«Porque teimamos em ter medo de Deus?» - uma meditação a partir da Parábola dos Talentos

Não somos suficientemente audazes quando não confiamos em quem nos confia uma tarefa, nem em nós mesmos.

Na Parábola dos Talentos, o terceiro empregado enterrou o talento porque desconfiava do seu patrão. Via-o como um homem severo, que colhe onde não semeou.

Só é audaz quem acredita no amor. Quem não acredita no amor, não o encontra nem o multiplica.

Santa Teresinha do Menino Jesus dizia que vemos Deus a comportar-se connosco conforme a imagem que fazemos d’Ele. Se acreditamos que Ele é um patrão severo, teremos de lidar com um patrão severo. O problema, portanto, está do nosso lado, quando nos fechamos ao amor.

Ao enterrar o talento que lhe fora confiado, o que o terceiro empregado enterrou foi o amor.

O amor dá fruto, edifica. Como ser mais amorosos?
Primeiro, se não nos sentimos capazes de amar, peçamos a Deus o Espírito Santo. Ele ajuda-nos a cultivar o amor. Se pedirmos O Espírito e deixamos que Ele nos oriente, o nosso amor vai aumentar cada vez mais e dar frutos: «É este o fruto do Espírito: amor, alegria, paz, paciência, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, autodomínio» (Gl 5, 16).

Segundo, pensemos no modo como Jesus amou e perguntemo-nos «O que faria Jesus no meu lugar?». Porque uma coisa é certa: se imitarmos Jesus, vamos sempre agir com amor.

Terceiro, exercitemos o amor que coloca a felicidade dos outros à frente da nossa. Se só nós somos felizes, seremos pobres. Quantos mais forem felizes à nossa volta, mais felicidade será partilhada connosco. A felicidade é, portanto, um bem que se multiplica quando é dado.

Porque teimamos em ter medo de Deus? 
O escritor José António Pagola, no seu livro O Caminho aberto por Jesus, escreve:
«Há dois factos que provocam o mal-entendido fatal que continua a afastar a cultura moderna de Deus:
- Por um lado, a modernidade, obcecada em salvaguardar o poder autónomo do Homem, não sabe ver em Deus um aliado, mas vê Nele o maior inimigo da sua felicidade.

- Por outro, a Igreja, receosa diante do novo poder que o Homem moderno vai adquirindo, não sabe apresentar-lhe Deus como o verdadeiro amigo e defensor da sua felicidade.»

Comentários