Porque se celebra a noite de Natal com a “Missa do Galo”?
“Missa do Galo” é o nome da celebração litúrgica da
meia-noite, na véspera do Natal. A expressão vem da tradição, segundo a qual à
meia-noite do dia 24 de dezembro um galo cantou mais fortemente que qualquer
outro, anunciando o nascimento do Menino Jesus.
Há uma lenda que conta que o galo foi o primeiro animal a
presenciar o nascimento de Jesus, por isso ficou com a missão de anunciar ao
mundo o nascimento de Cristo, através do seu canto.
Por sua vez, os cristãos fizeram a comparação: assim como o
galo anuncia o nascer do Sol e o seu canto preludia o amanhecer, assim também a
Missa do Galo comemora e canta o nascimento de Jesus, o Sol nascente que vence
as trevas do mal.
O galo foi escolhido como símbolo desta celebração porque
ele representa, histórica e tradicionalmente, a vigilância, a fidelidade e a fé
proclamada no auge das trevas.
Por isso podemos ver, no topo do campanário das igrejas, um
galo proclamando para todos os quadrantes que Jesus nasceu.
A primeira Missa do Galo
A “Missa do Galo” foi celebrada pela primeira vez no século v pelo Papa Xisto III na então nova
basílica de Santa Maria Maior.
Nos primórdios da Igreja, os cristãos encontravam-se para
rezar na cidade de Belém à hora do primeiro canto do galo. Com a expansão da
Igreja para fora de Israel, na vigília do Natal os fiéis reuniam-se na igreja
mais próxima e passavam a noite a rezar e a cantar.
Até ao início do século xx,
a tradição ditava que, à meia-noite, o nascimento de Jesus era anunciado,
dentro da igreja, por meio do canto de um galo, real ou simulado.
Depois, durante a adoração ao Menino, as mulheres
depositavam doces caseiros e em troca recebiam pão bento ou pão do Natal.
Três missas de Natal
O Natal é uma das raríssimas datas litúrgicas que contemplam
três Missas diferentes: a da noite, a da aurora e a do dia.
Segundo o Papa São Gregório Magno, a Missa da noite, ou “do
Galo”, comemora a vinda de Jesus à Terra;
a Missa da aurora, comemora o nascimento de Jesus no coração
dos fiéis;
a Missa do dia, ou Missa de Natal propriamente dita, evoca o
seu nascimento tal como aconteceu.
Nas missas de Natal canta-se finalmente o «Glória» (que não
se entoou durante o Advento. E, em algumas igrejas, tocam-se as campainhas
assinalar o nascimento do Redentor.
A origem da Consoada
Nos primórdios da Igreja, jejuava-se durante a vigília do
Natal, como forma de desprendimento e convite à contemplação do grande mistério
que se ia celebrar. Comia-se apenas peixe – e em Portugal bacalhau, costume que
perdura.
Depois que se aboliu o jejum, no século xvii, o povo continuou a chamar
“consoada” à ceia de Natal. “Consoada” significa «pequena refeição» e era feita
após a “Missa do Galo”.
Após a “Missa do Galo”, as famílias voltavam para casa,
colocavam a imagem do Menino Jesus no Presépio, cantavam e rezavam em seu
louvor, faziam a Ceia de Natal e trocavam presentes.

Comentários
Enviar um comentário