O que nos ensina a raiz da palavra «Catequese»? A palavra vem do grego ‘katechein’ e quer dizer «fazer eco»


«Ser catequista é vocação» - a vocação é ser catequista e não trabalhar como catequista, afirmou o Papa Francisco aos participantes do Congresso Internacional sobre a Catequese organizado no âmbito do Ano da Fé (2013). «Ser catequista, essa é a vocação; não trabalhar como catequista. Vejam bem, não disse 'trabalhar como catequista, mas sê-lo', porque envolve a vida. E, assim, se conduz ao encontro com Jesus com as palavras e com a vida, com o testemunho", ressaltou.

Ser catequista não é algo pessoal, mas obra divina
Quando dizemos que alguém tem vocação, afinal o que queremos dizer? A palavra vocação vem do verbo no latim "vocare"(chamar). Assim vocação significa chamado. É, pois, um chamamento de Deus. Se há alguém que chama, deve haver outro que escuta e responde.

Ser catequista é uma vocação! É um convocação da parte de Deus para uma missão: «Não fostes vós que Me escolhestes, mas fui Eu que vos escolhi (Jo 15, 16).

Ser catequista é fazer eco
A missão do catequista está na raiz da palavra ‘catequese’. Esta vem do grego katechein e quer dizer «fazer eco».

Antigamente, a palavra catequese era escrita com ch: Catechese. Os franceses e italianos ainda hoje a escrevem com ch: cathéchèse” (em francês), catechesi (em italiano). Porque será? A palavra «catequese» é formada por duas palavras gregas katá (a partir de) + echos (voz, fala, eco), resultando: kat’echesis (é por isso que, antigamente, em português se escrevia “catequese” com “ch”. 

Também “eco” antigamente se escrevia com ch: echo. E todos sabemos o que é um eco.

Dentro da palavra “catequese” emerge a palavra “eco”. Ou melhor, catequese é o “ecoar de algo”. Este “algo”, na nossa tradição cristã, é a Palavra de Deus, que “ecoou-ressoou” sobre a Terra na pessoa de Jesus Cristo... E continua “ecoando” por todos os meios com que a Igreja anuncia a Palavra de Deus: Sacramentos, oração, catequese, conferências, comunicação social, livros, filmes, Internet... 

Jesus Cristo, Cat’echista eminente
Jesus Cristo foi aquele que fez ecoar de modo mais forte e mais profundo o “eco” do projeto salvífico do Pai. Ele foi um Cat’echista eminente!

Depois vêm os apóstolos que, cheios da energia do Espírito, a partir da experiência pascal revivida na escuta da Palavra e na “fração do pão”, fizeram “ecoar” para todos os recantos do mundo de então a grande novidade do Reino de Deus. 

E os apóstolos transmitiram aos seus sucessores este importante ministério, a saber, o de serem um permanente “eco” da presença viva do Ressuscitado, para que todos pudessem ter o privilégio de participar plenamente da vida nova que a Páscoa inaugurou. Os primeiros catequistas na tradição cristã eram os bispos. 

Estes, por sua vez, se fizeram rodear de inúmeros colaboradores diretos no ministério “catequético”, isto é, de “fazer ecoar” a Boa-nova, a partir da experiência pascal: presbíteros, diáconos e leigos, que faziam “ecoar” aos ouvidos e ao coração dos ouvintes o “eco” mais significativo que ressoa também hoje nas comunidades cristãs: “Anunciamos, Senhor, a vossa morte, proclamamos a vossa ressurreição. Vinde, Senhor Jesus!”

E os catequistas de hoje, onde se situam nessa história?

Frei José Ariovaldo da Silva, OFM, em A Catequese é um Pilar para a Educação da Fé 

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