A via-sacra explicada pelos jovens deste século

O Papa Francisco quis que, no ano dedicado ao Sínodo dos Jovens (entre 3 e 28 de outubro próximo), fossem estes a comentar as estações da Via-Sacra no Coliseu.

Escolheu o professor Andrea Monda, que ensina no liceu clássico Pilo Albertelli, e este coordenou um grupo de 15 jovens (duas jovens decidiram fazer a meditação sobre a mesma estação), alunos do liceu e universitários, de 16 a 26 anos, que se aventuraram numa incumbência geralmente reservada a teólogos, sacerdotes, bispos e cardeais.

A indicação do professor foi simples: «Fechem os olhos e caminhem com Jesus pelas ruas de Jerusalém. Basta isto. Depois deixem falar o vosso coração e a vossa inteligência, sem filtros.»

«O que posso antecipar é que é uma abordagem absolutamente original dos textos que todos conhecemos», comenta o professor Andrea. «Basta dizer que alguns destes jovens nasceram em 2001: é o olhar de um "millennial" sobre o mistério da vida e da morte que caracteriza a história do homem.»

Os textos já estão disponíveis no sítio do Vaticano, em italiano: Via-Sacra presidida pelo Papa Francisco no Coliseu - 2018

Nas meditações, fala-se de novas tecnologias, de smartphones e computadores, de migrantes e de dignidade (perdida e reencontrada). Uns destacaram o "sentimento de injustiça na condenação de Jesus", outros, "o paradoxo da Cruz, que somente numa dimensão de fé é percebido como instrumento de salvação".

Nas meditações fala-se sobretudo de dor. «Lembro uma passagem, por exemplo, em que um deles escreve que desejaria evitar ver a cena da morte de Cristo.  Preferiria não olhar porque "nós – fala em nome dos jovens – vivemos numa sociedade que não aceita a dor, não estamos mais acostumados a lidar com ela, parece sem sentido, como um escândalo que precisa ser evitado a qualquer custo"».

E foi exatamente através do Caminho da Cruz, reflete Monda, que «os jovens tiveram a possibilidade de recuperar uma maior consciência, que os levou pelo caminho da busca de sentido para o mistério da dor». 

No final da subida ao Calvário, há a cruz mas também a esperança: «uma jovem fez uma reflexão sobre o sepulcro de Cristo, que também é  o nosso, onde muitas vezes não se tem a coragem de descer, mas que continua sendo, no final, o caminho privilegiado para a ressurreição».

A Via-Sacra do Coliseu decorre na Sexta-feira Santa, este ano a 30 de março, pelas 20h15 em Portugal.


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