Inicio esta crónica esclarecendo que o que aqui escrevo é,
só e apenas, o meu ponto de vista sobre os diversos temas. Como católico
"praticante" – esta palavra causa-me uma certa "alergia" –
procuro refletir a vida quotidiana à luz do Evangelho e dos valores a ele
agregados.
E começo por explicar porque o "praticante" faz-me
confusão. Não conheço nenhum atleta de alta competição
"não-praticante": ou é ou não o é. Não conheço um homem ou mulher
casados "não-praticantes": ou são casados ou solteiros ou
divorciados. Não existem meios termos.
Outra coisa é o definir o que é ser praticante. Ir à missa
ao domingo? Ser batizado, ter a 1ª Comunhão e ser casado pela Igreja? Aqui
entramos, de facto, no cerne da questão. Todos sabemos que apenas isto... Não
basta! E não me demoro mais por aqui, porque os meus textos procuram esclarecer
o que é isto de ser "praticante" ou, e apenas, Católico.
E é por abordar a questão da Eucaristia que eu quero
refletir hoje. Este fim de semana participei na missa e, por acaso, presenciei
à homilia de uma outra. Portanto, ouvi duas homilias.
A reflexão feita pelo padre da primeira pregação foi
entusiasmante. Além de ligar o Evangelho deste domingo ao anterior e ao
próximo, que abordará a cura da sogra de Pedro, o pregador preocupou-se por
salientar o tempo novo que vivemos. Na semana passada ouvimos: «Cumpriu-se o
tempo e o reino de Deus está próximo. Arrependei-vos e crede no Evangelho» (Mc
1, 15). E é graças a este «cumprimento» que vem a necessidade da conversão, da
mudança de vida. Jesus revela Deus na sua plenitude. Eis a razão por Ele ter
tamanha autoridade no evangelho deste domingo (cf. Mc 1, 22. 27).
A mensagem que colhi foi esta: se estamos no último dos
tempos, não posso perder este tempo com a mesquinhez dos meus dias. Tenho que
endireitar "as veredas". Tenho que examinar se estou no bom caminho e
o que tenho que fazer para corrigir o sentido desta peregrinação.
Saí desta Eucaristia "mandatado" a emendar-me e a
examinar se sou um bom católico; se vivo na "Alegria do Evangelho". O
demónio, naquele homem possuído, nada pode contra Jesus. Não me mete medo.
Naquele tempo aliás, segundo estudos recentes, todas as doenças que modificavam
a personalidade humana, sobretudo as psíquicas, eram atribuídas aos espíritos
impuros. Por isso, muitos daqueles curados por Jesus nem eram possuídos pelo
mal. Neste trecho, demonstra o poder de Jesus sobre toda a realidade. Ele é Rei
e começou a reinar. O Senhor está a revelar-se. E na atualização da Palavra,
continua a revelar-se a mim.
A reflexão feita pelo segundo padre foi triste. Mais do que
anúncio desta bela notícia, que é o início da vida pública de Jesus e o que ele
pretende para nós, foi a "denúncia" da distância entre esta
"bela notícia" e nós... A homília tornou-se uma "acusação".
O sacerdote, pegando na imagem daquele homem possuído, passou a explicar que
"muitos católicos não se confessam bem e depois não se sentem
aliviados". A imagem de Deus, neste "Jesus", foi o de um juiz
terrível e quase sedento de "ajuste de contas"...
A homília pode partir de uma denúncia, mas deve, acima de
tudo, ser anúncio de alegria. Por isso é que tantas vezes vemos os católicos a
saírem da missa como se tratasse de um funeral. Se um crente já tem dúvidas em
confessar-se, acredito que fique decidido a não fazê-lo. Fica com a consciência
errada de que nunca chegará perto do estado de perfeição que é o Evangelho. Por
mais que faça, ficará sempre aquém das espectativas.
A palavra do padre tem que ser uma denúncia do que ainda não
fizemos, mas alegria por aquilo que já percorremos. A pregação deve ser ela
mesma positiva, boa e feliz como é a "boa notícia" que é o próprio
Evangelho.
A palavra e a vida do cristão tem que ser semente de
esperança num mundo cada vez mais triste e sem sentido.
Votos de uma semana alegre e esperançosa.
Paulo Victória, cronista de iMissio

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