Todas as famílias já se perguntaram em algum momento: porquê o meu filho não me obedece?
Às vezes, a criança obedece à professora, mas não aos pais; outras vezes, é obediente apenas a um dos pais e não ao outro. E, em alguns casos, as crianças obedecem de vez em quando, mas não sempre.
Existe uma explicação para isso, e uma maneira de mudar. Maria Montessori - educadora, médica e pedagoga italiana - respondeu a estas perguntas e explicou como os adultos podem tornar-se dignos da obediência da criança, no seu livro Mente Absorvente.
No livro, Montessori explica que a obediência se desenvolve em três níveis, e que só no terceiro a criança consegue obedecer de verdade. Vamos conhecer os três níveis e entender como ajudar a criança em cada um deles.
1. Primeiro nível da obediência
As crianças que estão no primeiro nível da obediência obedecem de vez em quando, mas não obedecem sempre. A obediência exige que a criança abra mão do que ela gostaria de fazer, para executar o que outra pessoa pediu. No primeiro nível, a criança obedece quando a sua vontade e a da pessoa que pediu são iguais, ou, mais raramente, quando tem sucesso em suplantar a sua vontade pela do outro.
«Ela só faz as coisas quando quer!», é o que pensa o adulto. Todavia, por enquanto, a criança ainda não amadureceu o suficiente para abrir mão da sua vontade pela vontade do outro. Nesse período, continuar a oferecer à criança um comportamento adulto paciente e útil.
2. Segundo nível da obediência
O segundo nível da obediência parece ser o mais crítico de todos. Nele, a criança tem muito mais sucesso em suprimir a sua vontade e executar a vontade do outro. Ela está suficientemente desenvolvida para obedecer com muita frequência. Mesmo assim, de vez em quando falha, porque afinal de contas ela tem vontades, e por vezes vai se opor à nossa vontade.
Nesse período, quase todos os adultos vivem uma disputa eterna com as crianças, que pode durar muitos anos. Como sabem que a criança é capaz de obedecer, os adultos usam todas as ferramentas que têm para chegar à obediência. Castigos e prémios, recompensas e chantagens, tudo aparece nesse período, para conquistar a obediência da criança. Geralmente não funciona. Mas mesmo quando funciona, tudo o que essas ferramentas fazem é impedir a criança de chegar ao terceiro nível.
3. Terceiro nível da obediência
No terceiro nível da obediência acontece a magia de Montessori. A criança deixa de obedecer porque é capaz, e passa a obedecer porque deseja e sente gosto. Todavia, não são todos os adultos que ganham esse ponto de confiança das crianças. Existe adultos a que as crianças gostam de obedecer e outros que não. A criança obedece com gosto aos adultos que ela admira. Ela obedece feliz quando obedece porque admira, pois as ordens são razoáveis.
O adulto admirável é o adulto fascinante
Quem é o adulto que a criança admira? O adulto que consegue compreender as necessidades da criança, organizar para ela um excelente ambiente, ter com ela um comportamento elegante, cuidadoso, amoroso e firme, que a ajuda a conquistar a própria independência e que respeita a sua necessidade de trabalhar sozinha sem ser interrompida… Esse é o adulto admirável. A criança olha para esse adulto e pensa: «Ele é sábio. Ele me vê por dentro. Se eu seguir o que ele pede, posso tornar-me alguém assim.» E a criança obedece não porque ela é menor, mas porque os adultos são fascinantes e ela deseja se transformar num adulto fascinante também.
Quem é o adulto insuportável?
É aquele que faz a criança parar no segundo nível da obediência, que leva a um mundo de pessoas obedientes em excesso, que questionam pouco as regras absurdas do nosso mundo e estão dispostas até mesmo a matar e morrer por obediência cega a líderes ruins.
Em Montessori não defendemos crianças disciplinadas, mas autodisciplinadas, não as que obedecem cegamente, mas as que podem escolher obedecer quando a vontade do outro é melhor que a sua, e vale a pena abrir mão da sua para seguir uma que é melhor e, sobretudo, admirável.
Fonte: https://larmontessori.com
Hiperligações par aprofundamento:
e 16 práticas dos bons pais/educadores
1. Oferecer um ambiente propício
Organizar um espaço com jogos, material adequado, iluminação, ventilação e segurança. E as crianças aprenderão muitas coisas.
2. Evitar criticar em excesso
Filhos de pais muito rígidos e críticos crescem a julgar tudo e todos.
3. Valorizar o esforço das crianças
Elas aprenderão a reconhecer que grandes resultados envolvem grandes esforços.
4. Evitar mostrar hostilidade
A criança deve sentir-se segura para pensar e agir sem medo de ser friamente criticada.
5. Ser verdadeiros e justos
A criança que aprende cedo o sentido de verdade e justiça sente-se segura para confiar na família e torna-se confiável.
6. Evitar ridicularizar as crianças em público
Quando isso acontece, as crianças ficam mais tímidas e retraídas.
7. Mostrar à criança pode confiar
Evitar colocar a criança em situações de risco ou fragilidade.
8. Ensinar como aprender com os erros
Quando não se sabe lidar com as próprias falhas, o sentimento de culpa torna-se excessivo. É preciso ajudar a criança para que reconheça os erros e assuma as responsabilidades.
9. Ouvir e levar em consideração as ideias das crianças
Muitos pais caem no erro de ignorar o que o filho diz por achar que as crianças nunca têm algo relevante para dizer. Mas, para os pequenos, tudo o que dizem é sempre relevante. E, sentindo-se escutado, sentir-se-á parte da família e bastante respeitada.
10. Gerir as necessidades das crianças
Educar que nem tudo pode ser conquistado imediatamente, ou seja, que é preciso ter paciência e perseverança.
11. Encorajar
Mostrar à criança que a excelência e a felicidade é caminhar em direção do mais belo, do melhor, do mais proveitoso.
12. Mostrar às crianças (sobretudo aos filhos) que são amadas
O amor é um grande potencializador da aprendizagem da sociabilização.
13. Não falar mal das crianças nem à frente nem nas costas delas
Esse tipo de atitude só faz os pequenos se sentirem desrespeitados.
14. Concentrar-se nos pontos positivos das crianças
Mostrando, desse modo, as qualidades que devem permanecer na criança.
15. Respeitar sempre as crianças
Elas são protagonistas da sua própria história e precisam de desenvolver habilidades. Para isso, deixar que elas façam sozinhas o que são capaz de fazer. E mostrar-lhes como estão a progredir.
16. Oferecer o melhor que se pode dar às crianças
Ensinar valores, passar bons sentimentos e ter momentos únicos que as crianças nunca vão esquecer.

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