Carta de Jesus Cristo aos homens de hoje: «Que fazes tu daquilo que dizes que Eu sou?»


Dizes que sou nascente abundante
e não vens beber.

Dizes que sou um vinho de grande reserva
e não te embriagas.

Dizes que sou brisa suave
e não abres as tuas janelas.

Dizes que sou luz
e segues pelas trevas.

Dizes que sou óleo perfumado
e não te unges.

Dizes que sou música
 não te ouço cantar.

Dizes que sou fogo
e continuas com frio.

Dizes que sou força divina
e estás muito frágil.

Dizes que sou advogado
e não me deixas defender-te.

Dizes que sou consolador
e não me contas os teus sofrimentos.

Dizes que sou dom
e não abres para mim as tuas mãos.

Dizes que sou paz
e não escutas o som da minha flauta.

Dizes que sou vento forte
e continuas sem mover-te.

Dizes que sou defensor dos pobres
e tu afastas-te deles.

Dizes que sou liberdade
e não deixas que te impulsione.

Dizes que sou oceano
e não queres mergulhar.

Dizes que sou amor
e não me deixas amar-te.

Dizes que sou testemunha
e não me perguntas.

Dizes que sou sabedoria
e não queres aprender.

Dizes que sou sedutor
e não te deixas seduzir.

Dizes que sou médico
e não me chamas para curar-te.

Dizes que sou hóspede
e não queres que entre.

Dizes que sou sombra fresca
e não te abrigas debaixo das minhas asas.

Dizes que sou fruto
e não me provas.

Texto: Florentino Ulibarri

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