Uma Eucaristia bem celebrada, viva e dinâmica, é a melhor catequese

A fé para ser acolhida, celebrada e vivida precisa de liturgias - celebrações em oração - vivas e dinâmicas: Vivas, porque expressam a vida de Jesus mergulhada nos acontecimentos da nossa vida, e vice-versa; dinâmicas, porque celebradas na força (dynamis) do Espírito, isto é, com espiritualidade.

Espaço litúrgico
O próprio espaço litúrgico, quando, pela beleza de sua forma arquitectónica, pela harmonia de sua disposição interna (altar, mesa da Palavra, espaço da assembleia, cadeira da presidência, fonte batismal etc.) e sua iconografia, tudo em “nobre simplicidade” (cf. SC 34), quando assim se cria o ambiente próprio para os fiéis se sentirem de facto “igreja”, assembleia celebrante, pedras vivas do templo (cf. 1Pd 2,5), e poderem participar ativamente da celebração dos mistérios da fé, especialmente a Eucaristia, então o espaço goza de significativa força catequética: o espaço educa a uma fé que se traduz em espiritualidade comunitária.

O espaço litúrgico deve ser funcional, favorecer o encontro entre as pessoas e o encontro com Deus, e ser sinal do mistério que ali se celebra”. Sua arte, arquitetura, disposição e ornamentação a serviço da liturgia “contribuem para que a Igreja celebre e se manifeste como povo sacerdotal, ministerial, congregado e convocado pelo Senhor Jesus.

Música litúrgica
O canto e música hão de ser criteriosamente escolhidos de modo a corresponder com o mistério celebrado: as leituras, cada parte do rito e os diferentes tempos litúrgicos.

Como parte integrante e significativa da ação ritual, o canto e a música têm a especial capacidade de atingir os corações.

Proclamação da Palavra de Deus
A proclamação da Palavra de Deus na liturgia, quando feita por leitores bem preparados e com a consciência de que, “quando na igreja se lê a Sagrada Escritura, é o próprio Deus que fala ao seu povo, é Cristo presente na sua palavra que anuncia o seu Evangelho”, tal proclamação tem um imenso poder educativo da fé, pois faz com que a assembleia, ao ouvir a Palavra, viva uma profunda experiência do mistério de Deus. 

A maneira de proclamar a Palavra é o que mais move e convence. Como ensina a Igreja: “O que mais contribui para uma adequada comunicação da palavra de Deus à assembleia por meio das leituras é a própria maneira de proclamar dos leitores, que devem fazê-lo em voz alta e clara, tendo conhecimento do que leem”. Por quê? Porque, assim, fazemos a experiência de ouvir não mais um texto apenas, mas Alguém em pessoa, um Amigo que nos fala, nos confia seu segredo.

Homilia
Na homilia, sobretudo na maneira espiritual e orante com que é proferida, explicando a palavra de Deus e atualizando-a para o nosso agora (na celebração e na vida), o povo tem o direito e dever de sentir a voz do próprio Deus ecoando em seus ouvidos e corações.

Gestos, símbolos, ações simbólicas
Todos os gestos, símbolos e ações simbólicas na celebração litúrgica quando ‘trabalhados’ e realizados conscientemente, com autenticidade, de forma verdadeira, com amor, com espiritualidade e bom gosto, gozam de alto poder comunicativo com o mistério celebrado e, por isso mesmo, contribuem para uma viva experiência do mistério: educam a fé. Assim, benzer-se, bater com a mão no peito, sentar-se, ajoelhar-se, ouvir, ver, inclinar-se, cantar, rezar em silêncio, acompanhar a oração do presidente, etc., cada gesto, cada movimento, cada ação, tudo pode contribuir para a educação e crescimento na fé. Da boa ou má qualidade das celebrações litúrgicas depende em grande parte a boa ou má qualidade da vivência da fé cristã.

Presidência litúrgica
Presidir a liturgia significa estar diante da assembleia como sinal, ou, como dizem nossos irmãos orientais, como “ícone” do Cristo Bom Pastor. Bom Pastor que congrega e une a todos num só corpo em torno da mesa da Palavra e da Eucaristia; Bom Pastor que comunica não “palavras” mas a Palavra (Cristo vivo): proclamando o Evangelho, distribuindo o Pão da vida; bom Pastor que, unido à assembleia e em nome dela se comunica com o Pai na comunhão do Espírito: louvando, agradecendo, intercedendo, ofertando.

O formalismo frio, a rotina cansativa, a autoritarismo opressor e, no outro extremo, o estilo espectáculo, prestam um triste serviço à educação da fé pelo rito, pois bloqueiam ou desviam nossa atenção do essencial, que é a presença do mistério de Cristo.

Frei José Ariovaldo da Silva, OFM, em http://parabemcelebrar.blogspot.pt

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