A parábola das Dez Virgens com as suas lâmpadas diz-nos que «o sentido para a nossa vida alimenta-se do azeite que é a relação com Deus»

Aproximamos-nos do final do ano litúrgico, que terminará a 2 de dezembro. Como se nos aproximássemos do final do ano letivo, e tivéssemos de fazer provas globais, a Igreja oferece-nos neste e nos próximos dois domingos três parábolas que se completam: As dez virgens, os talentos e o juízo final. (Parábolas que só se encontram no Evangelho de Mateus.)

A parábola das dez virgens
No tempo de Jesus, quando se celebrava um casamento, um grupo de jovens acompanhava o noivo a recolher a noiva para preparar a cerimónia. A partir deste evento tão trivial, Jesus cria uma parábola.

Mateus faz questão de dizer logo que cinco das jovens eram insensatas e cinco eram prudentes. Todavia, mais adiante vai assemelhá-las num ponto: ambas adormeceram.

Até aqui nada de novo.

De repente, a parábola adquire um contorno irreal: é o noivo e não a noiva que se atrasa.

E, se as dez jovens adormeceram, só seguem com o noivo as que se precaveram e levaram mais azeite para as suas lâmpadas.

E a conclusão da parábola é «vigiai, porque não sabeis o dia nem a hora».

Algumas interpretações que se complementam
Uma pode centrar-se no azeite, que pode ser visto como imagem da fé, do fervor, das boas obras. E isso faltará quando a pessoa não se prepara espiritualmente.

Outra pode focar-se na vigilância, que permitiria corrigir a falta de provisão.

Uma terceira interpretação pode ser ajudada com a primeira leitura escolhida para este domingo, retirada do Livro da Sabedoria. Diz ela que a Sabedoria não é algo intelectual, um conjunto de conhecimentos, mas uma pessoa que se aprende a amar. E os primeiros cristãos não tiveram dificuldade em identificá-la com Jesus Cristo, que é Sabedoria de Deus que as pessoas podem amar.
Então, estar preparados é pensar em Jesus, falar com Ele, encontrar-se com Ele, manter-se em comunhão com Ele.

Uma quarta interpretação não dá importância ao noivo, nem às jovens, mas à luz. É a luz que determina quem segue com o noivo e entra no banquete. E, então, temos de nos lembrar do que dizia Jesus: «Eu sou a luz do mundo.» E também: «Vós sois a luz do mundo.» É por causa da luz que é preciso ter azeite. Ser luz significa ter um sentido para a vida. E o azeite que alimenta essa luz é o amor.
Ora, dar um sentido à vida não acontece de improviso. É preciso estar bem preparados. E não se dá um sentido à vida no final dos tempos – ou seja, o estar vigilantes não se refere ao futuro –, mas hoje, sempre, continuamente.

O sentido para a nossa vida, numa frase, alimenta-se do azeite que é a relação com Deus.

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