Na Bíblia, o pecado não tem um significado moralista, não é uma transgressão da lei. Pecar é errar o alvo

A palavra «pecado» deriva do grego hamartia, que significa «errar o alvo, falha em atingir a marca, falha em alcançar a finalidade para a qual se foi criado».

Visão religiosa do pecado
Na Bíblia, o pecado é o resultado de uma escolha livre, porém, má, das pessoas, que abandonam a amizade com Deus e se tornam más para si mesmos e para os outros. Ler, por exemplo, Gn 3, 1-6: história de Adão, Eva e a Serpente; Is 48, 8: «Eu sabia como sois infiéis, e que desde o ventre materno vos chamam rebeldes»Rm 1, 18-32: pecado é a imoralidade e as injustiças; 1 Jo 3, 4: «O pecado é a iniquidade.»
Com o tempo, foi-se criando uma lei para reorientar as pessoas para Deus e regularizar as relações interpessoais. Com isso, gerou-se  a ideia de que pecar é a transgressão da Lei de Deus

Visão cientifica do pecado
A ciência considera os humanos na sua natureza animal, mas dotados de consciência e vontade.
Para a ciência, os animais não pecam - no sentido original do termo e, sobretudo, quando se entende o pecado como transgressão da lei - porque vivem segundo a sua natureza e não experimentam nenhum sentimento de culpa por causa do seu comportamento.
De modo semelhante, para a ciência, as pessoas vivem segundo a sua natureza e, pelos seus dotes, são livres de fazer o que entendem como bem e de ter atitudes destrutivas para se defender.
No entanto, não deixou de ser necessário haver leis, porque não se faz o bem com más atitudes - como omitir, mentir, aproveitar-se da ingenuidade ou fragilidade dos outros, nem é bom quando se usa o mal para querer dar a entender que se faz o bem, por exemplo: uma pessoa que compra muitos livros de um amigo, para que ele tenha a ideia de que está a ter êxito.

Pecar é errar... Perdoar é indignar-se: é detestar o que é indigno
As pessoas não são perfeitas. Durante a vida, há sempre a possibilidade de evoluir. Não o fazer é que é pecar.

Ao pecado está associado o sentimento de culpa - mas que precisa de ter a dose certa, demarcada pelos valores humanos e religiosos, aquilo que nos ajuda a considerar algo como ético e justo.

O sentimento de culpa tem poder transformador. Na dose certa, é um sentimento positivo, é responsabilizar-se. É sinónimo de perguntar: Fiz bem ou mal? Fiz conscientemente ou sem querer? Quis magoar ou aproveitar-me dos outros ou não? Se fiz mal, que devo fazer para corrigir e compensar?

Quem se responsabiliza pelos seus atos culpa-se no bom sentido pelo que faz de errado, aprende com o que aconteceu, identifica os erros e procura evitá-los no futuro. E a isso chama-se perdoar-se.

Quanto mais uma pessoa tiver consciência dos seus atos e souber amar os bons e indignar-se com os maus, menor será o impacto e a durabilidade dos seus erros/pecados.

Como diz a frase: «Errar é humano, permanecer no erro é idiotice.»

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