10 frases dos primeiros cristãos acerca da relação dos crentes com a riqueza

Os grandes autores cristãos dos primeiros séculos do cristianismo, que tinham diante de si a tarefa de explicar a doutrina cristã aos fiéis são chamados Padres da Igreja.

Os seus ensinamentos sobre a relação entre o cristão e o dinheiro eram muito claros e bastante unânimes:

São João Crisóstomo, +407, na Homilia 13 sobre a I Carta a Timóteo:
«Como pode ser bom aquele que possui riqueza? Não é bom, exceto quando dá aos outros. Enquanto ele a guardar para si não pode ser bom. Entretanto, como algo pode ser bom se, guardado, mostra que somos maus e, distribuído, mostra que somos bons? O que nos torna bons não é o ter, mas o não ter riquezas.»

São Clemente de Alexandria, +215, em O pedagogo:
«O uso dos bens é determinado pela necessidade, que pode ser satisfeita com muito pouco. Deus nos deu a possibilidade do uso, mas apenas dentro dos limites do necessário. É, portanto, um absurdo que apenas uns poucos vivam entre delícias, enquanto muitos se acham na miséria.»

«Deus conduziu o ser humano à comunhão, dando primeiramente as suas coisas e colocando à disposição de todos os homens, como ajuda, o seu Verbo. Fez tudo para todos. Todas as coisas são, por isso, um bem comum, e os ricos não devem pretender mais do que os outros. Dizer: “Tenho até de sobra, por que não desfrutaria?” não é nem humano nem social. Eis, ao contrário, a prova do amor: “tenho, então por que não dar aos pobres?”.»

São Basílio Magno, +379, na Homilia 6, 6-8:
«Aquele que despoja um homem de suas vestes recebe o nome de saqueador. E aquele que, podendo fazê-lo, não veste a nudez do mendigo, merece por acaso outro nome? Ao faminto pertence o pão que você retém. Ao homem nu, o manto que você guarda até nos seus cofres. Ao que anda descalço, o calçado que apodrece em sua casa. Ao miserável, o dinheiro que você guarda escondido.»

Na Homilia sobre a avareza, 4-5:
«Como uma fonte fornece água sempre mais pura quanto mais pessoas dela se servem, enquanto a água parada apodrece se dela não se faz uso, assim também acontece com a riqueza que jaz inútil. Se ela, porém, for movimentada, então torna-se frutuosa, útil para a comunidade.»

São Gregório Magno, +604, em Regra Pastoral:
«Aqueles que não partilham o que receberam causam cruelmente a morte de seus próximos, porque todos os dias matam todos os que morrem de pobreza, negando-lhes socorro e apenas acumulando riquezas para si próprios. Quando damos aos pobres algo de que necessitam, não estamos dando o que é nosso, mas estamos desenvolvendo o que lhes pertence. Estamos pagando uma dívida de justiça, e não realizando uma obra de misericórdia.»

Santo Agostinho, +430, no Comentário ao Salmo 131:
«Quem quiser dar lugar ao Senhor em suas vidas deve se alegrar não com a posse de bens materiais, mas em partilhar bens comuns. Os primeiros cristãos transformaram em bens comuns seus bens individuais. Por acaso perderam o que consideravam seus bens? Não. Se seus bens continuassem como propriedades exclusivas, cada um teria apenas o que era seu. Mas, quando transformaram em bens comuns seus bens individuais, cada um passou a ter como seus os bens que eram dos demais.»

São João Crisóstomo, +407, na Homilia sobre a II Carta aos Coríntios, 12, 5-6:
«O verdadeiro bem-estar não está na posse de muitos bens, mas no fato de não se sentir nem mesmo a necessidade de possuí-los.»

Homilia sobre as estátuas, 2, 5-6: 
«Nós construímos casas para morar, não para trazer-nos glória. O que ultrapassa a necessidade é supérfluo e inútil. Experimente calçar um sapato maior que o pé: você não o suportará, porque ele o impede de caminhar! Assim também uma casa maior do que você precisa vai atrapalhá-lo na sua caminhada para o céu.»


São Gregório de Nazianzo, +390, na Homilia 24 sobre o amor aos pobres:
«Vocês acham que a humanidade para com o próximo não é necessidade, mas um ato opcional? Que não é uma lei, mas apenas um conselho? Eu mesmo desejaria que assim fosse e assim eu passaria a pensar. Mas temo o lado esquerdo, os cabritos e as imprecações do Juiz (cf. Mt 25, 31-46). Isso mesmo: não foi porque roubaram, cometeram sacrilégios ou adulteraram, nem porque cometeram qualquer outro ato proibido que esses pecadores foram condenados. Foi porque não cuidaram de Cristo na pessoa dos pobres.»

Citações recolhidas do volume Pobreza e Riqueza, da coleção Cadernos Padres da Igreja, da editora Cidade Nova.


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