Universitários do Japão dialogaram com o Papa Francisco. Fizeram-lhe 100 perguntas. Ele escolheu e respondeu a 8

O Papa Francisco estava na Biblioteca do Palácio Apostólico, no Vaticano, enquanto os universitários estavam na Universidade Católica Sofia, de Tóquio (fundada pela Companhia de Jesus em 1913. O seu nome em japonês é Jochi Daigaku, que literalmente pode ser traduzido como Universidade de Grande Sabedoria).

A entrevista diálogo
O diálogo aconteceu na forma de perguntas e respostas. Eram 100 perguntas feitas pelos alunos e delas foram escolhidas 8 para serem respondidas pelo Papa.

A temática das perguntas girou em torno dos sentimentos do Papa depois de ser eleito, de como vencer a pobreza e cuidar do meio ambiente, passando também pela opinião de Francisco sobre os objetivos dos estudos universitários.

As alegrias do Papa
Dentre as perguntas feitas a Francisco, destacam-se três, a primeira foi sobre o seu pontificado. Foi colocada por uma jovem batizada este ano. 
- Qual foi a sua maior alegria depois de ter sido eleito Papa?
O Papa Francisco começa por dar-lhe os parabéns por estudar teologia, dizendo: 
- As mulheres que estudam teologia podem atingir uma profundidade que os homens não alcançam.
E respondendo à pergunta:
- Não é só uma, eu tenho muitas alegrias. Sobretudo fico muito contente quando posso conversar com as pessoas, quando posso saudá-las, de modo especial as crianças, os anciãos e os doentes.

Objetivos para os Universitários
Os estudantes perguntaram:
- Qual é o principal objetivo dos estudos universitários?
- Os jovens não podem viver a lógica da "meritocracia" de uma sociedade competitiva, correndo o risco de pensar apenas na carreira. A educação que não procura servir aos outros é uma educação que caminha em direção à falência. É uma educação que não evolui, que olha para si mesma e isto é perigoso. O lema da universidade Jochi Daigaku é a educação para os outros, uma universidade para os outros, uma universidade de serviço. E esta é uma grande riqueza.
Neste contexto, o Papa Francisco voltou a um tema que lhe é querido: as três linguagens da educação:
«Pensar, sentir, fazer:
Eu aconselharia uma educação baseada no pensar-sentir-fazer, isto é, uma educação com o intelecto, com o coração e com as mãos, três linguagens humanas. Educar para a harmonia das três linguagens, de modo que os jovens, os rapazes, as raparigas, possam pensar o que sentem e fazem, sentir o que pensam e fazem e fazerem o que pensam e sentem. Não separar as três coisas, mas todas juntas.
Não educar apenas com o intelecto: isto é dar noções intelectuais, que são importantes, mas sem o coração e sem as mãos, não serve. A educação deve ser harmoniosa. Mas pode também dizer-se: educar com os conteúdos, as ideias, com as atitudes da vida e com os valores. Mas nunca educar apenas, por exemplo, com as noções, as ideias. Não. O coração também deve crescer na educação; e também o "fazer", a atitude, a maneira de comportar-se na vida.»

Preocupações e esperanças para os jovens
- Quais são as maiores preocupações e esperanças para os jovens de hoje? - perguntaram os estudantes.
- A minha maior preocupação é quando o jovem perde a sua raiz e a sua memória. Um jovem sem raízes não consegue desenvolver-se. O caminho mais adequado para encontrar as raízes é encorajar os jovens a dialogar com os idosos.

Outros temas
Os jovens e o Papa Francisco falaram sobre o desmatamento na Amazónia, a pobreza e a questão dos migrantes no mundo e, no final, Francisco falou da imagem que  tem do Japão: um «povo com ideais, com uma profunda capacidade religiosa, um povo trabalhador, um povo que sofreu muito»; um país que enfrenta alguns problemas, como «a excessiva concorrência, a competitividade e o consumo».

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