Leitura orante do Evangelho do 30.º domingo, com meditação, oração e gesto prático para toda a semana. Tema: «Qual é o maior mandamento?»

Para Jesus, o fundamento da relação com Deus e com o próximo é o amor. Um amor solidário. Um amor entrega. Um amor que se torna lei de vida e de ação de todo o crente. Essa é a síntese de Jesus para o Decálogo.

Evangelho segundo S. Mateus (Mt 22, 34-40), lido no XXX Domingo Comum, ano A:
«Naquele tempo, os fariseus, ouvindo dizer que Jesus tinha feito calar os saduceus, reuniram-se em grupo, e um doutor da Lei perguntou a Jesus, para O experimentar: «Mestre, qual é o maior mandamento da Lei?». Jesus respondeu: «‘Amarás o Senhor, teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma e com todo o teu espírito’. Este o maior e o primeiro mandamento. O segundo, porém, é semelhante a este: ‘Amarás o teu próximo como a ti mesmo’. Nestes dois mandamentos se resumem toda a Lei e os Profetas».

SEGUNDA-FEIRA
Palavra – «Naquele tempo, os fariseus, ouvindo dizer que Jesus tinha feito calar os saduceus, reuniram-se em grupo.»

Meditação – Vivemos contexto em que os «mestres», ou líderes de opinião sobre as mais variadas questões da vida, se sucedem em função da sua popularidade mediática. Com que argumentos fundamentamos nós, cristãos, a nossa visão do mundo, da vida ou da fé? Demitimo-nos de «dar a cara» ou de participar em reflexões públicas para não nos incomodarmos? Sentimos que a nossa pouca fé vacila diante de outros argumentos mais populares? Estamos preparados para dar razões da nossa esperança, no nosso dia a dia?

Oração – Mal podemos entender o que há sobre a terra e o que está ao nosso alcance dificilmente o descobrimos; quem poderá, pois, penetrar o que há no céu? E quem conhecerá a tua vontade, se não lhe deres a sabedoria, e não enviares o teu santo espírito lá do céu? Assim se endireitaram as veredas dos que vivem na terra, os homens aprenderam o que é do teu agrado e pela sabedoria se salvaram. (Sab 9, 16-18) 

Ação – Jesus foi um homem do seu tempo e não fugiu das questões que se colocavam no âmbito da fé. Vamos pois tentar ser curiosos sobre as questões que os cristãos colocam na actualidade, seja no local onde vivemos (na pequena comunidade, na paróquia, na diocese) como em grandes acontecimentos (por exemplo, o actual Sínodo dos Bispos sobre a Palavra de Deus na vida da Igreja) que marcam um modo de viver em comunhão com a Igreja.

TERÇA-FEIRA
Palavra – «Um doutor da Lei perguntou a Jesus, para O experimentar: "Mestre, qual é o maior mandamento da Lei?".»

Meditação – Também hoje existem questões de tal modo importantes que só a Jesus poderemos dirigir. Ao colocar essas questões vamos estabelecendo com Jesus uma relação de diálogo, que é expressão da confiança e do amor que Nele depositamos. Nessa relação reforçamos a nossa oração e transformamos a nossa vida. Que perguntas ousamos fazer ao Senhor? Qual é a coisa mais importante para a nossa vida? De entre todos os valores e virtudes que reconhecemos, existe algum que represente todos os outros? Será hoje a resposta de Jesus, o nosso Mestre, diferente da que deu na altura? O fundamental é amar. 

Oração – Quando contemplo os céus, obra das tuas mãos,  a Lua e as estrelas que Tu criaste: que é o homem para te lembrares dele, o filho do homem para com ele te preocupares? Quase fizeste dele um ser divino; de glória e de honra o coroaste. Ó Senhor, nosso Deus, como é admirável o teu nome em toda a terra! (Sl 8)  

Ação – Se até os que se estavam em oposição a Jesus ousaram aproximar-se Dele e escutar os seus ensinamentos, cuidemos também nós esta atitude de acolher com amor e confiança aquilo que só o Mestre nos pode ensinar no segredo da oração. Desta escuta só pode brotar um modo de viver ao estilo de Jesus: o verdadeiro amor.

QUARTA-FEIRA
Palavra – «Jesus respondeu: "Amarás o Senhor, teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma e com todo o teu espírito".»

Meditação – Jesus não responde unicamente à pergunta de qual é o mandato mais importante, mas oferece uma visão global da vida: nascemos, vivemos e realmente crescemos para amar. Amamos a Deus mais do que a nós mesmos: com tudo o que somos e sem medida, que é a verdadeira medida do amor a Deus. Amar o Senhor Deus é a lei fundamental do homem, é o seu DNA no caminho da vida. E como amar? A expressão todo o teu coração, toda a tua alma e todo o teu entendimento indicam que o amor a Deus deve brotar de uma atitude pessoal totalizante, isto é, que compromete a pessoa inteira.

Oração – Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver amor, sou como um bronze que soa ou um címbalo que retine. Ainda que eu tenha o dom da profecia e conheça todos os mistérios e toda a ciência, ainda que eu tenha tão grande fé que transporte montanhas, se não tiver amor, nada sou. (1 Cor 13, 1-2) 

Ação – Que o amor a Deus não seja apenas uma realidade epidérmica ou superficial que mostramos quando nos sentimos bem, mas a expressão visível de quem procura viver em profundidade.   Neste sentido, o amor a Deus torna-se a alma da alma, ou seja, a vitalidade da própria vida humana. Deixemo-nos educar por este amor de Deus que é misericórdia, que ama simplesmente porque ama. Então dilataremos o nosso coração e aprenderemos a olhar o mundo e a amá-lo divinamente.

QUINTA FEIRA
Palavra – «Este é o maior e o primeiro mandamento.»

Meditação – Por serem um grupo que estudava e meditava na Lei de Deus, a vida dos fariseus deveria constituir um verdadeiro modelo a seguir pelo povo, quase como um GPS. Ninguém como eles conheciam a Lei (Torah). No entanto, não procuravam a segurança em Deus mas no seu cumprimento da Lei. Ou seja, tinham mais confiança no que faziam por Deus do que no que Deus fazia por eles.   Jesus reage a esta atitude negativa que tinham perante Deus e insiste na prática de um amor que relativiza o rigor da regra e reconhece em Deus a fonte da vida. Num tempo como o nosso, também pautado pela mudança e pela insegurança, procuremos colocar a nossa segurança na bondade de Deus para connosco e não na quantidade de coisas que fazemos por Ele e que tantas vezes nada têm de gratuidade. 

Oração – Bendito seja o Deus, Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, que no alto do Céu nos abençoou com toda a espécie de bênçãos espirituais em Cristo. Foi assim que Ele nos escolheu em Cristo antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis na sua presença, no amor. Predestinou-nos para sermos adoptados como seus filhos por meio de Jesus Cristo, de acordo com o beneplácito da sua vontade, para que seja prestado louvor à glória da sua graça, que gratuitamente derramou sobre nós,  no seu Filho bem amado. (Ef 1, 3-6) 

Ação – Quantos momentos durante o dia nos são dados para louvar o Senhor que nos ama? Que o amor a Deus se fundamente no afecto que lança as raízes no mais íntimo do nosso ser.   É aí que reconhecemos o nome de Deus como Abbá (Pai), a indicar que Deus nos ama e se deixa amar pelos homens. Procuremos «adorar O Senhor em espírito e verdade», a partir de um coração filial. Se somos filhos, vivamos como filhos. 

SEXTA FEIRA
Palavra – «O segundo, porém, é semelhante a este: "Amarás o teu próximo como a ti mesmo".»

Meditação – ‘Amarás o teu próximo como a ti mesmo’. Na boca de Jesus, estas palavras não são simplesmente um resumo do ensinamento da Lei Antiga, que já recomendava o amor ao próximo. No entendimento antigo, o próximo era o conterrâneo, ou o que falava a mesma língua, ou o que partilhava a mesma cultura ou a mesma religião. Jesus alarga esta visão tão restrita, esbate as barreiras dos preconceitos e torna próximo todo aquele que se aproxima de ti ou aquele de quem te aproximas.  

Oração – Também agora o digo a vós. Dou-vos um novo mandamento: que vos ameis uns aos outros; que vos ameis uns aos outros assim como Eu vos amei. Por isto é que todos conhecerão que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros.» (Jo 13, 35) 

Ação – Todos os dias e, especialmente nos momentos de reflexão, devemos pensar: como podemos amar melhor as pessoas com as quais convivemos? Amar é uma entrega concreta, feita também de pequenos sacrifícios e de insignificantes renúncias. Porém, são gotas de água refrescante que produzem a grande convivência de confiança, de paz, de liberdade e felicidade para todos.

SÁBADO
Palavra – «Nestes dois mandamentos se resumem toda a Lei e os Profetas.»

Meditação – É sugestivo que Jesus acrescente o segundo mandamento se o fariseu só parece interessado no maior mandamento. Afirma a semelhança entre o amor ao próximo e o amor a Deus e acentuar que desses dois amores dependem toda a Lei e os Profetas. Fazendo depender a Lei e os Profetas do amor a Deus e do amor ao próximo como a si mesmo, Jesus compõe o fundamento da religião.   A supressão de um desses amores faz desmoronar todo o edifício. 

Com esta afirmação, Jesus esclarece que toda a obra divina realizada em favor do povo de Israel teve como fonte o amor e que o amor que Deus espera dos homens é uma resposta ao amor que eles anteriormente receberam. É precisamente por isso que a Lei explica o modo de amar de Deus: um amor total e gratuito.
Daí o convite a responder-lhe na medida do seu amor: Deus deve ocupar o primeiro lugar nos nossos planos (mente), nos nossos desejos (coração) e no nosso agir (corpo). É o convite a viver o que rezamos: «Faça-se em mim a tua vontade». É este o Shemá Cristão. 

Oração – Sabemos, porém, que o homem não é justificado pelas obras da Lei, mas unicamente pela fé em Jesus Cristo; por isso, também nós acreditámos em Cristo Jesus, para sermos justificados pela fé em Cristo e não pelas obras da Lei; porque pelas obras da Lei nenhuma criatura será justificada. (…) É que eu pela Lei morri para a Lei, a fim de viver para Deus. Estou crucificado com Cristo. Já não sou eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim. (Gal 2, 16.19-20) 

Ação – Quando hoje me encontrar com alguém de quem me reconheço «distante», por não partilhar das suas ideias, ou não sintonizar com a sua forma de viver ou trabalhar, ou estranhar a sua cultura, que seja o Senhor a recordar-me, que essa pessoa é meu próximo, é meu irmão. Sobretudo, Senhor, que me recorde que não posso dizer que Te amo se não procuro amá-lo em Teu nome.    

Ir. Alzira Sousa, fma

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