Retiro de Preparação para a Primeira Comunhão - Terceira reflexão: A celebração da Eucaristia

Vamos conversar sobre a celebração da missa. Os seguidores de Jesus comungam dentro de uma grande celebração, a que se chama Eucaristia (palavra grega que significa «Ação de Graças») ou Missa (palavra latina que significa «Enviados»). 

A Missa é comparada a uma grande refeição. E, como um banquete, consta de várias partes.

– Primeira parte da missa: RITOS INICIAIS: Canto de entrada, sinal da cruz, saudação, ato penitencial, glória e oração antes das leituras bíblicas.

– A missa começa com um cântico. Todos estão de pé e o presbítero (padre) ou o bispo que presidirá a celebração entra em procissão com os acólitos acompanhado dos ministros e outras pessoas que vão se intervir no desenrolar dos ritos (os leitores, por exemplo).

– O presbítero saúda a Igreja, fazendo o sinal da cruz: «Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo». Todos respondemos: «Amém.» (palavra hebraica que significa «Assim seja»).

O sinal da cruz é para lembrar que nos reunimos em nome de Deus, que é nosso Pai criador, que é Jesus, o Filho de Deus e nosso Salvador, e é Espírito que nos santifica. 
É o mesmo que dizemos naquele cântico «Em nome do Pai, em nome do Filho, em nome do Espírito Santo, estamos aqui, para louvar e agradecer, bendizer e adorar, estamos aqui Senhor ao teu dispor».

– Em seguida, o presbítero faz uma saudação com palavras tiradas da Bíblia: «A graça de Nosso Senhor Jesus Cristo, o amor do Pai e a comunhão do Espírito Santo estejam convosco.»
E todos respondemos: «Bendito seja Deus, que nos reuniu no amor de Cristo.»
Vejamos como é bonita a resposta: Estamos a louvar Deus, porque Ele nos reuniu no amor de Cristo. É muito bom e belo viver unido scom os irmãos no amor de Jesus.

– Depois, o presbítero convida para um momento penitencial. Reconhecemos que Deus é bom e nos acolhe, para nos ajudar a superar as nossas fraquezas. Vamos à missa para receber a força de Deus. Precisamos dessa força, porque somos fracos. Deus sabe disso e quer ajudar-nos. O momento penitencial é para invocarmos a misericórdia e a ajuda de Deus. Neste momento, pode-se cantar canções com este conteúdo. «Senhor, tende piedade de nós. Cristo, tende piedade de nós. Senhor, tende piedade de nós», ou fazer a oração: «Confesso a Deus todo-poderoso e a vós, irmãos e irmãs, que pequei muitas vezes por pensamentos e palavras, atos e omissões, por minha culpa, minha tão grande culpa. E peço à Virgem Maria, aos anjos e santos e a vós, irmãos e irmãs, que rogueis por mim a Deus, Nosso Senhor.»

– Terminado o canto ou a oração, o presbítero diz (não esqueçamos que ele é Jesus para nós e, por isso, é o próprio Jesus que nos fala): «Deus todo poderoso tenha compaixão de nós, perdoe os nossos pecados e nos conduza à vida eterna.» E respondemos: «Amém.» 

É muito interessante que nos lembremos nesta oração da «Vida Eterna», porque Jesus, na última ceia, disse que devíamos celebrar a ceia eucarística, até ao dia em que vamos cear com ele no Céu. Ou seja, a Eucaristia sustenta-nos enquanto estamos nesse mundo, caminhando com fé e esperança para a glória eterna.

– Depois desse momento, rezamos ou cantamos o glória, que é um hino de louvor a Deus:
«Glória a Deus nas alturas! E paz na terra aos homens por Ele amados. Senhor Deus, rei dos céus, Deus Pai todo poderoso. Nós vos louvamos. Nós vos bendizemos. Nós vos adoramos. Nós vos glorificamos. Nós vos damos graças por vossa imensa glória. Senhor Jesus Cristo, filho unigénito. Senhor Deus, Cordeiro de Deus, Filho de Deus Pai. Vós que tirais o pecado do mundo, tende piedade de nós. Vós que tirais o pecado do mundo, acolhei a nossa súplica. Vós que estais à direita do Pai, tende piedade de nós. Só vós sois o santo. Só vós o Senhor. Só vós o Altíssimo, Jesus Cristo. Com o Espírito Santo, na glória de Deus Pai. Amém.»

– Esta parte conclui com uma oração que o presbítero faz em voz alta, depois de ter convidado a todos a orar em silêncio. Ele recolhe todas as nossas preces e reza a Deus em nosso nome, daí o nome desta oração «Coleta» e todos respondemos «Amém» no final. Assim, terminam os ritos inicias.

– Segunda parte da Missa: RITO DA PALAVRA: Primeira leitura, Salmo, Segunda leitura, Aclamação, Evangelho, Homilia, Profissão de Fé, Preces.

– O Rito da Palavra é quando é proclamada a Palavra de Deus contida na Bíblia. São feitas duas ou três leituras da Bíblia, uma do Antigo Testamento (antes da vinda de Jesus), outra do Novo Testamento, sendo que a última é sempre uma leitura do Evangelho. Depois da primeira leitura, reza-se um salmo. Estamos sentados durante as leituras, mas levantamo-nos para ouvir o Evangelho, o que simboliza a prontidão necessária para o cumprir.

– Quando o padre anuncia o Evangelho, é costume fazer três cruzes: uma na testa, outra na boca e outra no peito. Com este gesto pedimos a Deus que purifique a nossa mente, os nossos lábios e o nosso coração: «Purifica, Senhor, a minha mente, os meu lábios e o meu coração, para que eu possa amar, acolher e anunciar a Tua Palavra.»

– Ao concluir as leituras, o leitor diz «Palavra do Senhor!», e nós respondemos «Graças a Deus!». Após o Evangelho, o leitor diz «Palavra da Salvação!» e respondemos «Glória a vós, Senhor!».

– Em seguida, sentamo-nos e o presbítero ou bispo faz a homilia (palavra do latim, que significa «exortação»), para nos ajudar a compreender o sentido das leituras e a mensagem de Jesus para aquele dia. Os presbíteros preparam-se para bem fazerem este serviço com o curso de Teologia.

– Em seguida, de pé, fazemos a profissão da fé, rezando o Credo, que é um resumo da história de Salvação:
«Creio em um só Deus Pai todo-poderoso, criador do céu e da terra  de todas as coisas visíveis e invisíveis.
Creio em um só Senhor, Jesus Cristo, Filho Unigénito de Deus, nascido do Pai antes de todos os séculos; Deus de Deus,  Luz da Luz,  Deus verdadeiro de Deus verdadeiro;  gerado, não criado, consubstancial ao Pai. Por ele todas as coisas foram feitas. E por nós, homens, e para nossa salvação, desceu dos céus e se encarnou pelo Espírito Santo, no seio da Virgem Maria, e se fez homem. Também por nós foi crucificado sob Pôncio Pilatos; padeceu e foi sepultado. Ressuscitou ao terceiro dia,  conforme as Escrituras,  e subiu aos céus,  onde está sentado à direita do Pai. E de novo há de vir, em sua glória,  para julgar os vivos e os mortos;  e o seu reino não terá fim.
Creio no Espírito Santo,  Senhor que dá a vida,  e procede do Pai e do Filho;  e com o Pai e o Filho  é adorado e glorificado:  Ele falou pelos profetas.
Creio na Igreja,  una, santa, católica e apostólica.
Professo um só batismo para a remissão dos pecados.
E espero a ressurreição dos mortos e vida do mundo que há de vir. 
Amém.»

– As preces - ou Oração dos Fiéis - concluem esta parte, em que, não só pedimos a Deus por pessoas e circunstancias, mas nos disponibilizamos para fazer a parte que nos compete.

– Terceira parte da Missa: RITO SACRAMENTAL:  Ofertório, Oração Eucarística, Prefácio, Santo, Consagração, Intercessões e Conclusão. Depois, Pai nosso, Oração pela paz, Cordeiro de Deus, Comunhão, Momento de silêncio, e Oração.

– O Rito Sacramental começa com o ofertório. É o momento de ofertar a Deus a nossa vida, simbolizada no pão e no vinho, «fruto da terra e do trabalho humano», que se irão converter em «Corpo e Sangue de Jesus» pela consagração. 

Após a procissão de ofertório, em que vão também as ofertas recolhidas entre os crentes, o presbítero prepara o altar. É muito profunda uma oração que o presbítero faz em silêncio, quando mistura a água com o vinho: «Assim como esta agua se une ao vinho, assim possamos nós participar da divindade do vosso filho, que se dignou assumir a nossa humanidade.»

O padre encerra o ofertório, lavando as mãos, em um gesto simbólico que lembra a pureza de coração. Enquanto lava as mãos, o padre diz «Lavai-me, Senhor, das minhas faltas e purificai-me dos meus pecados.»

– Aproxima-se, agora, o momento central da Eucaristia, que começa com esta exortação pelo padre: «Orai, irmãos, para que o nosso sacrifício seja aceite por Deus Pai todo poderoso!», e nós respondemos: «Receba, o Senhor, por tuas mãos, este sacrifício, para glória do seu nome, para o nosso bem e de toda a santa Igreja!»

O sacrifício é a dádiva da vida de Jesus, que se entregou na cruz por amor a nós. O sacrifício é a Eucaristia toda, que torna presente essa entrega de Jesus.

– Começa, então, a Oração Eucarística. O presbítero diz: «O Senhor esteja convosco.» Nós respondemos: «Ele está no meio de nós.» O padre continua: «Corações ao alto.». E nós: «O nosso coração está em Deus.» Ele prossegue: «Demos graças ao Senhor nosso Deus.». E nós: «É nosso dever e nossa salvação.»

Meditemos nestas palavras que lembram que Jesus está no meio de nós, que nós estamos com o coração no alto, ou seja, em Deus, e que nos sentimos felizes em dar graças, em agradecer ao Senhor nosso Deus. 

– Segue-se a grande oração Eucarística. Uma oração de acordo com o contexto desse dia convida a cantar ou rezar o santo. Esta é uma oração antiga para lembrar a santidade e a bondade de Deus. É bom saber de cor:
«Santo, Santo, Santo é o Senhor Deus do universo. O céu e a terra proclamam a vossa glória. Hosana nas alturas. Bendito o que vem em nome do Senhor. Hosana nas alturas.»

– “Hosana” é uma palavra hebraica que é um pedido de ajuda confiante. Significa «Salvai-nos, Senhor, tu que habitas nas alturas.» Foi isso que o povo pediu a Jesus, quando ele entrou em Jerusalém e o povo o recebeu e festejou com ramos. A gente recorda isso em toda Missa. Essa oração lembra que Deus é santo e que ele nos socorre. Jesus é aquele que veio em nome do Senhor, para socorrer o seu povo.

– Depois do Santo, vem a consagração. O presbítero invoca o Espírito Santo para que o pão e o vinho se tornem Corpo e Sangue de Cristo e repete as palavras do Senhor na Última Ceia:
Pegando na Hóstia, diz: «Tomai, todos, e comei: isto é o meu Corpo que será entregue por vós.» Pegando o cálice, diz: «Tomai, todos, e bebei: este é o cálice do meu Sangue, o Sangue da nova e eterna aliança, que será derramado por vós e por todos, para remissão dos pecados. Fazei isto em memória de Mim.»

– Em seguida, o padre diz ou canta: «Eis o mistério da fé.» Respondemos: «Anunciamos, Senhor, a vossa morte e proclamamos a vossa ressurreição. Vinde, Senhor Jesus.»

O sentido é simples: celebrando a Eucaristia, fazemos presente a morte e a ressurreição de Jesus e esperamos a sua vinda, ou seja, o dia em que vamos cear com Ele na eternidade. Por outras palavras, ao celebrar a Eucaristia, estamos com Jesus que dá a vida por nós, Ele ressuscitado está vivo junto de nós, acompanha-nos e aguarda-nos, para participarmos um dia com Ele da vida eterna.

– A seguir, o padre faz diversas orações, pedindo a Deus pela Igreja, pelo povo, pelos mortos, etc. É o que chamamos intercessão pelo bem nosso e dos outros.

– A Oração Eucaristia conclui em apoteose quando o presbítero ergue o cálice e a hóstia consagrada e diz: «Por Cristo, com Cristo, em Cristo, a vós Deus Pai todo poderoso, na unidade do Espírito Santo, toda honra e toda glória, agora e para sempre.» E todos dizemos: «Amém.»

 Começa, agora, o Rito da Comunhão. São orações que preparam o nosso coração para receber Jesus na Eucaristia:

• O Pai Nosso, oração que Jesus nos ensinou, lembra que todos somos irmãos, filhos do mesmo Deus Pai e, por isso, devemos estar em comunhão também com as pessoas com quem convivemos. A Eucaristia é comunhão com Jesus e com as pessoas.

• Depois, o padre reza a oração da paz: «Senhor Jesus Cristo, que dissestes aos vossos Apóstolos: Deixo-vos a paz, dou-vos a minha paz: não olheis aos nossos pecados, mas à fé da vossa Igreja e dai-lhe a união e a paz, segundo a vossa vontade. Vós que sois Deus com o Pai na unidade do Espírito Santo. Amém.» Todos respondemos: «Amém.»

• Em seguida, fazemos uma saudação de paz, que serve para mostrar que queremos a paz para nós e para todos.

• A continuação, reza-se o “Cordeiro de Deus”, lembrando que Jesus é quem tira o pecado do mundo e nos dá a paz.

 E chega o momento da Comunhão, que o presbítero anuncia, erguendo a hóstia e convidando a todos, em nome de Jesus: «Felizes os convidados para a ceia do Senhor. Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo.»

 Nós respondemos com uma frase inspirada na Bíblia: «Senhor, eu não sou digno de que entreis em minha morada, mas dizei uma palavra e eu serei salvo» (podes ler Mt 8,5-13).
Esta frase é muito importante. Somos convidados por Jesus para participar da ceia da Eucaristia. Diante desse convite, reconhecemos, com humildade, que nem somos digno de participar da ceia com Jesus. Mas Ele torna-nos dignos. Por maior que seja a nossa fraqueza, para Deus basta uma simples palavra, ou um simples gesto e somos salvos e santificados para participar da Eucaristia.

 Ao comungar, o padre ou ministro ergue a hóstia e diz «O corpo de Cristo.» Nós dizemos: «Amém.»
E recebemos a hóstia, na mão ou na boca, e comungamos. Depois da comunhão, voltamos para o seu lugar e continuamos a cantar. Após o canto, haverá um momento de oração para agradecer a Deus

– Quarta parte da Missa: RITOS FINAIS
Os Ritos Finais não são o encerramento da Missa. É hora de irmos para o nosso ambiente do dia a dia testemunhar e viver o que celebrámos na Igreja.
É esse o significado da oração de despedida:
O presbítero abençoa-nos, dizendo: «O Senhor esteja convosco!»
E nós respondemos: «Ele está no meio de nós!»
Ele continua: «Abençoe-vos Deus todo-poderoso: Pai e Filho e Espírito Santo.»
E nós: «Amém!»
E conclui: «Ide em paz e o Senhor vos acompanhe.»
E nós: «Graças a Deus!» (o mesmo é dizer, «com a graça de Deus»)

A partir de Fique Firme

Relê ou medita

Comentários

  1. Excelente retiro,bem explicado para as crianças. Passando a mensagem de não se afastar da Paróquia, pois é onde encontramos o alimento para seguirmos Jesus, Nosso Salvador.

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  2. Excelente retiro,bem explicado para as crianças. Passando a mensagem de não se afastar da Paróquia, pois é onde encontramos o alimento para seguirmos Jesus, Nosso Salvador.

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