Pecar é saber que algo desagrada a Deus e prejudica o
próximo ou a nós mesmos e, mesmo assim, praticá-lo.
Então, é preciso pedir perdão, ouvir que se é perdoado e propor-se
a remediar e a não voltar a fazê-lo.
A Igreja sempre acreditou que o perdão de Deus é algo
fundamental no caminho do discípulo de Jesus, que está sempre sujeito a errar e
a desanimar no propósito de seguir Jesus. Ela é inspirada em textos do
Evangelho que falam sobre a necessidade do perdão. Vejamos por exemplo o capítulo
20 do Evangelho segundo São João:
«Ao anoitecer daquele dia, o primeiro da semana, estando
fechadas as portas do lugar onde os discípulos se encontravam, com medo das
autoridades judaicas, veio Jesus, pôs-se no meio deles e disse-lhes: “A paz
esteja convosco!” Dito isto, mostrou-lhes as mãos e o peito. Os discípulos
encheram-se de alegria por verem o Senhor. E Ele voltou a dizer-lhes: “A paz
seja convosco! Assim como o Pai me enviou, também Eu vos envio a vós.” 22Em
seguida, soprou sobre eles e disse-lhes: “Recebei o Espírito Santo. Àqueles a
quem perdoardes os pecados, ficarão perdoados; àqueles a quem os retiverdes,
ficarão retidos.”» (Jo 20, 19-23).
– Jesus ressuscitado manifesta-se aos apóstolos. A primeira
coisa de que fala é da paz. Não se pode viver bem sem paz. Os apóstolos de
Jesus haviam fugido na hora da cruz. E tinham deixado Jesus sozinho, sem
amparo, sem amizade, sem socorro. Foi a traição de uma amizade tão sincera e
tão verdadeira que Jesus tinha lhes dedicado. E isso é um pecado muito grande.
– Então, eles, sentindo a presença de Jesus ressuscitado, não
estavam em paz: a consciência acusava-os. E Jesus devolve-lhes a paz, a paz que
vem do perdão, do amor misericordioso que tudo perdoa. Só assim eles estariam
prontos para retomar o caminho do discipulado. Só assim eles poderiam viver em
comunhão, em amizade com Jesus ressuscitado.
– E, depois disso, Jesus pede-lhes para também perdoarem as
pessoas. A mesma experiência do perdão que fizeram, eles deveriam transmiti-la.
Daqui nasceu o sacramento da reconciliação, da vontade de Jesus de devolver a
paz a todos os corações e do desejo da Igreja de partilhar a alegria de ser
perdoado.
– O sacramento da confissão é um sacramento de amor; só
quem ama perdoa. E por que se chama confissão? Porque nesse sacramento nós
procuramos um representante da Deus – presbítero ou bispo – e, confessando a
ele os nossos pecados, estamos a pedir perdão a Deus.
– Mas será que é mesmo preciso dizer os pecados? Não é
possível contar diretamente a Deus? Nós temos sempre medo de falar das coisas más
e difíceis que acontecem na nossa vida. Gostamos apenas de falar das coisas
boas. Mas é importante termos alguém de confiança para nos orientar, para nos
ouvir e conversar connosco. É bom ter com quem falar abertamente das nossas
dúvidas, dos nossos problemas, dos nossos limites e pecados; alguém capacitado
para nos ajudar a avaliar a nossa vida e, principalmente, alguém de fé que nos
ajude a aproximar-nos de Deus quando estamos mais fragilizados por causa do
nosso mau procedimento.
– Na confissão, o presbítero ou bispo é essa pessoa que tem
a tarefa de nos ouvir, acolher e orientar no caminho de retorno a Deus. Eles
representam Jesus, que sempre acolheu e perdoou os pecadores. Por isso, devemos
aproximar-nos do presbítero ou bispo com tranquilidade e confiança. Eles não se
vão assustar com nossos pecados. Ele também pecam e se confessam Eles conhecem
a fraqueza humana e sabem que Jesus é misericordioso com os pecadores. E não devemos
temer que o presbítero ou o bispo contem tudo a outros. Eles têm o dever de
guardar sigilo.
Como confessar-me?
– Em primeiro lugar, é preciso saber que a confissão não é
um julgamento nem uma prova. O confessor não vai fazer perguntas sobre os
mandamentos, nem sobre os sacramentos ou as leis da Igreja. A confissão tampouco
é um teste para saber se podemos comungar.
A confissão é um momento bom para avaliarmos, diante de
Deus, através do presbítero ou bispo, as escolhas que vamos fazendo.
– Vejamos os passos da confissão.
* Exame de consciência: a primeira coisa importante para
fazer uma boa confissão é parar um pouco, pensar na vida, nos enganos, nos
erros que cometemos. É preciso ver o que há de bom em nós para poder valorizar
isso; e é necessário também ver o que há de mau para poder emendar com coragem
essas fraquezas. Quem nunca avalia a sua vida corre o risco de ir caminhando
sem saber para onde vai, nem nunca se aperfeiçoar.
* Confissão: É uma conversa com um presbítero ou bispo
acerca da avaliação que fizemos no exame de consciência. Se ele fizer alguma
pergunta, será só para entender melhor o que dizemos, para nos ajudar melhor. Nós
podemos falar de tudo, sem medo, mas não é preciso entrar em pormenores.
E, se esquecermos algum pecado na confissão, o que devemos
fazer? É normal esquecer os pecados de menor gravidade. Mas Deus perdoa também
os pecados que foram esquecidos. Em geral, quando esquecemos, é porque o pecado
não tinha assim tanta importância. Todavia, se tivermos esquecido um pecado e
acharmos que é importante, podemos regressar e confessar ou lembrá-lo na
próxima confissão. O que não se pode é deixar de contar alguma coisa, e que nos
lembramos, por causa de medo, vergonha ou outra razão. Omitir um pecado, sem
esquecimento, é um erro grave.
* Contrição: É a nossa expressão de arrependimento e do propósito
de emenda. É costume o confessor pedir para rezarmos uma oração, que se chama
“Ato de contrição”:
«Meu Deus, porque sois infinitamente bom, eu Vos amo de
todo o meu coração, pesa-me ter-Vos ofendido, e, com o auxílio da vossa divina
graça, proponho firmemente emendar-me e nunca mais Vos tornar a ofender; peço e
espero o perdão das minhas culpas pela vossa infinita misericórdia. Ámen.»
* Absolvição: terminada a conversa, o padre faz uma oração
perdoando os pecados em nome de Deus e da Igreja:
«Deus, Pai de misericórdia, que, pela Morte e Ressurreição
de seu Filho, reconciliou o mundo consigo e enviou o Espírito Santo para a
remissão dos pecados, te conceda, pelo Ministério da Igreja, o perdão e a paz.
E eu te absolvo dos teus pecados, em nome do Pai e do Filho e do Espirito Santo.»
E nós respondemos: «Amém»
* Penitência: Certamente não é a expressão mais feliz,
porque não se trata de cumprir um castigo, mas de alegria, de mudança de vida. É
costume o confessor dar uma penitência a quem se confessa, ou seja, sugerir que
façamos alguma coisa para mostrar que estamos agradecidos a Deus. É preciso
fazer um gesto concreto que demostre a nossa boa vontade e gratidão. Ele significa
o nosso compromisso de melhorar, corrigindo aquelas coisas que estão imperfeitas
na nossa vida.
Esclarecendo algumas dúvidas
Preciso de me confessar antes de cada comunhão?
Não é preciso. Nós podemos comungar todas as vezes que
participamos na Eucaristia. Só precisamos de nos confessarmos quando tivermos
um pecado grave. Em cada missa já existe um rito penitencial em que pedimos
perdão pelos pecados mais leves.
Quantas vezes preciso de me confessar por ano?
A Igreja aconselha a fazer a confissão dos pecados ao menos
uma vez por ano; ou sempre que houver pecados graves.
O que são pecados graves (mortais)
Estes são alguns exemplos de pecados graves:
* Não crer algo ensinado por Deus e a Igreja, ou cultuar
outros deuses (contra o 1º mandamento)
* Blasfemar o Santo nome de Deus, da Virgem e dos Santos;
(contra o 2º mandamento)
* Faltar à Missa dos Domingos e Festa de guarda, sem grave
motivo; (contra o 3º mandamento)
* Matar , suicidar-se, abortar.
* Consentir em maus pensamentos, desejos, olhares,
conversas, ações contra a pureza, contra a fidelidade, contra a transmissão da
vida;
* Roubar uma quantia significativa;
* Caluniar ou difamar a uma pessoa em algo grave.
O que são pecados leves
(veniais)?
Estes são alguns exemplos de pecados veniais:
* Não rezar
* Mentir
* Ofender ou entristecer pai/ mãe/ irmãos/ amigos/ professores,
etc.
* Preguiça

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