Domingo de Pentecostes: sete invocações ao Espírito Santo para que nos livre de outros tantos medos

«Na tarde daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas as portas da casa onde os discípulos se encontravam, com medo dos judeus, veio Jesus, apresentou-Se no meio deles e disse-lhes: "A paz esteja convosco." Dito isto, mostrou-lhes as mãos e o lado. Os discípulos ficaram cheios de alegria ao verem o Senhor. Jesus disse-lhes de novo: "A paz esteja convosco. Assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio a vós." Dito isto, soprou sobre eles e disse-lhes: "Recebei o Espírito Santo: àqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados; e àqueles a quem os retiverdes ser-lhes-ão retidos."» (Jo 20, 19-23).

As portas fechadas por medo que prendiam os discípulos convidam-nos a perguntar-nos: Quais são nossas portas fechadas?

Pouco a pouco estamos a aprender a viver sem interioridade. Já não necessitamos de estar em contacto com o melhor que há dentro de nós. Basta-nos viver ocupados. Contentamo-nos com funcionar sem alma. Alimentamo-nos só de bem-estar. Não queremos expor-nos a procurar a verdade.

Vem, Espírito Santo, e liberta-nos do vazio interior.

Temos aprendido a viver sem raízes e sem metas. Basta-nos deixarmos programar de fora. Movemo-nos e agitamo-nos sem cessar, mas não sabemos o que queremos nem para onde vamos. Estamos cada vez mais bem informados, mas sentimo-nos mais perdidos que nunca. 

Vem, Espírito Santo, e liberta-nos da desorientação.

Já só nos interessam as grandes questões da existência. Fizemo-nos mais céticos, mas também mais frágeis e inseguros. Queremos ser inteligentes e lúcidos. Mas não encontramos sossego nem paz. 

Vem, Espírito Santo, e liberta-nos da obscuridade e da confusão interior.

Queremos viver mais, viver melhor, viver mais tempo, mas viver o quê? Queremos sentir-nos bem, sentir-nos melhor, mas sentir o quê? Procuramos desfrutar intensamente da vida, tirar o máximo sumo, mas não nos contentamos só com passar bem. Fazemos o que nos apetece. Não há proibições nem terrenos vedados. Por que queremos algo diferente? 

Vem, Espírito Santo, e ensina-nos a viver.

Queremos ser livres e independentes e encontramo-nos cada vez mais sós. Necessitamos de conviver e encerramo-nos no nosso pequeno mundo, por vezes tão aborrecido. Necessitamos de nos sentir queridos e não sabemos criar contactos vivos e amistosos. Ao sexo chamamos «amor», e ao prazer, «felicidade», mas quem saciará a nossa sede? 

Vem, Espírito Santo, e ensina-nos a amar.

Na nossa vida já não há sítio para Deus. A Sua presença ficou reprimida ou atrofiada dentro de nós. Cheio de ruídos por dentro já não pode escutar a Sua voz. Focados em mil desejos e sensações, não chegamos a perceber a sua proximidade. Sabemos falar com todos menos com Ele. Temos aprendido a viver de costas ao Mistério.

Vem, Espírito Santo, e ensina-nos a acreditar.

Na festa cristã do Espírito Santo, a todos nos diz Jesus o que um dia disse aos Seus discípulos, exalando sobre eles o Seu alento: «Recebei o Espírito Santo.» 

Vem, Espírito Santo, sustém as nossas pobres vidas, alenta a nossa débil fé e reaviva a nossa existência por caminhos que só Tu conheces.

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