A finalidade da religião é exercitar a pedagogia divina de modo que todos cheguem à maturidade espiritual. E o que é a maturidade espiritual?

O que é a maturidade espiritual?
A maturidade espiritual é dar mais valor ao que é duradouro, intemporal, inqualificável, indestrutível, do que ao que é material, perecível, finito. Como afirmou o apóstolo S. Paulo: «Mesmo se, em nós, o homem exterior vai caminhando para a ruína, o homem interior renova-se, dia após dia. Não olhamos para as coisas visíveis, mas para as invisíveis, porque as visíveis são passageiras, ao passo que as invisíveis são eternas» (Segunda Carta aos Coríntios 4, 16-18).

É o que o poeta (autor desconhecido) escreveu:
«Com dinheiro:
pode-se comprar uma casa, mas não um lar
pode-se comprar uma cama, mas não o sono
pode-se comprar um relógio, mas não o tempo
pode-se comprar um livro, mas não o conhecimento
pode-se comprar comida, mas não o apetite
pode-se comprar posição, mas não respeito
pode-se comprar sangue, mas não a vida
pode-se comprar remédios, mas não a saúde
pode-se comprar sexo, mas não o amor.»

A maturidade espiritual é possível nesta Terra?
A finalidade básica da nossa existência é desenvolver o amor, o amor verdadeiro e incondicional por nós mesmos e pelos outros.

A nossa natureza espiritual vem de Deus, que nos criou; a nossa natureza espiritual é visível em Jesus Cristo, que sendo Deus, por amor se fez humano, para que nós possamos participar da divindade, praticando o amor; e a nossa natureza espiritual desenvolve-se com o Espírito Santo. E os sinais de que estamos a ficar maduros espiritualmente é sermos capazes de ajudar os outros a crescer.

Lições de espiritualidade que se aprendem
Esta é a reprodução de uma suposta conversa com Jalal ad-Din Muhammad Rumi, um poeta, jurista e teólogo sufi persa do século XIII, sobre questões espirituais:

O que é veneno?
– É qualquer coisa para além do que precisamos. Pode ser poder, preguiça, comida, ego, ambição, medo, raiva, ou outra coisa qualquer.

O que é o medo?
– O medo é a não aceitação da incerteza. Se aceitamos a incerteza, esta pode tornar-se maravilhosa, na forma de aventura.

O que é a inveja?
– É a não aceitação do bem no outro. Se aceitamos esse bem, torna-se inspiração para nós.

O que é raiva?
– A raiva é a não aceitação do que está para além do nosso controlo. Se aceitarmos, torna-se em tolerância.

O que é ódio?
– É a não aceitação das pessoas como elas são. Se as aceitarmos incondicionalmente, então isso é amor.

Então, o que é a maturidade espiritual?
 É quando percebemos que a vida na Terra não é só terrena, mas vem de Deus, sustenta-se com Deus e voltará para Deus, e nos alegramos por e com isso.
 É quando aceitamos Deus como o Mais Importante.
 É quando aceitamos, amamos e colaboramos com as pessoas como elas são.
– Quando entendemos que há em todos uma verdade, na sua própria perspectiva.
– É quando aprendemos o verbo “deixar ir”. E nos concentramos na mudança que começa em nós mesmos.
– É quando somos capaz de não gerar expectativas numa relação e nos doamos pelo bem de nos doarmos.
– É quando entendemos que o que fazemos, fazemos, em primeiro lugar, para a nossa própria paz, e, daí se multiplica em paz para os outros.
– É deixarmos de querer provar ao mundo que somos bons, bonitos, inteligentes. Se o somos, não precisamos de provar nada. O que fazemos, demonstra-o.
– É não procurarmos a aprovação dos outros.
– É não nos comparmos com os outros.
– É deixarmos de anexar a “felicidade” às coisas materiais, ao ter, ao cobiçar, ao exibir, ao impor... 

Comentários