador do nosso papa.

Em virtude disso, os seus documentos programáticos, mormente Laudato Si’, O Evangelho da Alegria, A Alegria do Amor, destinados a levar à prática novas atitudes de testemunho cristão, caem rapidamente no esquecimento ou têm uma divulgação pouco visível e duradoura. 

Pese embora haver claras excepções, que se devem assinalar, muitas publicações da Igreja estão a dar um lugar quase irrelevante às luminosas catequeses papais, contidas nas muitas e diversificadas intervenções, nomeadamente nas homilias proferidas em Santa Marta. Uma tal atitude contrasta com o caloroso acolhimento e entusiasmo que este papa está a suscitar entre aqueles que se afastaram da Igreja, ou de quem a Igreja se afastou.

A esse propósito, os participantes no encontro mostraram a sua preocupação frente ao silêncio até agora mantido, diante dos ataques públicos de que está a ser alvo o papa, numa cruzada que tem vindo a avolumar-se nos últimos tempos, de forma progressiva e, aparentemente, orquestrada. Torna-se estranho que os órgãos hierárquicos da Igreja não tenham ainda manifestado uma palavra pública de solidariedade com o papa, face às acusações de heresia de que está a ser alvo. 

O Movimento Fraternitas desejaria muito que essa palavra fosse dada, designadamente pela Conferência Episcopal, pois, numa altura em que se avolumam ataques tão ruidosos ao Papa Francisco, este silêncio está a lançar uma grande perplexidade entre muitos sectores do Povo de Deus, que esperam dos seus pastores sinais mais insofismáveis de comunhão com o Papa.

26 de outubro de 2017

Associação Fraternitas Movimento


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