Em 31 de outubro de 1942, dia do encerramento solene do
Jubileu das Aparições de Fátima – ocorridas há 25 anos –, o Papa Pio XII, numa
mensagem através da rádio, consagrou o mundo ao Imaculado Coração de Maria,
para corresponder ao apelo de Nossa Mãe do Céu, com esta oração:
«Rainha do Santíssimo Rosário, auxílio dos cristãos, refúgio
do género humano, vencedora de todas as grandes batalhas de Deus, ao vosso
trono súplices nos prostramos, seguros de conseguir misericórdia e de encontrar
graça e auxílio oportuno nas presentes calamidades, não pelos nossos méritos,
de que não presumimos, mas unicamente pela imensa bondade do vosso Coração
materno.
A Vós, ao vosso Coração Imaculado, Nós como Pai comum da
grande família cristã, como Vigário d’Aquele a quem foi dado todo o poder no
céu e na terra (Mt 28, 18), e de quem recebemos a solicitude de quantas almas
remidas com o seu sangue povoam o mundo universo, — a Vós, ao vosso Coração
Imaculado, nesta hora trágica da história humana, confiamos, entregamos,
consagramos não só a Santa Igreja, corpo místico de vosso Jesus, que pena e
sangra em tantas partes e por tantos modos atribulada, mas também todo o mundo,
dilacerado por funestas discórdias, abrasado em incêndios de ódio, vítima de
sua próprias iniquidades.
Comovam-vos tantas ruinas materiais e morais; tantas dores,
tantas agonias dos pais, das mães, dos esposos, dos irmãos, das criancinhas
inocentes; tantas vidas ceifadas em flor; tantos corpos despedaçados numa
horrenda carnificina; tantas almas torturadas e agonizantes, tantas em perigo
de se perderem eternamente! Vós, Mãe de misericórdia, impetrai-nos de Deus a
paz! e primeiro as graças que podem num momento converter os humanos corações,
as graças que preparam, conciliam, asseguram a paz! Rainha da paz, rogai por
nós e dai ao mundo em guerra a paz por que os povos suspiram, a paz na verdade,
na justiça, na caridade de Cristo. Dai-lhe a paz das armas e das almas, para
que na tranquilidade da ordem se dilate o Reino de Deus.
Estendei a vossa proteção aos infiéis e a quantos jazem
ainda nas sombras da morte; dai-lhes a paz e fazei que lhes raie o Sol da
verdade, e possam connosco, diante do único Salvador do mundo, repetir : Glória
a Deus nas alturas e paz na terra aos homens de boa vontade! (Lc 2, 14).
Aos povos pelo erro ou pela discórdia separados,
nomeadamente àqueles que Vos professam singular devoção, onde não havia casa
que não ostentasse a vossa veneranda ícone (hoje talvez escondida e reservada
para melhores dias), dai-lhes a paz e reconduzi-os ao único redil de Cristo,
sob o único e verdadeiro Pastor.
Obtende paz e liberdade completa à Igreja santa de Deus;
sustai o dilúvio inundante de neo-paganismo, todo matéria; e fomentai nos fiéis
o amor da pureza, a prática da vida cristã e o zelo apostólico, para que o povo
dos que servem a Deus, aumente em mérito e em número.
Enfim como ao Coração do vosso Jesus foram consagrados a
Igreja e todo o género humano, para que, colocando n’Ele todas as suas
esperanças, lhes fosse sinal e penhor de vitória e salvação (cfr. Litt. Enc.
Annum Sacrum : Acta Leonis XIII vol. 19 pag. 79), assim desde hoje Vos sejam
perpetuamente consagrados também a Vós e ao vosso Coração Imaculado, ó Mãe
nossa e Rainha do mundo: para que o vosso amor e patrocínio apresse o triunfo
do Reino de Deus, e todas as gerações humanas, pacificadas entre si e com Deus,
a Vós proclamem bem-aventurada; e convosco entoem, de um polo ao outro da
terra, o eterno Magnificat de glória, amor, reconhecimento ao Coração de Jesus,
onde só podem encontrar a Verdade, a Vida e a Paz» (cf. https://w2.vatican.va).
Em 1944, em plena guerra mundial, o mesmo soberano pontífice consagrou todo o género humano ao Coração Imaculado de Maria, para que ficasse sob a Sua poderosíssima proteção.
Durante esta mesma cerimónia, ele decretou que a Igreja inteira deveria celebrar uma festa em honra ao Imaculado Coração de Maria, a cada ano, para obter, pela sua poderosa intercessão, “a paz das nações, a liberdade da Igreja, a conversão dos pecadores, o amor pela pureza e a prática das virtudes”. E fixou a data desta comemoração em 22 de agosto, na oitava da Assunção.

Comentários
Enviar um comentário