As mulheres cristãs nas reivindicações femininas: «Hoje o ambiente é a favor da igualdade das mulheres, e a Igreja não muda»

O mundo ocidental mudou, entre outras coisas, porque admitiu a igualdade das mulheres na sociedade. Custou muitas lágrimas e censuras contra as pioneiras mas, embora ainda existam sectores da sociedade que a veem com maus olhos, foram caindo todos os que se opunham.

Mas o mais assombroso é que a Igreja Católica, que tem como regra a defesa dos sectores mais desfavorecidos, se mostre relutante em admitir as mulheres nos órgãos de poder. Com isto perde prestígio e não pode defender a palavra dos mais fracos porque os seus opositores lhe dizem que, antes de dar conselhos, arrume a sua casa.

Concordamos que o nosso credo nasceu numa sociedade patriarcal que negava direitos às mulheres, apesar de Paulo afirmar em Gálatas 3, 28 que na Igreja de Cristo não podia haver diferenças entre homens e mulheres. 

O nosso credo foi contaminado pelo ambiente em que se desenvolveu e é compreensível, mas hoje o ambiente é a favor da igualdade feminina, e a Igreja não muda.

O mais pungente é que estão a faltar vocações sacerdotais e muitas comunidades continuam sem a Eucaristia, que é o centro da nossa fé, sem líderes e sem que os cuidados e responsabilidades sejam partilhados. 

Muitas vozes se erguem, principalmente nas regiões periféricas, a pedir que a Igreja se renove e aceite mulheres em cargos de poder. O argumento que nega essa possibilidade baseia-se na tradição, fundamentando-se em tempos distantes, quando as mulheres – diziam os grandes pensadores e teólogos – não tinham capacidades de liderança e tinham sido criadas para a maternidade e auxílio ao varão.

A Igreja atribui grande importância aos símbolos e eles têm-na. Os sacramentos são símbolos da graça e da presença de Deus no mundo, um mundo que, desde o Concílio Vaticano II, nós não desprezamos pois é o ambiente em que vivemos e nós valorizamos o que ele tem de bom: democracia nos governos, igualdade entre todas as pessoas, a luta contra a violência, a justiça para todos, o direito a uma vida digna...

Se assim é, como é que se pode defender, nos dias de hoje, a participação nula das mulheres no governo da Igreja? Uma comissão está a estudar a possibilidade de aceitar o diaconado para as mulheres, mas estão "encher chouriço", já passaram muitos meses e não chegam a nenhuma solução, o que nos faz pensar que há muita gente que se opõe.

Basta ver que muitos pastores anglicanos vieram para a nossa igreja quando viram mulheres com colarinho no altar. A luta continua e as árvores tombam para lado em que se inclinam... mas muitas de nós não verão isso. Mas isto sim,  ninguém nos pode arrancar a esperança.

Isabel Gómez Acebo*, em Periodista Digital.com

Isabel Gómez Acebo nasceu em Madrid em 1940.
Formou-se em Ciências Políticas pela Universidade Complutense e em Teologia pela Universidade de Comillas, onde ensinou Teologia até à aposentação. Ele preside e dirige a Fundação Sagrada Família, uma entidade dedicada a lares de idosos com três centros em Madrid. É casada e mãe de 6 filhos.

Membro fundador da Associação de Teólogos espanhóis, pertence à Associação Europeia de Mulheres para Pesquisa Teológica ESWRT e faz parte do comité científico da EFETA, uma associação que ensina dois cursos sobre teologia feminina online.
Ele dirigiu e participou da coleção de teologia En Clave de Mujer editada por Desclée de Brouwer, com 25 títulos publicados. 
Escreveu em vários livros colectivos, em revistas espanholas e estrangeiras e participou de numerosas conferências teológicas nacionais e internacionais.


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