O sim generoso de Maria ao plano salvífico de Deus (Lc. 1, 38) faz com que Ela seja apresentada como modelo da Igreja missionária.
A Igreja sempre viu em Maria o exemplo do que a missão exige: a escuta fiel da Palavra,
a intimidade com Jesus,
a renúncia total a fazer da vida uma propriedade privada,
a disponibilidade em colocar-se a serviço de Deus para que todos tenham vida e vida com abundância.
Gostaria, nesta reflexão, de contemplar convosco esta dimensão missionária de Maria dentro da primeira comunidade cristã.
Sem dúvida, Ela que foi a primeira discípula de Jesus durante a caminhada missionária d’Ele, após a ressurreição tornou-se a primeira testemunha da nova presença de Jesus: vivo, ressuscitado e libertador.
Lucas, no começo dos Actos dos Apóstolos (Lc. 1, 12-14), fala de Maria como membro e formadora da comunidade apostólica. Conta-nos que ela, juntamente com outras mulheres, com os apóstolos e alguns parentes de Jesus, se reunia em oração.
Num destes encontros, no dia de Pentecostes, o Espírito Santo veio com força total sobre esta comunidade reunida.
É possível imaginar como Maria vivia esta experiência dentro da comunidade. Após ter percorrido o caminho de Jesus, agora percorria o caminho da comunidade, baseado na escuta da Palavra, na vida fraterna, na oração.
Era a memória viva de Jesus: ela, que tinha procurado conservar no coração as palavras e os gestos d’Ele, agora recordava tudo isso juntamente com a comunidade, para que ela encontrasse coerência na partilha e na comunhão dos bens, e força na caminhada missionária, apesar das dificuldades e perseguições.
Foi uma presença missionária que Maria viveu como mãe. Ela, aos pés da cruz, desapropriada da sua maternidade física, tinha sido convidada por Jesus a assumir a missão de ser a mãe do novo povo de Deus, da Igreja, representada no calvário pelo apóstolo João (Jo. 19, 25.27). Assumiu esta missão com amor, ternura e coragem dentro da comunidade de Jerusalém.
Sem dúvida, a idade e o desgaste físico não permitiram a Maria andar com os apóstolos pelo mundo fora para anunciar o Evangelho e fazer novas comunidades. Ficava mais na cidade de Jerusalém. Procurava, porém, dar todo o seu apoio aos apóstolos e demais discípulos comprometidos na missão.
Quando saíam de viagem, abençoava-os, acompanhava-os com o pensamento e a preocupação de mãe, rezando por eles... E quando voltavam, acolhia-os com carinho, escutava-os, animava-os nas maiores dificuldades.
Sentia-se assim envolvida na grande e maravilhosa aventura de continuar a missão de Jesus no mundo. O nosso povo continua a sentir esta presença de Maria, mãe missionária, na sua caminhada para ser como ela, Igreja que vive e comunga, Igreja que serve, Igreja que evangeliza.
A contemplação de Maria, já em idade madura dentro da comunidade apostólica, faz-nos pensar em muitos cristãos missionários, que, após uma longa caminhada, já não podem, por causa da idade ou da doença, continuar o trabalho missionário com a mesma energia de antes. Continuam, porém, a marcar presença na missão com a força da fé e da oração, e com o testemunho da alegria e da esperança, animando quem está no trabalho duro.
Olhando para Maria dentro da comunidade apostólica, poderíamos falar de «Nossa Senhora da terceira idade». Ela ajuda-nos a pensar na eficácia e fecundidade missionária de tantos doentes, idosos, reformados que já deram tudo de si, e agora continuam a oferecer o seu amor, a sua oração, o seu sofrimento em favor da família, em favor da Igreja, em favor da humanidade, para que o Reino de Deus aconteça em todos os lugares.
Olhando para Maria dentro da comunidade apostólica, poderíamos falar de «Nossa Senhora da terceira idade». Ela ajuda-nos a pensar na eficácia e fecundidade missionária de tantos doentes, idosos, reformados que já deram tudo de si, e agora continuam a oferecer o seu amor, a sua oração, o seu sofrimento em favor da família, em favor da Igreja, em favor da humanidade, para que o Reino de Deus aconteça em todos os lugares.
D. Franco Masserdotti, em Além-Mar

Comentários
Enviar um comentário