Navegador solitário português une Fátima e Aparecida nas comemorações das aparições de Nossa Senhora: leva ao Brasil imagem peregrina
Ricardo Diniz, 40 anos, é navegador solitário. As suas duas paixões de criança transformaram-se num modo de
vida. Hoje, aos 40 anos, continua abraçar desafios - ou missões, como faz
questão de dizer - que lhe permitam comunicar o país além-fronteiras.
Neste mês de outubro irá fazer mais uma viagem ao Brasil,
desta vez no âmbito do Centenário das Aparições de Fátima e dos 300 anos da
Senhora da Aparecida, eventos assinalados neste ano de 2017. A viagem deverá
durar cerca de um mês.
O Santuário de Fátima irá entregar a Ricardo Diniz uma
imagem de Nossa Senhora de Fátima, feita especialmente para esta missão. Depois, num ritual de fé, Ricardo seguirá a pé de Fátima até
Peniche, onde estará o seu veleiro coberto de flores. A imagem de Nossa Senhora
de Fátima será então colocada a bordo da embarcação e transportada à vela para
Salvador da Bahia no Brasil. Ali chegado, o navegador português fará a entrega
da imagem às autoridades eclesiásticas locais.
Ricardo Diniz está a construir este projeto há cerca de ano
e meio. Por respeito aos valores desta Missão – que Ricardo Diniz considera
como “a mais importante de sempre” -, o seu veleiro não terá visíveis quaisquer
logos ou referências de patrocinadores. Apenas será possível observar as
palavras “Fé, Paz, Amor” bem como em Inglês “Faith, Peace, Love”.
O financiamento desta Missão está a ser feito,
essencialmente, pelo próprio Ricardo, algumas empresas, bem como donativos de
Portugueses um pouco por todo o mundo mas também de Brasileiros, que consideram
esta viagem muito bonita e simbólica, reconhecendo e apoiando o gesto do
navegador Português.
A Comissão de Honra conta com diversas personalidades,
nomeadamente General Ramalho Eanes, General Rocha Vieira, Padre Vítor Melícias,
apresentador Júlio Isidro, escritora Alice Vieira, jornalista Aura Miguel,
selecionador nacional Fernando Santos.
Tinha 8 anos quando ganhou o desejo de dar uma volta ao
mundo à vela, depois de ver em Londres o veleiro Gipsy Moth IV, de Sir Francis
Chichester, inglês que já tinha cumprido esse desafio por duas vezes.
Recorda-se do que o fascinou?
O veleiro de Sir Francis Chichester transmitiu-me uma
sensação total de liberdade, que era algo que eu precisava muito, e senti que
aquele objeto era uma espécie de brinquedo mas que dava para brincar ao longo
de toda uma vida. Era um objeto que tinha uma função, mas que representava para
mim algo divertido e desafiante. Nunca tinha pensado em veleiros, muito menos
em voltas ao mundo, ainda menos em solitário, e, de repente, foi como descobrir
um novo universo. É como se estivesse perante uma megaenciclopédia e sentisse
imensa vontade de ler e estudar todas as páginas.
Essa vontade de descobrir foi instantânea?
Completamente. Parecia que me tinham batido com uma coisa na
cabeça. Foi fortíssimo. Fui logo à procura de todos os livros que pudesse
encontrar sobre o assunto e comecei a devorá-los.
Estava com o seu pai nesse dia [o jornalista João Paulo
Diniz]. Fez-lhe logo ali muitas perguntas sobre a modalidade vela?
Não percebi vela como uma modalidade e, ainda hoje, não me
enquadro nesse campo. Ou seja: modalidade é desportiva e o que eu faço não é
desporto. É missão. É desenvolver expedições para comunicar Portugal. Portanto,
a única coisa que eu disse ao meu pai foi que achava tudo aquilo espetacular e
que um dia ia fazer o mesmo: "Vou ser velejador solitário e dar voltas ao
mundo." Eu já tinha uma enorme paixão pelo mar e, de repente, aquele barco
mostrou-me que era possível passar dias, semanas ou meses no mar. Fiquei
fascinado. No entanto, nessa idade, o que já me estava a moldar bastante era a
imensa saudade que tinha de Portugal. Sentia-me farto de estar em Londres e
queria regressar ao meu país. Essa é que foi realmente a primeira paixão da
minha vida porque é muito difícil sair com 5 anos do nosso país, que é tão
especial, e estar num sítio como Londres onde nem sabem o que é uma sopa, onde
está sempre cinzento... Aquele barco, aliado à nossa história - que já começava
a conhecer -, transmitiu-me esse desejo de velejar.
Como aprendeu a velejar?
Tentava juntar-me a pessoas com quem pudesse aprender e nem
sempre foi fácil. Senti alguma resistência.
Por ser tão novo?
Por ser tão novo, por ter ambições tão grandes, por ter mil
perguntas. A minha maneira de entrar nesse mundo foi a lavar barcos. Tornei-me
um excelente esfregador de barcos [risos]. Tinha sempre muitos clientes,
ganhava o meu dinheiro e ao mesmo tempo aprendia sobre barcos estando a bordo.
Estando lá dentro começamos a perceber como tudo funciona, ainda antes de
começar a navegar. Era apenas estar na doca, a visualizar como tudo funciona.
Depois, devagarinho, comecei a fazer viagens, a transportar barcos para o
Algarve, para o Porto, e nunca mais parei. Mas, realmente, o grande salto na
aprendizagem foi em Inglaterra. Tinha 17 anos e fui para lá estudar Ciência
Ambiental Marítima. A generosidade dos ingleses para partilhar conhecimento
ajudou-me muito. Comecei a velejar com grandes equipas e a aprender com elas,
sentindo sempre recetividade ao meu interesse e curiosidade. Tinham muita paciência.
Portanto, devo muito a Inglaterra.
«Tenho sempre uma imagem de Nossa Senhora de Fátima comigo, que me foi dada pela minha madrinha em 2001»
Além de lavar barcos, também começou, aos 12 anos, a juntar
algum dinheiro a vender fatias de bolo na praia. Era já a pensar no trajeto que
queria fazer na vela?
A questão do bolo de cenoura, da avó Adelaide, tem que ver
com o meu feitio ainda hoje. Eu era miúdo mas já começavam a aparecer
características da minha personalidade. Uma delas é não ter paciência para
estar parado. Gosto de fazer coisas e vê-las acontecer. E se vejo que há algo
que não está a ser bem feito, então em vez de criticar prefiro tentar fazer
melhor. Ora, eu percebi que na praia o que se vendia eram gelados, mas que
existiam muitas pessoas que queriam outras coisas. Um bolinho caseiro, por
exemplo. Percebi que havia procura, que gostavam do lanche que a minha avó me
fazia, e comecei a fazer mais bolos com ela e a vender.
Tira a carta de comandante aos 19 anos, em Inglaterra, e aos
21 já tripulava catamarãs turísticos nas Caraíbas. Como é que apareceu essa
oportunidade?
Quando tirei a carta de comandante já tinha atravessado o
Atlântico à vela duas vezes e feito viagens entre Inglaterra e Portugal. Já
tinha uma boa experiência de mar e alguma noção de vários tipos de barcos. Além
disso, fui-me envolvendo em projetos que me fizeram sentir à vontade para
abraçar esse desafio, que passava, obviamente, por velejar mas também por gerir
uma equipa, uma empresa, pôr tudo a funcionar e tornar o barco o mais lucrativo
possível. Quando cheguei a Saint Martin, nas Caraíbas, percebi que as pessoas
procuravam trabalho espalhando um simples currículo por cafés, quiosques de
internet, etc. Eu diferenciei-me logo. Sentei-me com uma designer e fizemos um
poster, com uma fotografia enorme, a dizer que o Ricardo, o Português, tinha
acabado de chegar à ilha e estava disponível para trabalhar. Ou seja: Ricardo,
o Português, Ricardo from Portugal, foi a minha forma de me diferenciar. E o
facto de ser de Portugal tornou-se uma vantagem competitiva, porque existe a
perspetiva de que somos um país de marinheiros. O que é uma perspetiva errada.
Nunca escondeu que sente medo sempre que parte para uma
expedição no mar. Como combate esse sentimento?
A preparação é muito importante, tanto a minha como a do
barco. Se o fizermos bem, parto confiante e tranquilo. Quando estou no mar, o
medo está realmente sempre presente. Umas vezes mais, outras menos. Mas está lá
sempre. Mais do que estar a pensar no GPS, no radar, que sei velejar e que o
barco é bom, o que eu tento fazer é sentir o barco, sentir o mar e conectar-me
com aquilo tudo. Quando sintonizo a minha frequência com aquilo que me rodeia,
então consigo superar esse medo. Se não me alinhasse não conseguiria. Não estou
ali para competir com o mar, mas sim para estar em sintonia com ele.
Mas além dessa sintonia há um cuidado extra na verificação
do barco e de todo o material que segue consigo.
Sim. Antes de cada expedição, em média, estamos no estaleiro
quatro meses. É tudo desmontado, verificado, e dentro do orçamento que temos
podemos fazer um upgrade a algum sistema do barco. Mas, por exemplo, quando fui
para o Brasil no âmbito do Mundial de futebol [em 2014, quando transportou
mensagens de apoio de adeptos à seleção] não tinha instrumentos para perceber a
direção e a intensidade do vento, o GPS tinha mais de 20 anos e não se via bem
o ecrã, mas isso não me impediu de fazer uma boa viagem. Aliás, muitas vezes
até desligo todos os instrumentos. Vou só eu, com uma casca flutuante e a
natureza. Isso é muito bonito. Não há nada a apitar, nada a dizer que estou
mais para a esquerda ou para a direita, ou a que horas chego ao destino.
É nessa altura que encontra a tal sintonia perfeita com o
mar?
Encontro antes, mas quando desligo tudo respeito mais o que
me rodeia. Quando estou sozinho no mar falo baixinho. Não quero incomodar. Por
vezes ligam-me para o telefone satélite e até me perguntam: "Se estás aí
sozinho, porque estás a falar assim? Estás com medo de acordar alguém?"
Tudo em meu redor está em harmonia e eu quero mantê-la, respeitá-la. Tenho um
piloto automático muito bom, mas também gosto de ser eu a pegar no leme e ficar
ali a sentir o barco. São sentimentos muito especiais.
Em entrevistas anteriores, disse que a maior privação que
sente no mar é estar longe dos seus filhos. Tem truques para contornar essa
saudade?
Realmente é das minhas maiores dores. Mas tenho algumas
defesas. Uma é eles não estarem presentes no local de partida. A outra é não
ter fotografias à vista no barco. Se quiser tenho acesso a elas, mas não estão
à vista. Aquele é o meu local de trabalho e está tudo organizado nesse sentido.
E depois é deixar que essas emoções fluam. Não as escondo, não finjo que não
estou a sofrer. Eu permito-me sofrer e viver essas saudades e isso faz parte da
introspeção que é uma viagem. É algo que aplico a várias coisas na minha vida:
se há um problema, então vamos enfrentá-lo.
Os seus filhos já têm noção dos perigos que o pai enfrenta
no mar?
Eles sabem que é arriscado, mas não estão preocupados.
Sofrem menos do que eu. Cresceram neste ambiente e nesta minha forma de viver.
Uma coisa que sempre lhes disse foi para não se preocuparem com as boas notas,
mas sim com as relações humanas, com a maneira como se relacionam com as outras
pessoas, com a maneira como investem genuinamente nos colegas e nos professores,
porque eles são os primeiros amigos e poderão sê-lo ao longo de toda uma vida.
E depois digo-lhes que o pai vive intensamente, faz coisas que adora, com muito
rigor e profissionalismo, e que prefiro morrer aos 50 anos e viver ao ritmo que
tenho vivido do que aguentar até aos 90 e ter uma vida tépida. Eles apreciam
isso e sabem que sou muito cuidadoso no mar.
Qual foi o máximo de tempo que passou no mar em solitário?
Foram 47 dias. Foi numa das primeiras viagens que fiz,
porque tive acesso a um barco onde podia treinar. Então atirei-me ao Atlântico
Norte, enchi o barco de comida e foi até gastar tudo. Não sabia quanto tempo ia
ficar, mas queria realmente estar no mar, viver o mar, aproveitar ao máximo.
Saber lidar com a solidão é algo que tem de ser inato ao
velejador ou pode ser treinado?
Pode ser treinado, sem dúvida. Mas requer um feitio
especial. Há um treino que te ajuda, que te foca, mas velejar em solitário não
é para todos e há quem sinta muita solidão quando está sozinho. Eu não. É mais
provável sentir essa solidão quando estou rodeado de pessoas, porque no mar
sinto tudo menos solidão.
Isso porque é uma solidão ocupada, com todas as tarefas que
tem de fazer para seguir viagem?
Porque é uma solidão acompanhada. O mar não é só um deserto
azul. Tem muita vida. E muita vida que não conseguimos ver. Por vezes sinto
essas presenças a bordo. É muito interessante. O mar é muito rico. Há ali muita
coisa.
No regresso a terra também procura isolar-se, pelo menos nos
primeiros dias?
Sou bastante introspetivo quando chego a terra. Estranho as
multidões, as filas de trânsito, a velocidade a que tudo isto anda. E estranho
quão pouco harmoniosa é a nossa existência, a nossa maneira de viver, de amar,
de comer. Quando vens de um mundo que funciona e é perfeito, olhas à volta e
não queres ter nada que ver com isto durante uns dias. Demoro algum tempo a
aterrar. Eu já sou bastante isolado no geral: moro numa quinta, ninguém me
convida para casamentos e aniversários porque já sabem que não vou... Sou muito
presente na vida das pessoas, elas sentem o meu afeto, mas não sou fã de
grandes festas e noitadas.
Há algum objeto que o acompanhe em todas as viagens?
Tenho sempre uma imagem de Nossa Senhora de Fátima comigo,
que me foi dada pela minha madrinha em 2001 e que foi das poucas coisas que
consegui salvar na tal viagem em que bati no contentor. Levo pau-santo, livros,
algumas cassetes antigas em que tenho gravadas emissões de rádio... Não preciso
de música, porque tenho de estar atento aos ruídos do barco.
A vastidão do oceano sempre teve uma áurea de mistério. Já
passou por alguma situação no mar que não consegue explicar?
Por vezes, temos a plena noção de que não estamos sozinhos.
Houve uma vez, a caminho do Brasil, em que uma zona do barco cheirava a rosas,
mas com uma intensidade indescritível. O barco está no meio do mar, tens ondas,
água, vento, spray de sal por todo o lado e esse cheiro sentia-se cá fora, só
naquela zona. Os brasileiros sabem o que é isto imediatamente. Dizem que é a
presença de iemanjá [divindade com raízes africanas], a Deusa dos Mares, que
cheira a rosas e de quem são muito devotos.
Essa sensação não foi fruto do cansaço?
Não. Já faço isto há 20 anos. Há um estado de cansaço que
vamos atingindo, mas conheço bem o meu corpo e eu não estava doido ou a
alucinar. Há muita coisa no mar.
Conte-me a história do seu barco.
Ele foi completamente renovado nos estaleiros navais de
Peniche durante cem dias. Chegou aqui de camião, vindo de França. Estava em
muito mau estado, ninguém o queria, envolvido num processo de dívidas, mas eu
resolvi aquilo tudo e trouxe o barco para Portugal. Demos trabalho a 312
pessoas. Foi tudo mão-de-obra nacional, num estaleiro português, cabos e velas
portugueses. Os meus fatos de mar são portugueses, o barco é revestido a
cortiça portuguesa e tem uma cruz de Cristo pintada na proa. Portanto, tu olhas
para ele e vês Portugal. É uma embaixada flutuante de portugalidade. Orgulho-me
muito do barco. É o meu primeiro barco, está lá o meu nome, sou eu que pago as
contas, mas não o sinto meu. É o nosso barco, porque está sempre ao dispor e as
pessoas podem visitá-lo.
Como é que o batizou?
Nunca se muda o nome dos barcos. Mantém o original, que é o
nome de uma estrela: Enif [estrela da constelação de Pegasus].
O ser humano trata bem o mar?
O mar é desrespeitado e assassinado todos os dias. Todos os
dias está um pouco pior do que estava ontem. Felizmente há entidades como a
Bandeira Azul, da qual sou o primeiro embaixador, que fazem um enorme trabalho
de sensibilização. E o ser humano começa a perceber que quando não recicla está
a prejudicar o oceano, pois o mar está hoje coberto por uma fina película de
plástico. Que quando come carne está a prejudicar o oceano, quando antigamente
essa ligação não se percebia. O impacto ambiental que o consumo de carne tem é
surreal. É superior a todos os barcos, carros, aviões, fábricas...
E Portugal sabe aproveitar o seu mar enquanto património
natural?
Não tem sabido, mas está ciente disso. Existe a noção,
politicamente e não só, de que realmente não se tem feito muito, mas felizmente
ao longo dos anos isso tem vindo a mudar. Esta próxima geração já estará mais
conectada e terá um papel mais ativo, com mais noção do potencial que aqui
reside e que tem de se desenvolver e trabalhar. Acima de tudo, devemos perceber
que temos 20 vezes mais mar do que terra e que isso é um imenso privilégio. Não
fizemos nada para o ter, mas estamos aqui plantados, este mar é nosso e temos
de fazer coisas.
No passado, dizia que para financiar os seus projetos
costumava ouvir quatro mil nãos até ter um sim. Hoje ainda recebe muitas negas?
Essa fase dos nãos foi muito difícil, mas ensinou-me imenso
sobre marketing, pessoas, vendas e hoje, curiosamente, é disso que falo nas
minhas palestras em empresas um pouco por todo o mundo. Hoje já não abordo
tantas empresas, porque tenho de me alinhar com elas. Já fui abordado por
empresas às quais agradeci o interesse mas não aceitei o trabalho, porque não
há o alinhamento, ou porque produzem produtos animais e eu não quero ter nada
que ver com esse mundo. Sou mais incisivo nas abordagens e hoje, quando tenho o
sim, não falei com mais do que 15 ou 20 entidades.
A vela e as iniciativas que promove permitem-lhe levar uma
vida financeiramente confortável?
Levo uma vida simples que não precisa de muito. Desenvolvo
projetos por prazer e sentido de missão. Não ligo muito a dinheiro.
Qual é a principal mensagem que procura passar nas suas
palestras?
Ouvir o coração. Posso estar a falar de vendas, superação,
estratégia, trabalho de equipa e no fundo o que estou a dizer é para seguirem e
ouvirem o coração. Chamo a atenção para ter tempo para parar, para sentir, para
ter os pés na terra, desligar os telefones. Se formos todos os dias fazer uma
caminhada ao nascer do Sol, em silêncio e sem telefone, nem que seja meia hora,
algo vai mudar na nossa vida. Bastam dez dias seguidos a fazer esse ritual e a
nossa vida começa a mudar e nem percebemos bem porquê. Esse silêncio é muito
importante.
Já tem um novo projeto em marcha. No que consiste?
Há 18 meses que trabalho nisto. Vou receber no Santuário de
Fátima uma imagem de Nossa Senhora. Depois vou a pé até Peniche, onde estará o
veleiro coberto de flores. Sigo à vela sozinho para o Brasil para entregar a
Nossa Senhora. No barco estão escritas três palavras - Fé, Paz, Amor. Uma
mensagem universal de Portugal para o mundo independentemente da fé de cada um.
São os 100 anos de Fátima e os 300 de Nossa Senhora da Aparecida no Brasil...
É um homem de fé.
Sou. Nem tudo me faz sentido, mas não tenho a mínima dúvida
de que Deus existe e que é um grande companheiro de viagem. Há um diálogo
constante no mar. Tenho ali um copiloto fantástico e, já agora, com grande
sentido de humor.Ricardo Diniz conta partir de Peniche em Outubro.
Sente-se um embaixador do país?
Não. Sinto que dou o meu melhor, com iniciativas privadas,
para promover o que é nosso. Um taxista faz o mesmo quando recebe educadamente
as pessoas num aeroporto. Uma escola de surf também quando faz bem o seu
trabalho ao longo da costa portuguesa. Todos temos o papel de comunicar bem o
país. No fundo, somos todos pequenos embaixadores, porque todos temos a
responsabilidade de promover o que é nosso.
Fontes: Diário de Notícias e http://ricardodiniz.com

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