Disseram-me que o Natal deu à luz o direito de nascer.
Mas eu vejo tantos que dão às trevas o direito de matar.
Disseram-me que o Natal era uma Criança.
Mas eu vejo que, para muitos, é um velho: o Pai Natal dos brinquedos.
Disseram-me que o Natal fez aliança entre dois mundos: o mundo de Deus e o mundo dos homens.
Mas eu vejo um "terceiro mundo" sem Deus e quase sem pessoas.
Disseram-me que o Natal era a festa da família.
Mas eu vejo tantas pessoas sem família e tantas famílias sem Natal.
Disseram-me que o Natal era a Paz entre os homens de boa vontade.
Mas eu vejo que de boa vontade apenas resta: "Se queres a paz, prepara a guerra".
Disseram-me que o Natal era o dia mais feliz das crianças.
Mas eu vejo crianças com fome no dia de Natal.
Disseram-me que o Natal era o dia da fraternidade universal.
Mas eu vejo pessoas a odiarem-se no dia de Natal.
Disseram-me que o Natal proibiu o Sol de se apagar.
Mas eu vejo homens que proíbem a noite de amanhecer.
Frei Manuel Rito Dias, em Livro da Vida

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