O Natal é uma festa cristã.
Mas atrai também não crentes, o que não deve ser menorizado pelos crentes.
O Natal é uma festa religiosa, cristã, celebrando a encarnação de Deus numa criança pobre e nascida numa manjedoura.
Mas nas sociedades ditas desenvolvidas de hoje o cristianismo já não é maioritário nem predomina culturalmente. E há nestas sociedades uma saudável separação entre o que é de César e aquilo que é de Deus, como acontece entre nós.
Ora, o Natal continua a ser celebrado por crentes e não crentes.
Claro que a descristianização do Natal tem aspectos negativos. Como a sua frenética comercialização, que começa logo a partir de Outubro. E como a transformação do Natal numa espécie de Halloween, por isso se fala tanto de “magia” e das crianças que acreditam no Pai Natal. Só que não são espectáculos considerados mágicos que conseguem afastar o vazio de valores e de esperança das sociedades pós-modernas.
Mas o Natal laico manteve traços positivos da sua origem cristã, que não devem ser menorizados pelos crentes. Como é o caso do hábito de dar presentes a familiares e amigos, gesto que pode não passar de uma simples obrigação de etiqueta social, mas que decorre em muitos casos, no fundo, de um sentimento de interesse pelos outros.
Ou, ainda, repare-se no lugar primordial em que o Natal coloca a reunião familiar (o que não impede que continuem a ser tomadas medidas que contribuem para destruir a família).
E há, sobretudo, o apelo do Natal à solidariedade para com quem sofre, por causa da pobreza e não só. Pode ser uma solidariedade momentânea e superficial, apenas para aliviar a consciência com um gesto inconsequente. No entanto, por vezes a solidariedade natalícia é capaz de ir além do costumeiro.
Temos, neste Natal português, um bom exemplo: a presença nos “media” dos sobreviventes dos trágicos incêndios florestais. E o gesto nobre e profundamente cristão do Presidente Marcelo de passar o dia 25 de Dezembro em Pedrógão Grande, Figueiró dos Vinhos e Castanheira de Pera, com famílias vítimas dos incêndios de 17 de Junho.
No fim do ano, o chefe de Estado estará em alguns dos locais mais atingidos pelos incêndios de 15 de Outubro, nomeadamente em Oliveira do Hospital e Vouzela, concelhos em que se verificaram mais vítimas mortais.
Os crentes na Encarnação de Deus sabem que Cristo disse que o que fizermos aos mais pobres e marginalizados a Ele o fazemos. Não por magia, mas gratuitamente, por doação ao outro, por amor.
Porque Deus é amor.
Francisco Sarsfield Cabral , em rr.sapo.pt

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