«O que há de atrativo em Jesus Cristo? Porque há quem o deseja conhecer?» - comentário ao Evangelho do 5.º Domingo da Quaresma
O Evangelho que a Igreja propõe neste domingo é de S. João 12, 20-33. Podes ler aqui: Bíblia católica online: Jo 12
O teólogo espanhol José António Pagola ajuda-nos a meditar nesta Palavra de Deus.
Alguns peregrinos gregos que tinham ido celebrar a Páscoa dos judeus aproximaram-se de Filipe - um dos 12 apóstolos, natural de Betsaida, como Pedro e André. Fazem-lhe um pedido: «Queremos ver Jesus.»
Não é simples curiosidade o que move os gregos. É o desejo profundo de conhecer o misterioso atrativo que se encerra naquele homem de Deus. Também a eles podia fazer bem andar com Jesus.
As pessoas que andavam com Jesus eram reconhecidas pela sua proximidade com Ele e pela confiança no Mestre. Por isso, para quem quer conhecer Jesus, os discípulos são testemunhas e intermediários desse caminhar com Senhor. E daí que os gregos se dirijissem a um dos doze.
Filipe acha o assunto tão importante que decide não agir sozinho, mas vai contar a André e ambos foram dizer a Jesus.
Pode-se ver que Jesus está preocupado. Dentro de dias será crucificado. Quando lhe comunicam o desejo dos peregrinos gregos, ele pronuncia palavras desconcertantes. «Chegou a hora do Filho do homem ser glorificado.» Quando ele for crucificado, todos poderão ver claramente onde está sua verdadeira grandeza e a sua glória.
Provavelmente ninguém entendeu nada. Mas Jesus pensando na forma de morte que o espera, insiste: «Quando eu for levantado da terra atrairei tudo a mim.» O que se esconde no Crucificado para que tenha poder de atração? Só uma coisa: o seu amor incrível a todos e a sua capacidade de ser próximo de cada um em qualquer lugar e a qualquer momento.
Em Jesus fica demonstrado que o amor é invisível e sem limites. Só podemos captá-lo nos gestos, nos sinais e na entrega de quem nos quer bem. Por isso, em Jesus crucificado, na sua vida entregue até a morte, podemos perceber o amor insondável de Deus.
Na realidade só começamos a ser cristãos quando nos sentimos atraídos por Jesus. Só começamos a entender algo da fé quando nos sentimos amados por Deus.
Para explicar a força que se encerra em sua morte na cruz, Jesus usa de uma imagem simples que todos podem entender. «Se o grão de trigo não cair na terra e não morrer, ficará só; mas se morrer produzirá muito fruto.» Se grão morre, ele faz germinar e brotar vida, mas se ele se encerra em seu pequeno envoltório e guarda para si sua energia vital, permanece estéril.
É a dinâmica que torna fecunda a vida de quem sofre movido pelo amor. É uma ideia repetida por Jesus em diversas ocasiões: Quem se agarra egoisticamente à sua vida a põe a perder. Quem sabe entrega-la com generosidade gera mais vida.
Não é difícil comprová-lo.
Quem vive exclusivamente para seu bem estar, o seu dinheiro, o seu êxito e a sua segurança, acaba por viver uma vida medíocre e estéril. A sua passagem por este mundo não faz a vida mais humana.
Quem se arrisca em viver em atitude aberta e generosa, difunde vida, irradia alegria, ajuda a viver. Não há uma maneira mais apaixonante de viver do que fazer a vida dos outros mais humana e mais suportável.
Podemos seguir a Jesus e não nos sentirmos atraídos por seu modo de viver e morrer?

Comentários
Enviar um comentário