A prática da misericórdia e da compaixão é o que mais nos assemelha a Deus e nos aproxima Dele - meditação no Domingo de Cristo-Rei

A imagem do Filho do Homem sentado no trono, separando os cabritos das ovelhas, onde os primeiros sofrem um castigo eterno, enquanto as segundas vão para junto Dele, deixa-nos um pouco perplexos e com um nó na garganta. É difícil reconhecer um Bom Pastor tão seletivo. Como ler nesta história a boa notícia do Evangelho?

Em primeiro lugar, a narrativa deve ser situada num contexto rural. As pessoas do campo sabem que as cabras são mais independentes, traquinas, dão mais chatices do que as ovelhas, sempre obedientes e facilmente guiadas pelo seu proprietário.

Em segundo lugar, não devemos perder de vista o caráter de Deus tal como é revelado ao longo de toda a Bíblia. O profeta Ezequielm na primeira leitura da missa deste domingo, diz que o procedimento de Deus é sair constantemente pelas estradas à procura das pessoas desgarradas, para os conduzir, e dos doentes, para os curar. Deus nunca dá ninguém por perdido. Jesus encarregou-se uma e outra vez de ratificar esta ideia em múltiplas parábolas, em que Ele nos deixou um bom retrato de Si mesmo. Jesus é capaz de deixar tudo o que possui para uma única ovelha perdida.

Em terceiro lugar, lembrar que Jesus Cristo venceu a morte para ampliar a vida. A ação mais importante e definitiva que o Senhor Jesus tem feito ao longo da História é abrir à nossa vida passageira, débil, sofredora e moral a porta para um reino que não tem fim, onde Ele é rei e onde reinar é cuidar e mimar continuamente.

Finalmente, cair na conta de que, então, o que nos é pedido é estar em sintonia com Ele. A prática da misericórdia e da compaixão é o que mais nos assemelha a Deus e nos aproxima Dele; enquanto o desprezo e a indiferença face ao sofrimento dos outros é o que mais nos afasta. O Senhor não nos condena, pelo contrário. Seria absurdo e incompatível com tudo o que Ele fez e continua a fazer por nós. A proposta deste relato do Evangelho é refletir sobre a radicalidade da misericórdia e concluir que, entre o modo de ser do Pastor Rei e o egoísmo existem "diferenças irreconciliáveis".

Para refletir
O que sente uma pessoa quando, pela sua má prestação, se vê em risco de ser penalizada: reprovar no estudo, ou ficar desempregado, ou não ser convocado para a equipa, ou... ? Tristeza, certamente.

Quando o professor vê que o aluno corre o risco de reprovar, ou o patrão se apercebe que o trabalhar esta a ponto de ser demitido, ou o treinador adverte o jogador de que poderá não ser convocado... nenhum está a condenar, mas a provocar uma reação para uma boa prestação. Esta pode ser uma das conclusões do Evangelho de hoje.

María Dolores López Guzmán, em http://feadulta.com

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