Oito coisas que as crianças contam aos psicólogos, mas não aos pais

As crianças têm dúvidas em assuntos do coração, da mente e da alma para as quais precisam de respostas. Eis algumas:

1 – «Porquê tenho de pedir desculpa e os meus pais não?»
As crianças começam a aprender o que é certo e o que é errado nos primeiros anos de vida. E os seus primeiros educadores nesta matéria são os pais e outras figuras de autoridade, com o que dizem e fazem.
Embora os adultos mantenham uma autoridade moral que justifica a obediência dos filhos, não demora muito até que as crianças comecem a notar que também eles erram.
A forma como os pais lidam com os próprios erros influenciará o modo como as crianças assumirão os seus: pedirão desculpa e se emendarão, ou desculpar-se-ão atribuindo as culpas a outros ou ao azar.

2 – «Porque me dizem os meus pais que é uma “decisão de adultos” separarem-se e o novo namorado ou namorada estarem a viver lá em casa?»
As crianças ficam incomodadas quando os pais são rápidos a tomar decisões com consequências na sua situação de vida, sem as preparar, salvaguardar nem proteger.

3 – «Eu não gosto que ele/ela fume, porque não quero que o meu pai/ a minha mãe morra.»
Qualquer mau hábito – relacionado com comida, bebida, tabaco, dependência do trabalho, vícios com jogo, droga, relacionamento fora do matrimónio, por exemplo – entristece as crianças, por temor de perda de saúde dos pais ou porque afete os laços e vínculos.

4 – «Mãe e pai estão sempre a discutir e ficam irritados com tudo.»
É provavelmente uma das experiências mais comuns nas famílias. Discutir é habitual, mas as crianças não o entendem sempre assim, e imaginam que o desfecho poderá ser a separação dos pais. Por outro lado, as emoções negativas têm mais força e expressão do que as positivas, e as crianças sentem que, em casa, as situações de irritabilidade e nervosismo são mais abundantes do que as situações felizes.

5 – «O meu pai nunca o faz, porque deveria eu fazer?»
Um rapaz pode dizer: «O meu pai nunca se levanta do sofá para ajudar, porque deverei fazê-lo?» E a menina terá argumentos semelhantes relacionados com a mãe.

6 – «Nunca ouço nada sobre o que faço bem.»
É mais frequente chamar à atenção os filhos quando fazem algo errado do que elogiá-los, agradecer-lhes, abraçá-los, beijá-los e enchê-los de mimos. No entanto, estudos dizem que os comentários regulares sobre as coisas boas não só ajudam a cimentar a sua prática, mas também diminuem a probabilidade de fazer coisas erradas.

7 – «Gozam comigo por dizer “papá” e “mamã”.»
As expressões «papá», «mamã», «vovô», «vovó», «bisa», «mano», «mana», «titi» refletem um estilo de relação que é de felicitar. Não é lamechice nem infantilidade.

8 – «Quando os meus colegas brincam comigo, ou tem uma hora para voltar para casa ou os pais vão chamá-los. Também os levam à catequese e vão buscá-los. Comigo isso não acontece.»

Os filhos percebem que há prioridades, que existem assuntos importantes, que é normal os pais preocuparem-se com o bem-estar e o melhor futuro para eles. Se isso não acontece, sentem-se magoados, defraudados, negligenciados.

Adaptado de Jim Schroeder, psicólogo infantil, em Aleteia  

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