«Para não idealizarmos um momento futuro quando poderemos estar em paz com todos,
devemos começar a construí-la com aquelas pessoas do nosso convívio diário: na família, no trabalho, no trânsito, na escola, com os amigos.
Evitar atritos,
pensar antes de falar,
exercitar a paciência,
são atitudes que promovem a paz no nosso dia a dia.
Saber escutar as pessoas,
valorizar seus pontos de vista e suas opiniões,
aceitar a variedade e riqueza das diferenças no grupo,
favorecer momentos de partilha,
são atitudes que promovem a paz ao nosso redor.
Não deixemos que o sol se ponha sobre nossas mágoas, perdoemos a todos que nos ofenderam. No dia seguinte, teremos um olhar renovado e veremos o outro como Deus o vê: completamente novo. É assim que se constrói a paz com os mais próximos.»
(Apolónio de Carvalho, escritor brasileiro)
Creio
na Paz
porque ela
significa a vitória da razão sobre o instinto, a supremacia do espírito sobre a
matéria, a excelência da filantropia sobre o egoísmo, o valor da cultura sobre
a rudeza da vida;
porque ela
humaniza e democratiza o desenvolvimento e o progresso, corporiza o desígnio da
pessoa humana à face da Terra, concretiza a mais profunda aspiração do homem de
todos os tempos e lugares – ser feliz na dignidade da pessoa humana e na
realização em comunidade;
porque ela
é possível, desejável, compromissiva e potenciadora das mais belas iniciativas,
num ambiente de constante solidariedade;
porque ela
torna o coração do homem tão magnânimo e generoso como o Oceano Pacífico.
Creio
na Paz
quando ela
é vivida ensinada e praticada nas famílias, nas catequeses, nas escolas, nos
clubes e noutros grupos – a educação para
a paz;
quando a
discussão de que alegadamente nasce a luz, ceder o passo ao diálogo sincero,
não subserviente, mas respeitador e eficaz – a normalidade da relação;
quando o
diálogo deixar de ser balofo ou untuoso e não significar falta de verdade, ou
não for entretenimento, cedência ou despersonalização – a força da autenticidade e genuinidade;
quando for
efetivo o respeito por si próprio e pelos outros e for efetiva a liberdade de
pensamento, opinião, expressão e ação nas famílias, escolas, lugares de
convívio, clubes, serviços públicos, empresas, associações, sociedades, Igrejas
e partidos políticos, bem como o direito de resposta – o respeito pela individualidade e pelas idiossincrasias;
quando uma
diferente opinião não significar per se
oposição demolidora, não exprimir rancor nem for objeto de chacota nem constituir
pretexto para qualquer tipo de perseguição – a prontidão da tolerância e a seriedade da divergência;
quando o
brinquedo infantil for conotativo de convivência, trabalho, beleza e
diversidade e se banir do passatempo a ocupação e o objeto portadores de
competição abusiva, violência e guerra – a
pureza da vida e a candura de atitudes;
quando a
comunicação social, abandonando o atropelo da procura de “furos”, parar de
testemunhar doentiamente as irregularidades e a violência excessiva, de alimentar
a guerra de audiências ou a venda de papel a qualquer preço, mas cumprir o
dever de informar com verdade objetiva, formar, promover e divertir – a missão da socialização e a premência da
objetividade;
quando a
educação preparar para a cidadania, qualificação profissional, prossecução de
estudos e desincentivar a emulação desmedida – a democracia com utilidade;
quando o
empresário se consciencializar do dever de investir e da função social da
propriedade e se decidir a pagar salário justo, criar condições de trabalho
razoáveis e ter em conta a situação pessoal e familiar do trabalhador – a renúncia ao lucro pelo lucro;
quando o
administrador não confundir administração com propriedade e aceitar a crítica
fundamentada e exposta com lucidez e delicadeza – a conveniente separação das águas;
quando o
trabalhador lançar mão do profissionalismo em prol da produtividade e usar a
consciência a livre e responsável no desenvolvimento da atividade, no
cumprimento dos seus deveres e na reivindicação e exercício dos seus direitos –
a expressão da cidadania laboral;
quando os
políticos renunciarem ao emproamento, abuso de poder, favorecimento e proventos
inéticos e se decidirem pelo exercício do poder como serviço ao bem comum,
justiça e equidade – o espírito de missão
e eficácia na efemeridade do poder;
quando os
conflitos políticos e administrativos, sociais e grupais, laborais e empresariais,
nacionais e internacionais, deixarem de ser fomentados, apoiados ou aplaudidos
e, renunciando à disponibilidade e uso das armas, se enveredar pela via da
negociação, da mediação e do diálogo – a
relevância da cultura na resolução dos problemas.
Creio
na Paz
Desde já e
sempre que ela, contrariando e anulando quaisquer formas de escravidão, se
impuser como parâmetro da educação, for ansiada como bem inestimável, se
granjear como cultura e brilhar como estilo de vida.
Creio
na Paz
no momento em que o homem,
nos trilhos da humildade e da verdade, se decida a ser HOMEM; e o crente aceite
seguir e promover a paz que o Evangelho nos dá e nos deixa como precioso
legado. Então reinará a prosperidade de corpo inteiro!

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