As crianças têm dúvidas em assuntos
do coração, da mente e da alma para as quais precisam de respostas. Eis algumas:
1 – «Porquê tenho de pedir desculpa
e os meus pais não?»
As crianças começam a aprender o
que é certo e o que é errado nos primeiros anos de vida. E os seus primeiros
educadores nesta matéria são os pais e outras figuras de autoridade, com o que dizem
e fazem.
Embora os adultos mantenham uma autoridade
moral que justifica a obediência dos filhos, não demora muito até que as
crianças comecem a notar que também eles erram.
A forma como os pais lidam com os
próprios erros influenciará o modo como as crianças assumirão os seus: pedirão
desculpa e se emendarão, ou desculpar-se-ão atribuindo as culpas a outros ou ao
azar.
2 – «Porque me dizem os meus pais
que é uma “decisão de adultos” separarem-se e o novo namorado ou namorada
estarem a viver lá em casa?»
As crianças ficam incomodadas
quando os pais são rápidos a tomar decisões com consequências na sua situação
de vida, sem as preparar, salvaguardar nem proteger.
3 – «Eu não gosto que ele/ela fume,
porque não quero que o meu pai/ a minha mãe morra.»
Qualquer mau hábito – relacionado
com comida, bebida, tabaco, dependência do trabalho, vícios com jogo, droga,
relacionamento fora do matrimónio, por exemplo – entristece as crianças, por
temor de perda de saúde dos pais ou porque afete os laços e vínculos.
4 – «Mãe e pai estão sempre a discutir
e ficam irritados com tudo.»
É provavelmente uma das experiências
mais comuns nas famílias. Discutir é habitual, mas as crianças não o entendem
sempre assim, e imaginam que o desfecho poderá ser a separação dos pais. Por
outro lado, as emoções negativas têm mais força e expressão do que as
positivas, e as crianças sentem que, em casa, as situações de irritabilidade e
nervosismo são mais abundantes do que as situações felizes.
5 – «O meu pai nunca o faz,
porque deveria eu fazer?»
Um rapaz pode dizer: «O meu pai
nunca se levanta do sofá para ajudar, porque deverei fazê-lo?» E a menina terá
argumentos semelhantes relacionados com a mãe.
6 – «Nunca ouço nada sobre o que
faço bem.»
É mais frequente chamar à atenção
os filhos quando fazem algo errado do que elogiá-los, agradecer-lhes,
abraçá-los, beijá-los e enchê-los de mimos. No entanto, estudos dizem que os comentários
regulares sobre as coisas boas não só ajudam a cimentar a sua prática, mas
também diminuem a probabilidade de fazer coisas erradas.
7 – «Gozam comigo por dizer
“papá” e “mamã”.»
As expressões «papá», «mamã»,
«vovô», «vovó», «bisa», «mano», «mana», «titi» refletem um estilo de relação que
é de felicitar. Não é lamechice nem infantilidade.
8 – «Quando os meus colegas
brincam comigo, ou tem uma hora para voltar para casa ou os pais vão chamá-los.
Também os levam à catequese e vão buscá-los. Comigo isso não acontece.»
Os filhos percebem que há
prioridades, que existem assuntos importantes, que é normal os pais
preocuparem-se com o bem-estar e o melhor futuro para eles. Se isso não
acontece, sentem-se magoados, defraudados, negligenciados.
Adaptado de Jim Schroeder, psicólogo infantil, em Aleteia

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